© Dos arquivos de Miguel “Willie” Ramos, Ilarí Obá, Obá Oriaté
Traduzido por Ricardo Ferreira do Amaral, advogado, artista plástico e filho de Airá.

O seguinte é um trecho de “The Empire Beats On: Oyo, Batá Drums, and Hegemony in Nineteenth-Century Cuba.” Tese de Mestrado. Miami: Florida International University, 2000 (Ch. V)

A sobrevivência das culturas africanas em Cuba é em grande medida devedora aos cabildos de nación ou associações étnicas africanas. Os cabildos foram baseados nas cofradías espanholas (confrarias, grêmios ou fraternidades) primeiramente organizadas em Sevilha, ao redor do século XIV. Estas cofradías foram colocadas sob a tutela de um santo católico e suas reuniões tinham lugar na capela do santo. Ortiz informa que esses grêmios foram organizados durante o reinado de Alfonso el Sabio, quem, após a criação do código legal espanhol conhecido por Las Siete Partidas, desejou “pôr ordem nas questões eclesiásticas e civis”.[I] Isidoro Moreno, um historiador espanhol que fez uma impressionante investigação das cofradías africanas na Espanha, cita que Ortiz de Zúñiga escreveu em 1474, que os escravos africanos em Sevilha eram tratados bondosamente e lhes era permitido “reunir-se para suas danças e celebrações nos feriados, de maneira que depois cumpririam prazerosamente seu trabalho e seriam mais tolerantes com seu cativeiro”.[II] Assim como Ortiz, Moreno concorda em que essas foram as precursoras dos cabildos afro-cubanos.[III] Philip Howard também tem adotado este ponto de vista numa publicação recente a respeito. [IV] Howard também aponta para a existência de instituições comparáveis na África.[V]

Os cabildos têm existido em Cuba desde o século XVI. Sandoval escreveu que a primeira cofradía africana de que se tem documentação em Cuba, foi formada em 1598.[VI] Em 1691, os ararás adquiriram um solar na rua Compostela em La Habana, onde foi fundado o primeiro cabildo. No presente, este solar ainda é conhecido como el solar de los Arará (o solar dos ararás).[VII] Contudo, a população africana da ilha ainda não era significativa naquele tempo, nem se tornou, a não ser algum tempo depois. Durante os séculos XVI e XVII, os cabildos não eram tão expressivos como o foram a partir do boom do açúcar no século XVIII. Como a população africana da ilha se desenvolveu a fins do século XVIII, os cabildos serviam a vários propósitos. As autoridades coloniais e a legislação espanhola favoreceram inicialmente o estabelecimento dos cabildos para diversão da população escrava da ilha.[VIII] Inicialmente, foram destinados a serem meios de controle social, um tipo de válvula de escape que ajudou a aliviar as tensões entre os amos e os escravos. Os africanos reuniam-se em seus cabildos quando lhes era permitido, para dançarem nos feriados de acordo com os “costumes das suas nações”.[IX]

Na maior parte, os cabildos foram organizados por escravos ou africanos manumissos pertencentes à mesma filiação étnica. Parece terem sido muito populares nas áreas urbanas.[X] Para os africanos, o cabildo serviu para muitas finalidades. Howard enfatizou que os cabildos foram cruciais para a conservação da humanidade dos escravos, superando injustiças sociais.[XI] Como sociedades de ajuda mútua, coletavam dinheiro ou juntavam recursos para assistir a um membro em tempos de doença ou morte e muitas vezes, para ajudar a alforriar um compatriota.[XII] Provavelmente os cabildos também serviram como asilo para escravos fugitivos. Ainda que o argumento de Howard de os cabildos não terem sido apenas “grupos de africanos reunidos para cantar e dançar a música de suas culturas respectivas” seja obviamente válido, isto não pode negar que uma das mais importantes funções do cabildo foi religiosa por natureza.[XIII]

Os cabildos foram as “igrejas” dos africanos, lugares onde podiam consultar as divindades e ancestres que os acompanharam na viagem forçada. Para aqueles escravos que persistiram em suas tradições africanas como um dos poucos meios de socorro à disposição, o cabildo representou um pedaço da África em território hostil onde podiam manter vivas a sua fé e as esperanças de mudança. Tal como Sandoval tem escrito, os cabildos foram “as instituições que fizeram viável a conservação da idiossincrasia, da religião e da cultura de cada nação africana”.[XIV] Simultaneamente, os cabildos constantemente vigoraram as identidades que a aculturação ocidental tratou de erradicar. O batá iorubano, a Nganga bantu e o iremé carabali foram utilizados nos cabildos, não somente em seu contexto religioso original, mas também como métodos de resistência que inibiram os amargos processos de deculturação e aculturação e aliviaram a humilhação e o senso de deshumanização associados à escravidão. As canções, danças e ritmos dos tambores, executados para as divindades africanas em uma terra tão hostil para os africanos, foram tanto mecanismos religiosos quanto inerentes a manter viva a sua africanidade. Neste sentido, o cabildo foi um centro de resistência à hegemonia cultural espanhola.

Para a sociedade branca espanhola e cubana, os cabildos foram necessários, mas instituições bárbaras que ela preferia não ver ou escutar. No final do século XVIII, ela começou a ficar preocupada com a classe dirigente. Vários artigos do Bando de Buen Gobierno y Policia, de 1792, foram dirigidos ao controle dos cabildos e seus membros. O artigo 39 clama por atenção às queixas contra os cabildos localizados em ruas habitadas por “ vizinhos honestos que justamente se queixam do desconforto ocasionado pelos sons grotescos e desagradáveis de seus (dos africanos) instrumentos. . . . Ordeno que em um ano, a contar da data de hoje, todos os cabildos sejam transferidos às margens da cidade”.[XV] A legislação seguinte do século XIX, reforçou muitas dessas proibições.[XVI]

Pelo século XIX, todos os cabildos estavam localizados fora dos muros da cercada cidade de La Habana. Para os brancos, isto significou que não teriam que ouvir os “barulhos infernais”[XVII] resultantes das celebrações africanas. Para os africanos, esta expulsão do interior da cidade foi uma bênção disfarçada, porque lhes permitiu um grau de privacidade que, de outra maneira, não haveriam tido. Por tal, isto foi um capital acrescido a mais na antecipação da aculturação, facilitando a transmissão da cultura africana.

Fora dos muros da cidade, os cabildos não foram tão reprimidos quanto o foram dentro da cidade e conseqüentemente, tiveram maior oportunidade de conservar aspectos culturais que não teriam resistido tão vibrantemente sob os olhos sempre vigilantes dos cubanos.

Ocasionalmente, os cabildos acalentaram conspirações de insurreição dos escravos A Conspiração de Aponte, em 1812, nasceu no famoso cabildo lukumi Changó Tedún.[XVIII] Acredita-se que José Antonio Aponte tenha sido um sacerdote de Shangó e o diretor do cabildo quando a conspiração foi planejada.[XIX] Aponte é creditado com ter sido o “primeiro cubano que sonhou com a bela inspiração de rebelião contra a dominação espanhola”.[XX] Em 1843, antes da barbaridade resultante do descobrimento da Conspiração de Escalera, parece que a tensão tinha afetado os cabildos. Em 19 de novembro, o regente do distrito de Puerto Príncipe ficou alarmado com a criação de um cabildo em seu distrito, que tinha sido fundado por 1.200 escravos. Estava preocupado com eles, pois “a piedade dos nossos soberanos permitiu aos escravos que realizassem suas celebrações em momentos específicos do ano, dando-lhes um respiro para suavizar a sua sorte, mas, não esqueçam de adotar todas aquelas precauções que evitem, em primeiro lugar, a inversão das boas intenções de vocês, uma graça concedida tão generosamente”. [XXI}

Na virada do século, os cabildos eram praticamente uma casta moribunda. Em 1884, a procissão para celebrar a Epifania, algo que muitos cabildos vinham praticando por décadas, foi proscrita. Em 1887, a legislação requereu que os cabildos obtivessem reconhecimento oficial e licenças. Outra lei, de abril de 1888, proibiu aos cabildos de se organizarem no típico estilo colonial e demandou que em vez disso, se organizassem como sociedades ou organizações, seguindo as leis estabelecidas para as sociedades cubanas. [XXII]

No século XX, ainda que o cabildo, como sociedade de ajuda mútua, parece ter se reduzido, se não desaparecido, os olorixás continuaram a desfilar os orixás lukumis através da localidade de Regla, em La Habana, sob o disfarce de imagens católicas. Regla foi um importante enclave lukumi no século XIX e no início do século XX em Cuba. Muitas tradições lukumis que sobreviveram em Cuba, vieram à ilha através do porto de Regla. Houve duas procissões de cabildos em Regla que obtiveram grande fama: a do cabildo Yemayá, de Ño Remigio Herrera, Adeshina, e a do cabildo de Susana Cantero, Omí Toké. A do primeiro foi herdada por sua filha Josefa Herrera, Eshú Bí, mais conhecida como Pepa, e é através de Pepa que a procissão ganha eminência. Omí Toké foi uma creole descendente de calabaris e lukumis, que foi ordenada para Yemojá em Palmira, ao redor de 1900, por Andrea Trujillo, Ewiyimí. Ela foi uma das iyalorixás mais respeitadas de Regla. Eshu Bí faleceu em julho de 1947 e Omí Toké morreu em agosto de 1948. Até as suas mortes, estas duas sacerdotisas competiram todos os anos para superar a procissão uma da outra.

As procissões começavam na igreja de Regla, no extremo Noroeste da cidade. Ali, apareciam colocadas quatro imagens de santos católicos diante do altar, e o sacerdote acolhia a massa e pronunciava suas bênçãos borrifando as imagens, os tambores e a multidão com água benta.[XXIII] Na entrada da igreja, os diretores do cabildo jogavam o obi, um dos oráculos lukumis, para avaliar se as divindades concordavam com rito católico, antes de prosseguir com a marcha. Depois de o oráculo ter confirmado que os orixás estavam satisfeitos, os fiéis atravessavam a rua até o começo da baia, onde novamente consultavam o oráculo e ofereciam seus respeitos no mar a Yemojá e a Olokún. Os devotos depositavam oferendas para estes orixás na água, enquanto os tambores batás tocavam e a multidão respondia com cantos e louvores às divindades. A possessão pelos orixás ocorria muito freqüentemente durante este ritual e as divindades amiúde acompanhavam seus devotos na celebração.

Da baia, a procissão marchava a pé através da cidade, descendo diretamente a rua Maceo e liderada pelos tambores batás. No caminho, o cabildo fazia pausas na delegacia de polícia, no escritório do alcaide e nos lares de importantes olorixás que viviam na cidade. Não havia conflitos com as autoridades locais porque as permissões chegavam automaticamente todo ano desde o Capitólio em La Habana ao escritório do alcaide, na municipalidade da cidade, sem que os olorixás as solicitassem. Em cada porta de entrada, consultavam o oráculo e pagavam tributo à casa e aos seus habitantes, cantando louvores, acompanhados pelos tambores, aos humanos e aos orixás: se um ou uma olorixá vivia na casa, teria um obi pronto para ser jogado na entrada. Uma vez que o cabildo tivesse pagado tributo às divindades tutelares da casa, e o obi tivesse respondido favoravelmente, então, o/a olorixá homenageado/a acompanhava a multidão de marchadores em sua parada, descendo pela longa e estreita rua da cidade portuária. A procissão terminava na entrada do cemitério de Regla, no outro extremo da cidade. Eram em torno de duas milhas desde o ponto de partida até os portões do cemitério. Olorixás de toda a ilha viajavam todos os anos a Regla para o evento.[XXIV]

Por causa da necessidade de conciliar suas práticas religiosas e cumprir com o mandado da sociedade de todos os cidadãos serem bons católicos, os devotos do cabildo carregavam as estátuas de quatro santos católicos através da cidade: Nossa Senhora das Mercês, representando a Obatalá, Nossa Senhora da Caridade, representando a Oshún, Nossa Senhora de Regla, representando a Yemojá e Santa Bárbara, representando a Shangó. Eles transformaram, mediante consagrações rituais, estas estátuas em manifestações “brancas” dos orixás.[XXV] Para os indivíduos forâneos à cultura e à religião, pela aparência externa das estátuas, não havia nada mais do que a representação de santos católicos; para os olorixás, estes santos eram divindades da Iorubalândia representadas através de um novo meio. Os fiéis desfilavam estas estátuas através de Regla sobre barras apoiadas em seus ombros. Adornavam-nas com elaborados arranjos florais, rendas caras e tecidos metalizados e bordados à mão. Os homens carregavam as imagens representando a Yemojá e a Obatalá, e as mulheres carregavam Oshún e Shangó. [XXVI

Notas finais

[I] Fernando Ortiz. Los cabildos y la Fiesta Afrocubana del Dia de Reyes. Na Revista Bimestre Cubana XVI. (Jan-Fev. 1921). Em 1992 (versão que possuo), foi reimpressa pela Editorial de Ciencias Sociales em La Habana. A citação é de Ortiz 1992 : 5; Mercedes Sandoval La Religión Afrocubana. Madrid: Playor, 1975 : 44; Jorge Castellanos e Isabel Castellanos, Cultura Afrocubana 1. Miami: Ediciones Universal, 1988 : 110. Vide também Isidoro Moreno. La Antigua Hermandad de los Negros de Sevilla: Etnicidad, Poder y Sociedad en 600 Años de Historia. Sevilha: Universidad de Sevilla, 1997.

[II] Diego Ortiz de Zúñiga. Anales eclesiásticos y seculares de la Muy Noble y Muy Leal ciudad de Sevilla, metropolí de Andalucía. XII (10) Madrid, 1677: em Moreno La Antigua…: 40.

[III]Moreno La Antigua. . . : 40.

[IV] Philip A. Howard. Changing History. Afro-Cuban cabildos and Societies of Color in the Nineteenth Century. Baton Rouge: Louisiana State University, 1998.

[V] Howard Changing History. . . : 24-5.

[VIi] Sandoval La Religión. . . : 45.

[VII] Entrevista com Rodolfo Martinez, Igbín Koladé, sacerdote de Obatalá e Obá Oriaté. La Habana, Cuba. 1977. Também Pedro Deschamps Chapeaux El Negro en la Economía Habanera del Siglo XIX. Habana: Union de Escritores y Artistas de Cuba, 1970: 31.

[VIII] Ortiz Los cabildos. . . : 6-7; Howard Changing History . . . : 27.

[IX] Pedro Antonio Alfonso. Memorias de un matancero. 1854 : n. 39, em Ortiz Los cabildos. . . : 7.

[X] Sandoval La Religión. . . : 46.

[XI] Howard Changing History. . . : xvii.

[XII] Castellanos e Castellanos, Cultura . . . 1 : 112-3.

[XIII] Howard Changing History. . . : 28; Ortiz Los cabildos. . . : 8; Sandoval La Religión…:43; Castellanos e Castellanos Cuiltura …1:110.

[XIV] Sandoval La Religión. . . : 48.

[XV] Ortiz Los cabildos. . . : 7; Howard Changing History. . . : 54.

[XVI] Ortiz Los cabildos. . . : 8; Howard Changing History. . . : 55. O Bando de Buen Gobierno y Policia, de 1842, outra vez banindo os cabildos do interior da cidade e enfatizando que suas celebrações somente poderiam acontecer aos sábados e nos feriados reconhecidos. Em1853, o Governador legislou que os cabildos se localizassem na Rua San Lázaro “en el barrio de Vives desde la Calzada hasta la Diaría entre las de Florida y Cuñado ó sea Calle de las Figuras y en el punto convenido por el Retiro de Pueblo Nuevo estensivo á la estancia de Don Dionisio Delgado” . Archivo Nacional de Cuba. Fondo Gobierno Superior Civil, leg. 1677, nº 83983.

[XVIII] Esteban Pichardo em Ortiz Los cabildos. . . : 1.

[XVIII] Roque E. Garrigo. “Historia Documentada de la Conspiración de los Soles y Rayos de Bolívar.” La Habana: Academia de la Historia de Cuba, 1927.

[XIX] Franco La Conspiración de Aponte. Habana: Publicaciones del Archivo Nacional LVIII, 1963: 25-6

[XX] Franco La Conspiración. . . : 22.

[XXI] Archivo Nacional de Cuba. Fondo Gobierno Superior Civil, leg. 367, nº 13877.

[XXII] Ortiz Los cabildos. . . : 11.

[XXIII] Entrevista com o Babalawô Pipo Peña. Miami, 6 de Fevereiro de 2000. Peña, um nativo de Regla, diz que as imagens de Omi Toké eram consentidas na igreja, entanto que as de Eshu Bí permaneciam na entrada e nunca foram trazidas para o interior da igreja. Não está esclarecido se isto era porque Eshu Bi, e seu pai antes dela, teriam declinado de entrar na igreja, ou se era por alguma outra razão.

[XXIV] Entrevista com Pipo Peña. Miami, 6 de Fevereiro de 2000. Minha avó, Marta Nebot, Oshún Ilarí, muitas vezes contou-me histórias do cabildo. O aniversário de seu orixá era no 9 de Setembro, no último dia do último dia do cabildo. De acordo com o que ela me contou, quando o cabildo terminava, muitos dos participantes recobravam o alento em sua casa para pagar tributo aos orixás e resumir os eventos do dia.

[XXV] Entrevista com Pipo Peña. Miami, Florida, 6 de Fevereiro de 2000. Peña é um nativo de Regla e sua família esteve ativamente envolvida com o cabildo e com sua preparação.

[XXVI] Entrevista com Pipo Peña. Miami, 6 de Fevereiro de 2000.

Traduzido por Ricardo Ferreira do Amaral, advogado, artista plástico e filho de Airá.

Comportamento e código de vestimenta do Iyawô durante os três primeiros meses

O período como iyawô consiste de um ano e sete ou dezesseis dias, dependendo da linhagem, e requer que o noviço siga uma série estrita de comportamento e de código de vestimenta. Por ser um recém nascido, a maioria dos oloxás afirmam que o iyawô deve ser tratado e cuidado como uma criança. Muitas destas prescrições e proscrições amiúde enfatizam esta crença, porque podem aparentar infantilidade de muitos modos. Estes códigos têm efeito desde o primeiro dia da ordenação, quando o iyawô renasce através dos processos rituais. Os primeiros três meses desse ano são os mais rigorosos em todo sentido, como se verá adiante.

Espera-se que um iyawô esteja bem vestido e espera-se que as roupas do iyawô sejam imaculadamente brancas, limpas e jamais rasgadas ou remendadas. Contudo, estar bem vestido não implica que o iyawô deva vestir roupas caras ou de marca. Os homens devem vestir camisetas com mangas, cuecas tradicionais, camisas de mangas compridas, calças amplas e meias em todas as ocasiões. As mulheres devem vestir saias amplas e blusas ou vestidos—nunca calças—com o comprimento das mangas, no mínimo, de 3/4 e com gola alta, soutiens, combinações, calcinhas e calçolas, meias de cano alto e um xale. Não podem calçar outras sandálias do que chinelos estando em casa, nem podem calçar sapatos que não cubram totalmente os pés.

Tanto homens quanto mulheres devem usar um chapéu, gorro, turbante ou cobrir suas cabeças de alguma maneira durante o período inteiro, retirando-os somente para tomar banho e para dormir. Também se requer um pedaço de algodão sob a peça que cubra a cabeça, durante os primeiros três meses.

Também se espera que o noviço pratique a higiene adequada. Higiene apropriada e limpeza não equivalem necessariamente a estar “perfumado” ou “maquiada”. Ao iyawô não lhe é permitido usar perfumes ou cosméticos de qualquer classe, incluído o sabonete perfumado, ainda que sejam feitas exceções quanto ao desodorante. O banho é ritualmente importante tanto quanto higienicamente necessário para os iyawôs e para os oloxás já feitos e, especialmente para aqueles que dividem suas camas com seus parceiros. É proibido permanecer diante dos nossos orixás ou cumprir com uma função religiosa antes de nos termos banhado, especialmente quando temos dormido com nosso cônjuge ou amante. Os homens devem estar com a barba bem feita e acicalados e, depois do terceiro mês, devem visitar o barbeiro para manterem os cabelos num comprimento razoável. Alguns iles proíbem deixar crescer a barba e o bigode por um ano inteiro. Ainda que as mulheres não estejam proibidas de cortarem os cabelos, elas não devem modelá-los, tingi-los ou submetê-los a qualquer tratamento de beleza desnecessário. E ainda, o iyawô deve estar consciente da sua aparência e da sua higiene pessoal em todas as circunstâncias.

Além da maquiagem e do perfume, as mulheres também estão proibidas de depilar as sobrancelhas e pintar as unhas, e alguns ilês são tão estritos que também proscrevem que raspem as pernas e as axilas sob o argumento de que uma lâmina não pode entrar em contato com um iyawô até ter passado um ano. Tampouco lhe é permitido ao iyawô usar jóias de qualquer tipo, especialmente durante os três primeiros meses. Isto compreende o uso de relógio de pulso. As únicas jóias que o iyawô pode usar são os elekês, os idês oxá—os braceletes de miçangas usados no pulso esquerdo que identificam o orixá do iyawô—o bracelete de prata ou de metal branco que pertence a Obatalá, e as mulheres devem, também, usar todos os braceletes dos orixás femininos recebidos na ordenação. Depois do terceiro mês, contudo, alguns padrinhos (babalorixás ou iyalorixás) permitem que as mulheres usem brincos pequenos, discretos, colares de coral ou de outra pedra semi-preciosa, principalmente associada com os orixás, tais como o âmbar, a madrepérola, o marfim ou o azeviche. Dadas as pressões e obrigações da sociedade moderna, a maioria dos ilês correntemente, permitem que os homens e as mulheres usem relógios de pulso após o terceiro mês.

O iyawô deve comer sobre uma esteira no chão e nunca à mesa. O iyáwô é provido de um prato, uma xícara –usualmente de ágata—e uma colher, com os quais se espera que coma e beba durante um ano inteiro. Pelo ano inteiro, o iyawô não deve usar um garfo ou uma faca para comer. Na sociedade moderna, onde a maioria dos iyawôs deve trabalhar, a maioria dos padrinhos lhes dá permissão para que comam à mesa ou no balcão durante o dia de trabalho, pelo que seria embaraçoso e provavelmente inaceitável na maioria dos restaurantes, que um iyawô entrasse carregando sua esteira, seu prato, sua colher e sua xícara para comer. Depois do terceiro mês, o iyawô deve comer sozinho na mesa e jamais acompanhado por qualquer pessoa, especialmente na mesa onde haja oloxás. Tipicamente, em qualquer evento dos orixás em que um iyawô sirva, comer numa esteira sob o chão ainda lhe é requerido até transcorrido um ano.

Espelhos, considerados portais para outros domínios, são tabus. O iyawô nunca deve olhar para um espelho, nem cruzar inadvertidamente diante de um deles; é de se supor que dirija seu semblante a qualquer outro lugar para evitar ver sua imagem no espelho. Isto é por vezes muito incômodo, especialmente para os homens, que devem aprender a se barbear sem o uso deste utensílio manual. Ademais, àqueles que devem estar vestidos para o trabalho, ou àqueles que usam espelhos ou olham em espelhos—cabeleireiros e celebridades, por exemplo—, estão amiúde isentos deste tabu enquanto trabalham, porquanto seria impossível que respeitassem o tabu e mantivessem seus empregos simultaneamente. Além disto, em nossas sociedades motorizadas, é muito difícil dirigir um carro sem usar o espelho retrovisor ou lateral. Às vezes, este ewô não é observável.

Idealmente, o iyawô deve estar em casa antes do crepúsculo, eis que o iyawô não poderá ficar exposto ao orvalho noturno. A meia-noite e o meio-dia são considerados dois períodos inquietantes e o iyawô—e muitos oloxás com odus específicos em seus itás—devem evitar estar fora de suas casas nesses horários. È recomendável permanecer dentro da casa por 5 minutos passados da meia-noite ou do meio-dia. O meio-dia é também considerado tabu para um iyawô, ainda que isto não lhe seja estritamente imposto. A maioria dos padrinhos realiza uma cerimônia na qual o iyawô é apresentado a oshupá—a lua—e a alé—a noite—na eventualidade de o iyawô não poder evitar permanecer fora de casa à noite para trabalhar ou por outras razões prementes.

Um iyawô não pode comparecer a nenhuma reunião, festa ou evento onde haja grandes aglomerações de pessoas, que não se trate de um evento religioso. Igualmente, o iyawô deve evitar comparecer a concertos, bailes, teatros, cinemas, restaurantes, bares, clubes noturnos, danceterias, shopping centers congestionados ou supermercados. O iyáwô não pode tomar banho de mar, de piscina, de rio, de lago ou de qualquer outro corpo d’água para propósitos de entretenimento, nem deverá viajar de férias durante o ano. È preferível que não viaje em absoluto durante os três primeiros meses.

Para comparecer a um evento religioso ou visitar a casa de outro oloxá, na primeira visita o iyawô deverá ser acompanhado pelos seus padrinhos ou por um outro oloxá designado por aqueles. O iyáwô nunca pode visitar sozinho a casa de qualquer oloxá, e os maiores responsáveis nunca deverão permitir que um iyawô entre em suas casas, e muito menos saudar os orixás que vivam naquele ilê, sem que a pessoa esteja acompanhada de um maior. De fato, ainda que o maior e o iyawô sejam visitantes, é o maior do noviço ou seu representante quem deverá apresentar o iyawô diante dos orixás no ilé visitado. Uma vez que tenha sido realizada a primeira visita, então, se os padrinhos do iyawô lhe derem permissão, este poderá visitar aquele ilê sem ser escoltado.

Álcool, drogas ilegais ou quaisquer outros alucinógenos são totalmente proibidos, nem o iyawô deverá estar presente em qualquer lugar em que aqueles sejam consumidos.

O iyawô não pode ser fotografado, a não ser em caso de extrema necessidade.

O iyawô não pode ir a qualquer lugar onde haja grandes aglomerações de pessoas—v.g. jogos de futebol, concertos, teatros, cinemas, shopping centers nos feriados e em outros momentos congestionados.

O iyawô não deverá cortar os cabelos até passado o terceiro mês.

O iyawô não deverá pentear os cabelos até passado terceiro mês.

O iyawô deverá sempre carregar seus prato, colher e xícara aonde for.

O iyawô não deverá cumprimentar ninguém com um aperto de mãos, a menos que seja absolutamente necessário.

O iyawô deverá se recolher antes do crepúsculo, a menos que seja absolutamente necessário.

O iyawô não pode ir à casa de nenhum olorixá sem seus padrinhos ou familiares no santo. O iyawô pode ir à casa de um parente no santo com a permissão do seu/sua padrinho/madrinha.

O iyawô não pode fazer nada para ou com os orixás até ter passado pelo ebó oshu metá—vide adiante.

Sempre que um iyawô entra na casa do seu padrinho, deve imediatamente ir ao quarto dos orixás e saudar os orixás de seu padrinho. Então, cumprimentará seu padrinho e os oloxás que estiverem presentes. Não é necessário dizer ao iyawô que deve cumprimentar os olorixás mais antigos que ele.

Ao iyawô tampouco lhe é necessário dizer que deve cooperar com o que estiver sendo feito durante as atividades religiosas, de qualquer maneira que lhe for possível (v.g. varrendo, depenando, cozinhando, etc. . .).

O iyawô não deve falar se não for necessário e não pode fazer perguntas se não for necessário. No entanto, o iyawô deve sempre manter seus ouvidos abertos para escutar conversações importantes onde lições e informação são trocadas ou dadas. Tudo virá em seu momento oportuno para todos os que o conseguiram com respeito e humildade. De todos modos, isto não significa que o padrinho ou os oloxás mais antigos possam abusar de um iyawô.

Não obstante, o iyawô deve sempre demonstrar respeito pelos maiores, ainda que nem sempre sejam merecedores dele. Se houver um problema com qualquer maior, o iyawô deve encaminhá-lo ao seu padrinho, quem deverá se encarregar dele. Se um maior chama apropriadamente a atenção do iyawô, este deve respeitar a admoestação do maior. Se houver discrepâncias, elas deverão ser dirigidas ao padrinho.

Espera-se que o iyawô compareça aos aniversários ou às atividades religiosas de todos os seus parentes. As datas são providenciadas à medida que se tornem necessárias. Nelas, também, o iyawô ajudará no que lhe for possível.

Vestimenta e código de conduta do Iyawô depois do terceiro mês

Muitas das prescrições e tabus são relaxados depois do terceiro mês. As mulheres são especialmente contempladas por não mais terem que usar o xale. Este é removido na cerimônia dos três meses. Durante esta cerimônia, a cobertura da cabeça é retirada. Desta forma, é requerido somente do iyawô que cubra sua cabeça em rituais específicos e quando estiver fora de casa, contudo, algumas linhagens demandam que o faça somente quando não estiver em casa à noite. O requerimento quanto ao comprimento das mangas também é relaxado, e alguns iles também descartam os requerimentos referentes à roupa de baixo dos homens, lhes permitindo o uso de slips e de camisetas regata por baixo da camisa. As mulheres devem continuar a usar calcinhas e calçolas, ainda que alguns padrinhos possam ser flexíveis também a este respeito.

Muitas linhagens também retiram os elekês e os braceletes das mulheres, se bem que o idé oxá e o bracelete de Obatalá permanecerão no pulso durante o ano inteiro. Ao iyawô lhe é requerido somente o uso do elekê do seu orixá tutelar, bem como ficará livre para usar outros de sua escolha.

O iyawô pode agora comer à mesa, mas sempre sozinho. O requerimento acerca do crepúsculo é agora dispensado, mesmo assim, espera-se que o iyawô observe horários razoáveis e que esteja sempre em casa antes da meia-noite. Do mesmo modo, o tabu contra estar em lugares públicos é dispensado, permitindo ao iyawô ir a um shopping center ou ao mercado cada vez que for necessário. Outras saídas em público ainda são tabus, até ser completado um ano. A maioria dos outros tabus é mantida pelo ano inteiro.

Adimu para os orixás do iyawô

Um iyawô não pode dar oferendas aos seus orixás até que não tenha completado o ebó dos três meses. Ainda assim, há uma exceção. Se o iyawô recebeu os guerreros—os guerreiros—antes da ordenação, deve ser ofertado adimu para Elegbá, Ogún, Oshosi e Osun, as quatro divindades comumente chamadas los guerreros.

Há algumas divergências em termos de adimus requisitados durante o itá. Alguns oriatés e oloxás insistem em que aquelas oferendas devam ser realizadas imediatamente aos orixás do iyawô. Outros se opõem, considerando que quaisquer adimus que se façam prementes como são requisitados no itá, devam ser oferecidos aos orixás do padrinho até que o iyawô cumpra com o ebó.

Livro de Itá

A informação contida em seu livro de itá é privada e somente para os seus olhos. Qualquer mal intencionado pode usar o seu odu para lhe causar dano e quebrantar a sua vida. Não mostre seu livro ou diga o seu odu a ninguém.

A adivinhação e o iyawô

A menos que seja um caso de vida ou morte, o iyawô não deve consultar a adivinhação durante o ano inicial. Depois de um itá, durante o qual um mínimo de cinco orixás falou ao iyawô, não há uma verdadeira necessidade de qualquer comunicação adicional dos orixás. Os problemas que surgirem, se houver algum, deverão ser resolvidos à luz dos odus que vieram no itá do iyawô. Mesmo assim, se surgir uma necessidade extrema que não esteja compilada no itá ou uma solução que não seja evidenciada pelos odus do iyawô—e enfatizo que deva ser literalmente numa situação de vida ou morte—, não poderá ser utilizado o dilogun dos orixás do iyawô para se fazer a leitura. Esta deverá ser realizada com o dilogun da iyalorixá ou do babalorixá. Destarte, as leituras do Ifá somente poderão ser levadas a cabo em situações de vida ou morte.

O ebó dos três meses

No terceiro mês, ou logo depois, espera-se que o iyawô realize o ebó oshu metá ou, como é tipicamente conhecido em espanhol por ebó de tres meses—tal como o seu nome lukumi implica, o ebó das três luas ou meses. Esta cerimônia requer o sacrifício de galináceos para todos os orixás consagrados na ordenação em que um animal de quatro patas foi sacrificado. Algumas linhagens sacrificam um bode para Elegbá nesta cerimônia, ainda que a maioria oferende apenas animais de penas.

Os preparativos para o ebó são combinados de antemão com o padrinho. O ebó deve ser levado a cabo na casa do iyawô, mas também pode ser realizado em qualquer outro lugar. Algum tempo antes da data, o iyawô deve ir ao ilé da iyalorixá ou do babalorixás para apresentar dois côcos, duas velas, um prato, e o ashedi estipulado—títulos de bens ou dinheiro—já avençado com o padrinho para a cerimônia. No mesmo dia ou no imediatamente posterior, o iyawô deve também se apresentar diante dos orixás do/a ojigbona com dois côcos, duas velas, um prato e um ashedi para o ebó.

Saudando diariamente os orixás

Todo oloxá deve diariamente pagar tributo aos orixás. Esta obrigação é especialmente importante durante o primeiro ano de ordenação. Os padrinhos devem tomar o tempo necessário para ensinarem ao iyawô a maneira apropriada com a qual proceder, porém, isto nem sempre acontece.[1]

Depois de ter se lavado e ter cuidado de suas necessidades pessoais, o oloxá toma uma cabaça ou qualquer outro recipiente disponível para enchê-lo d’água limpa. Esta água é utilizada para saudar Elegbá e os outros guerreros. A água é derramada por três vezes no chão diante deles e o oloxá diz:

Omi tutu, axé tutu, onã tutu, ilê tutu Água fresca, [de maneira que] o axé é fresco,
o caminho é fresco, a casa é fresca.
Tutu Laroyê, tutu ariku babawá [de maneira que] Laroyê (Exu) é fresco
[apaziguando discórdias], [de maneira que]
nossos antepassados assegurem que este frescor perdure.

Depois disto, a pessoa bate no chão por três vezes diante de Elegbá com o punho fechado, tal como se batesse numa porta. Então, permanece ereta frente a ele e esfrega uma mão na outra, tal como se faz quando se ora ou se pedem suas bênçãos. Então, se vira suavemente e lhe dá as costas, enquanto esfrega os pés para trás na direção dele, assim como um touro preste a atacar. Finalmente, mexe algumas vezes suas nádegas rapidamente de um lado para outro e vai embora. No mínimo, antes de deixar a casa e antes de retornar a ela, devemos pedir a bênção de Elegbá e pela sua direção no mundo de fora.

A seguir, a água remanescente é levada à entrada da casa. Um pouco dela é aspergido no batente, e o restante é lançado à rua, repetindo a mesma oração que foi recitada diante dos guerreros:

Omi tutu, axé tutu, onã tutu, ilê tutu Água fresca, [de maneira que] o axé é fresco,
o caminho é fresco, a casa é fresca.
Tutu Laroyê, tutu ariku babawá [de maneira que] Laroyê (Exu) é fresco
[apaziguando discórdias], [de maneira que]
nossos antepassados assegurem que este frescor perdure.
Depois, presta-se homenagem a Egun, recitando uma oração básica:

Mojubá gbogbô Egun ‘ti araorun Saúdo a todos os antepassados e espíritos
Mbelese Olodumarê que estão aos pés de Olodumarê
Kosi‘ku, kosi arun, kosi ofô Que não haja [uma precoce] morte,
Que não haja doença, que não haja perda
Kosi inyá, kosi arayê Que não haja contenda, que não haja problemas mundanos.

Finamente, a pessoa saúda os orixás. A pessoa se ajoelhará e ofertará uma libação de água—três ou quatro pingos são derramados no chão diante dos orixás. Então, enquanto soa o instrumento ritual do orixá tutelar, a pessoa recita uma mojuba e orações, da mesma maneira como constou acima.

Se o oloxá tem algum problema premente, ou se encontra numa situação difícil de algum jeito, é muitas vezes recomendado que fale aos orixás pela manhã depois do alvorecer, antes de ter escovado os dentes e ter se lavado. Nesta situação, deve se tomar cuidado para se permanecer absolutamente em silêncio até que as saudações e pedidos tenham sido feitos. É importante estar equilibrado quando nos dirigirmos deste modo aos orixás. Acredita-se que esta é uma das maneiras mais eficazes de se obter bênçãos e também a maneira mais prejudicial de se amaldiçoar um inimigo.

As obrigações do oloxá para com seu padrinho e seu ojigbonã

Um oloxá tem várias obrigações para com sua iyá ou seu babálorixá. Estas não devem ser exclusivamente religiosas, tal como dentre os mais importantes elementos no relacionamento estão a confiança, o afeto e os laços de amizade que devem ocupar o lugar de pivô da relação. Tal como amiúde digo aos meus colegas, não estou tão interessado nos protocolos religiosos quanto estou em estabelecer um sólido relacionamento com os meus omorixás, a quem considero primeiramente meus amigos para só depois considerá-los meus descendentes religiosos. Destaco que o relacionamento entre a iyá ou o babálorixá e o omorixá é um parentesco fictício, mas não poderá um relacionamento fictício ou hipócrita para que possa ser bem sucedido.

Espera-se que o olorixá satisfaça seu padrinho e seu ojigbonã todos os anos, em cada uma das celebrações de seus aniversários, levando os costumeiros ashedi, prato, côcos, velas e dinheiro. Ademais, o olorixá deve também satisfazer seus maiores antes mesmo do seu próprio aniversário, a despeito de este ser celebrado ou não.

Cada vez que o padrinho tenha uma atividade religiosa, os omorixás devem estar presentes e acudir com todas as funções para que a atividade tenha sucesso. O omorixá receberá somente o tanto que colheu de acordo com o seu comportamento. O padrinho não deve simplesmente agraciar o omorixá, mas sempre manter um controle mental do comportamento deste e da sua participação nas atividades da casa, ou da falta destes.

Notas finais

[1] Os aborixás podem também usar isto como guia para saudar seus guerreros e/ou outros orixás que possam ter recebido. Vide nota #8

Iyawó’s behavior and dress code during the first three months

The period as an iyawó, consisting of a year and seven or sixteen days, depending on the lineage, requires that the novice follow a series of strict behavioral and dress codes. As a newborn, most oloshas will assert that iyawó must be treated and cared for like a child. Many of these prescriptions and proscriptions often emphasize this belief, as they may appear as childish in many ways. These codes take effect on the first day of the ordination when the iyawó is reborn through the ritual processes. The first three months of this year are the strictest in every sense, as will be seen ahead.

An iyawó is expected to be well dressed, and the iyawó’s clothes are expected to be immaculately white, clean and never torn or mended. Well dressed does not imply, however, that iyawó has to wear expensive or name brand clothing. Men must wear sleeved undershirts, boxer shorts, long-sleeved shirts, loose-fitting pants, and socks at all times. Women must wear loose-fitting skirts and blouses or dresses—never pants—with minimum elbow length sleeves and a high neckline, brassieres, slips, panties, petite-pants—a boxer-like panty—, knee-high socks, and a shawl. Neither can wear sandals other than house slippers to be at home, nor can they wear shoes that do not fully enclose the foot.

Both men and women must wear a hat, cap, headscarf, or head covering of some sort during the entire period, removing it only to bathe and sleep. Under the head covering, a piece of cotton is also required for the first three months.

The novice is also expected to practice proper hygiene. Proper hygiene and cleanliness does not necessarily equate to “perfumed” and “made-up.” An iyawó is not allowed to use perfumes or cosmetics of any sort, including perfumed soap, though exceptions are made for deodorant. Bathing is ritually important as well as hygienically necessary, for iyawós and full-fledged oloshas, and especially for those who share their beds with significant others. It is forbidden to stand before one’s orishas or attend a religious function before one has bathed, and especially when sleeping beside a spouse or lover. Men must be well shaved and groomed, and after the third month may visit a barbershop to keep their hair at a reasonable length. Some ilés forbid growing a beard and moustache for the entire year. Though women are not forbidden to cut their hair, they must not style, dye, or submit their hair to any unnecessary beauty treatments. Still, iyawó must be conscious of his/her appearance and personal hygiene at all times.

Besides the use of make-up and perfume, women are also forbidden to pluck their eyebrows, paint their nails, and some ilés are so strict that they also proscribe shaving of the legs and underarms, the argument being that a razor should not come into contact with an iyawó until after their year is up. Neither is an iyawó allowed to use jewelry of any sort, and especially during the first three months. This includes the use of a watch. The only jewels the iyawó may use are the elekés, idé osha—the beaded bracelet worn on the left wrist that identifies the iyawó’s orisha—the silver or white metal bracelet that belongs to Obatalá, and women must also use all the bracelets of the female orishas received at the ordination. After the third month, however, some godparents allow women to use small, inconspicuous earrings, coral or other semi-precious stone necklaces, mostly associated with the orishas, such as amber, mother of pearl, ivory or jet. Because of the pressures and obligations of modern society, most ilés currently allow both men and women to use a watch after the third month.

The iyawó must eat on a mat on the floor, and never at a table. Iyáwó is provided with a plate, cup—usually enameled tin—and spoon with which he or she is expected to eat and drink for the entire year. For the entire year the iyawó must not use a fork or knife to eat. In modern society where most iyawós must work, most godparents give them permission to eat at a table or a counter during the workday as it would be awkward, and probably unacceptable at most restaurants for an iyawó to walk in carrying their mat, plate, spoon and cup to eat on. After the third month, iyawó may eat alone at a table, but never accompanied by anyone and especially not at a table where there are oloshas. Typically, at any Orisha event that the iyawó attends, eating on the floor on a mat is still required until the year is up.

Mirrors, considered portals to other realms, are tabooed. The iyawó must never look in a mirror, and whenever coming across a mirror unexpectedly, is expected to direct his or her gaze elsewhere to avoid seeing his or her image in the mirror. This is very cumbersome sometimes, and especially so for men who must learn to shave without the use of this handy accoutrement. In addition, those who must get dressed for work, or those whose work requires that they use mirrors or look in mirrors—hairdressers and celebrities, for example—are often excused from this taboo during the work day as it would be impossible to observe the taboo and keep their job at the same time. In addition, in our motorized societies, it would be very difficult to drive a car without using the rear or side view mirror. Sometimes, this ewó is not observable.

Ideally, the iyawó must be home before dusk, as iyawó should not be exposed to the evening’s dew. Midnight and noon are considered two periods of unrest and an iyawó—and many oloshas with specific odús in their itás—must refrain from being outdoors at these hours. It is recommendable to stay indoors until 5 minutes past midnight or noon. The noon sun is also considered taboo for an iyawó, though not as strictly enforced. Most godparents perform a ceremony whereby the iyawó is presented to oshupá—the moon—and alé—the evening—in the eventuality that the iyawó cannot refrain from being outdoors at night for work or other pressing reasons.

An iyawó cannot attend any gathering, party, or event where there are large conglomerations of people other than a religious event. Likewise, iyawó must refrain from attending concerts, dances, theaters, movies, restaurants, bars, nightclubs, discotheques, congested shopping centers or markets. Iyáwó cannot bathe in a beach, pool, river, lake or any other body of water for entertainment purposes, nor should an iyawó travel for vacationing during the year. It is preferable not to travel during the first three months.

To attend a religious event or visit the home of another olosha, the first visit must be in the company of the godparents or another olosha designated by them. Iyáwó can never visit any olosha’s home alone, and the responsible elder should never allow an iyawó to enter their home, and much less salute the orishas that live in that ilé, unless the person is accompanied by an elder. In fact, though the elder and the iyawó are the visitors, it is the novice’s elder or representative who must present the iyawó before the orishas in the visited ilé. Once this first visit has been made, then, if the iyawó’s godparents give permission, he or she may visit this ilé unescorted.

Liquor, illegal drugs and any other hallucinogens are totally forbidden, nor should an iyawó be present anywhere where these are consumed.

Iyawó cannot be photographed unless it is an extreme necessity.

Iyawó cannot go anywhere where there are large conglomerations of people—e.g. ball game, concert, theater, movies, shopping centers during holiday rushes and other congested times.

Iyawó should not have his/her hair cut until after the third month.

Iyawó should not comb his or her hair until after the third month.

Iyawó must always carry his/her plate, spoon and cup wherever he/she goes.

Iyawó cannot shake anyone’s hand unless it is absolutely necessary.

Iyawó must be home before dusk unless it is an absolute necessity.

Iyawó cannot go to any olorisha’s house without her godparents or orisha siblings. Iyawó may go to an orisha sibling’s home with the godparent’s permission.

Iyawó cannot do anything to or with the orishas until after the ebó oshú metá—see ahead.

Whenever an iyawó enters the godparent’s house, he/she should immediately go to the orisha room and salute the godparent’s orishas. Then he/she has to salute the godparent and any oloshas that are present. Iyawó does not need to be told that he/she must salute elder olorishas.

Iyawó does not need to be told that during religious activities, he/she has to cooperate with anything that is taking place, in any way possible (e.g. sweeping, plucking, cooking. . . etc. . . .).

Iyawó does not speak unless necessary and does not ask questions unless necessary. Albeit, the iyawó should always keep his/her ear open to listen to important conversations where lessons and information is exchanged or given. All will come in good time to all those who earn it with their respect and humility. However, this does not mean that the godparent or elder oloshas may abuse an iyawó.

Nonetheless, iyawó should always exhibit respect for the elders, even if these are not always the most deserving of it. If there is a problem with any elder, the iyawó should address them with the godparent who should take care of it. If an elder calls the iyawó’s attention properly, the iyawó must respect the elder regardless. If there are issues, they should be addressed with the godparent.

Iyawó is expected to attend the anniversaries or religious activities of all his/her siblings. The dates will be provided as the need arises. There too, iyawó helps in anything possible.

Iyawó’s dress and behavioral code after the third month

Many of the prescriptions and taboos are relaxed after the third month. Women are especially relieved, as they no longer have to use the shawl. This is removed in the three-month’s ceremony. During this ceremony, the head-covering is withdrawn. Henceforth, the iyawó may only be required to wear head-covering for specific rituals and when going outdoors, though some lineages demand that he or she wear it only to be outdoors at night. The sleeve-length requirement is also relaxed, and some ilés also discard the men’s underclothing requirements as well, allowing men to use briefs and sleeveless undershirts. Women must continue to use slips and petite-pants, though some godparents may be flexible in this respect as well.

Many lineages also withdraw the elekés and the women’s bracelets, though the idé osha and Obatalá’s bracelet will remain on the wrist for the entire year. The iyawó is only required to wear the eleké of the tutelary orisha, though free to use others as well if it is of his or her choosing.

The iyawó may also eat at the table now, but as already stated, alone. The dusk requirement is now loosened, though the iyawó is still expected to keep reasonable hours, and always be home before midnight. Likewise, the taboo against being in public places is loosened, allowing the iyawó to go to a shopping center or the marketplace whenever necessary. Other public outings are still tabooed until the year is up. Most other taboos remain in place for the entire year.

Adimú to the iyawó’s orishas

An iyawó cannot place any offerings to his or her orishas until after the three months ebó. There is one exception, though. If the iyawó had received guerreros—the warriors—before the ordination, adimú may be offered to Elegbá, Ogún, Oshosi, and Osun, the four deities commonly called los guerreros.

There is a bit of divergence in terms of adimús requested during itá. Some oriatés and oloshas insist that these offerings must be placed immediately, to the iyawó’s orishas. Others counter that any pressing adimús that were requested in the itá must be placed before the godparent’s orishas until the iyawó makes ebó.

Itá book

The information contained in your itá book is private and for your eyes only. Anyone with malice can use your odu to cause harm or disrupt your life. Do not show your book or tell your odu to anyone.

Divination and iyawó

Unless it is a case of life and death, iyawó should not have divination performed during the initial year. After an itá during which a minimum of five orishas spoke to the iyawó, there is no true necessity for any further communication from the orishas. The problems that arise, if any, should be addressed in light of the odús that came in the iyawó’s itá. If, however, an extreme necessity arises that was not addresses in itá or a solution is not evident in the iyawós odús—and I stress that this must be a life or death situation, literally—the dilogún from the iyawó’s orishas cannot be used to perform the reading. The reading must be performed with the iyalosha’s or babalosha’s dilogún. Likewise, Ifá readings can only take place in life or death situations.

The three-month’s ebó

On or shortly after the third month, the iyawó is expected to perform the ebó oshú metá or what is more typically known in Spanish as ebó de tres meses—as its Lukumí name implies, three-moons or months ebó. This ceremony requires the sacrifice of fowls to all the orishas consecrated at the ordination to which a four-legged animal was sacrificed. Some lineages sacrifice a he-goat to Elegbá for this ceremony, though most just offer feathered animals.

The arrangements for the ebó are worked out with the godparents in advance. The ebó can take place in the godparent’s or in the iyawó’s home, though it can be done elsewhere as well. Some time before the date, the iyawó must come to the iyalosha’s or babalosha’s ilé to present two coconuts, two candles, a plate, and the stipulated ashedí—rights or money—agreed upon with the godparent for the ceremony. That same day or soon thereafter, the iyawó must also go before the ojigbona’s orishas, with two coconuts, two candles, a plate, and an ashedí for the ebó.

Saluting the orishas daily

Every olosha should pay tribute to the orishas daily. This obligation is especially important during the first year of ordination. The godparents must take the time to teach an iyawó the proper manner in which to proceed, but this does not always happen.[1]

After washing up and taking care of personal necessities, the olosha takes a gourd or any other available container and fill it with clean water. This water is used to salute Elegbá and the other guerreros. Three drops of this water are dropped on the floor before them, as the olosha says:

Omí tutú, ashé tutú, oná tutú, ilé tutú: Cool water, [so that] ashé is cool, the road is cool, the house is cool
Tutú Laroyé, tutú arikú babawá: [so that] Eshú-Laroyé is cool [pacifying strife], [so that] our ancestors ensure that this freshness will endure

After this, the person knocks three times on the floor before Elegbá, with a closed fist, as if knocking on a door. Then stand erect facing him, and rub both hands together as you pray and ask for his blessings. Then, turn swiftly and give your back to him, and scrape your feet backward, toward him, like a bull that is going to charge forward. Finally, quickly swing your buttocks from side to side a few times and walk away. At minimum, before leaving the home, and upon returning, one should ask Elegbá for his blessing and his guidance in the world outside.

Next, the remaining water is taken to the doorway. Some of it is sprinkled on the threshold, and the remainder is cast toward the street, repeating the same prayer that was recited before the guerreros:

Omí tutú, ashé tutú, oná tutú, ilé tutú: Cool water, [so that] ashé is cool, the road is cool, the house is cool
Tutú shilekún: the doorway [entrance] is cool
Tutú Laroyé, tutú arikú babawá: [so that] Eshú-Laroyé is cool [pacifying strife], [so that] our ancestors ensure that this freshness will endure

Afterward, the homage is paid to Egún, reciting a basic prayer:

Mojubá gbogbó Egún ‘tí araorún: I salute all ancestors and spirits
Mbelese Olodumaré: that are at the foot of Olodumaré
Kosí‘kú, kosí arún, kosí ofó: May there not be [an early] death, may there not be sickness, may there not be loss
Kosí inyá, kosí arayé: May there not be strife, may there not be worldly problems

Finally, the person salutes the orishas. The person will kneel and offer a libation of water—three of four drops of it are trickled on the floor before the orishas. Then, while sounding the tutelar orisha’s ritual instrument, the person recites a mojuba and prayers, along the same lines of the above.

If the olosha has a pressing problem, or is going through a difficult situation of some sort, it is often advisable to speak to the orishas in the morning after rising, before brushing and washing up. In this situation, care must be taken to remain absolutely silent until the salutations and petitions with the orishas have taken place. It is important to be even-tempered when addressing the orishas in this fashion. It is believed that this is one of the most effective ways of bestowing blessings and also the most injurious way to curse an enemy.

The olosha’s obligations with his/her godparents and ojigbona

An olosha has various obligations with his or her iyá or babálorisha. These should not be exclusively religious, as among the most important elements in the relationship are the trust, affection and bonds of friendship that should occupy the pivotal position. As I often tell my colleagues, I am not as interested in the religious protocols as I am in establishing a solid relationship with my om’orisha that I first consider my friends and only then, my religious descendants. I stress that the relationship between iyá or babálorisha and om’orisha is one of fictitious kinship, but it cannot be a fictitious or hypocritical relationship if it is to succeed.

The olorisha is expected to comply with the godparent and ojigbona yearly, for each of their birthday celebrations, taking the customary ashedí: plate, coconuts, candles, and money. In addition, the olorisha must also comply with the elders before any of his or her own anniversaries, regardless of whether these are celebrated or not.

Whenever the godparent has a religious activity, the om’orishas have to be present and help with all the functions so that the activity is a successful one. The om’orisha will only receive as much as he or she reaps according to his/her behavior. The godparent does not have to cater to the om’orisha, but the godparent will always keep a mental tally of his/her om’orisha’s behavior and participation in the house’s activities, or lack thereof.

Endnotes

[1] Aborishas may also use this as a guide to salute their guerreros and/or other orishas these may have received. See note #8.

Extraído do meu livro “Didá Obí. . .Adivinación a Traves del Coco.” Carolina: El Impresor, 1980.
Traduzido por Ricardo Ferreira do Amaral, advogado, artista plástico e filho de Airá.

O esboço da seguinte mojubá, é um trecho extraído de um livro que publiquei em Puerto Rico, em 1980. Projetei a estrutura desta mojubá para o primeiro seminário oferecido pelo Templo Yoruba Omo Orisha de Puerto Rico, em 1980, onde lecionei. Desde então, a tenho usado em vários seminários em que lecionei, em Miami, Califórnia, Chicago e Michigan. Isto não significa que seja a mojubá definitiva, mas, basicamente um modelo que qualquer devoto, ordenado ou não, pode seguir de uma maneira com conteúdo.

Todo ato ou adoração da religião lukumi deve iniciar com a libação de água fresca, seguida pela invocação de louvor e oração conhecida como mojubá. Esta é a contração ioruba das palavras emi— eu, e ajubá— saudação. “Eu saúdo”.

Esta invocação é dividida em várias seções. A primeira delas, começa com uma saudação a Olodumaré, chamando-o por todos seus nomes de louvor, num ato que reconhece e paga tributo ao Criador Divino e à sua onipotência. Ainda que tido por uma divindade silenciosa e distante, na tradição lukumi, Olodumaré deve ser reverenciado em todos os rituais, eis que sem o Ser Supremo, nada poderia ser possível.

Depois de prestar homenagem a Olodumaré, pagamos tributo a dois ancestres que desempenham um importante papel no esquema da religião lukumi: Asedá (Ashedá) e Akodá, dois antepassados muito importantes que se acredita terem sido os dois primeiros discípulos de Olodumaré, a quem lhes foi confiada a disseminação das palavras sagradas de Olodumaré e dos orixás pelo mundo afora. Os Babalawôs acreditam que tenham sido os dois primeiros discípulos de Orúnmilá, que lhe ajudaram a divulgar Ifá, e sua sabedoria, a toda a humanidade. Foram os primeiros embaixadores da religião ioruba (e por extensão, também da religião lukumi).

Continuamos, prestando homenagem ao tempo. Reconhecemos o passado, o presente e o futuro como testemunhas indispensáveis da viagem de um minuto da humanidade, através dos domínios da existência. Fazendo isto, rogamos pela existência ininterrupta do mundo e da nossa espécie.

Seguidamente, pagamos tributo a nossa mãe e a nosso pai, iyátobí e babátobí, os dois indivíduos mais essenciais, sem os que, obviamente, não existiríamos. Os Lukumis são um povo muito orientado pela família e seus descendentes brindam grande importância e respeito aos seus progenitores, a quem adoram durante suas vidas e também após as suas mortes. De fato, nossos pais são tão sagrados quanto os orixás. Nos rituais de iniciação, o Obá Oriaté deverá prestar homenagem aos nossos pais em importantes intervalos, durante toda a cerimônia.

Homenageamos depois a ará— a terra, o corpo físico ou o planeta— e a ilé— o solo que pisamos, bem como a casa onde moramos. Tal como um silencioso observador, este planeta provê o necessário à nossa existência e é o receptor eventual de todas as nossas ações. Ilé nos dá vida e nos nutre através das nossas existências, pelo que, após termos morrido, teremos que nutrí-la com nossos corpos, que ela sustentou durante esses anos. Como é bem sabido, os Olorixás não podem ser cremados, mas, deverão retornar à terra donde fomos criados.

A segunda seção de uma mojubá consiste em saudações aos nossos antepassados. Na tradição lukumi, os ancestres são chamados de Egúngún ou Egún. Estes não devem ser confundidos com os Araorún (Araonú)— cidadãos do Céu, nem com Iwín­— almas errantes que vagueiam pela terra.

Egúngún são somente aqueles espíritos relacionados conosco por laços sanguíneos e através da nossa linhagem de orixás. Todos os demais são Araorún. Iwín são entidades negativas, comumente espíritos de pessoas que morreram antes do tempo devido, já seja porque cometeram suicídio, ou foram mortas por sortilégios ou bruxaria. Ainda que esta não seja uma prática habitual, há Olorixás que pagam tributo a guias espirituais em suas mojubás Isto é um erro. Essas entidades são reconhecidas de forma generalizada em um segmento particular da mojubá, e não devem ser incluídas entre os nossos Egún, simplesmente porque não são Egún. Araorún, tal como vimos, são reconhecidos na instância final do segundo segmento, quando dizemos: Mojubá gbogbowán olodó araorún, oluwó, iyaloshá, babaloshá, omó kolagbá Egún mbelése Olodumaré.

Os lukumis consideram seus antepassados tão importantes e sagrados quanto os orixás, e dignos do mesmo respeito. De fato, Egún complementa o orixá, tal como deixa claro o provérbio: ikú l’obí oshá— a morte é que dá nascimento ao orixá. Desafortunadamente, a razão para isto não pode ser revelada em um fórum de natureza pública. Neste estágio da mojubá, alguns antepassados são chamados para prestarem sua ajuda na apropriada execução das cerimônias levadas a cabo e para que ofereçam suporte e sabedoria em favor dos presentes. Depois de termos saudado os Egungún dos devotos, pagamos, então, tributo aos ancestres que acompanham nossa iyalorixá ou nosso babalorixá e a nossa ojigbona—assistente da iyalorixá ou do babalorixá durante nossa ordenação, e a todos os que acompanham os membros de nossa comunidade religiosa particular.

O terceiro e último passo consiste em uma oração para Olodumaré e para todas as outras entidades chamadas anteriormente para assegurar a boa existência do devoto, de seus entes queridos, e de todos os que estejam presentes, de maneira que nenhum contratempo possa afligi-los, pois isto não forma parte do destino que eles escolheram.

A Invocação

Mojuba Olofín, Mojuba Olorún, Mojuba Olodumare
Olorún Alabosudayé, Alabosunifé
Olorún Alayé, Olorún Elemí
Mojuba Ashedá, Mojuba Akodá
Mojuba ayaí odún, oní odún, odún olá
Mojuba babá, Mojuba yeyé
Mojuba ará, Mojuba ilé
Mojuba gbogbowán olodó araorún, oluwó, iyalosha, babalosha, omó kolagbá Egún mbelése Olodumare
Araorún, ibá é layén t’orún “mais ou menos,” (ao que os presentes respondem) ibá é
[Nomes de todos os Egún] ibá é
[Conhecidos pelo Olorixá] ibá é
ibá é, etc…

Depois de saudar a todos os antepassados conhecidos e reverenciados de acordo com a tradição da linhagem do Olorixá, o sacerdote ou a sacerdotisa diz:

Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí emí naní [Nosso nome é mencionado em reverência a nossos antepassados]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí iyalorisha emí [aqueles que acompanham nossos iyalorixá ou babalorixá]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí Ojigbona emí [O sacerdote ou a sacerdotisa que serve como nosso/a Ojigbona]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí ni gbogbó igboro kalé ilé [Todos aqueles que estão presentes]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún, gbogbowán olodó, lagbá lagbá, Araorún, otokú timbelayé, mbelése Olorún, Olodumare.

Kinkamashé [Iyalorixá ou Babalorixá]
Kinkamashé [Ojigbona]
Kinkamashé [Oriaté]
Kinkamashé [Babalawó , quando aplicável]
Kinkamashé [Todos os Olorixás vivos da nossa linhagem que queiramos saudar ou orar por eles]
Kinkamashé Orí‑Eledá emí naní [Você]
Kinkamashé gbogbó kalenú, igboró, aburó, ashíre, Oluwó, Iyalosha, Babalosha, kale ilé.

Significado das palavras usadas nesta Mojubá

Mojuba: Saúdo ou presto homenagem ao
Olofín: Dono do palácio
Olorún: Dono do Céu
Olodumare: Dono da vasta expansão do universo
Alabosudayé: Protetor que tudo abraça na terra
Alabosunifé: Protetor que tudo abraça na cidade de Ifé.
Alayé: O vivente (Deus)
Elemí: Dono do fôlego
Ashedá e Akodá: Mensageiros sagrados
Ayaí odún: Os dias que se foram; o passado
Oní odún: Os dias que são; o presente
Odún olá: Os dias que virão; o futuro
Babá: Pai
Iyá: Mãe
Yeyé: Mamãe
Ará: Corpo; o planeta
Ilé: O solo que pisamos; a casa onde moramos
Gbogbowán olodó: Aqueles que já partiram do nosso caminho e moram à beira do rio (Olorixás falecidos)
Araorún (Araonú): Cidadãos do Céu
Oluwó: Sacerdote de Ifá
Iyalosha: Mãe-de-santo; sacerdotisa
Babalosha: Pai-de-santo; sacerdote
Omó kolagbá: Alto sacerdote, dotado e versado em todos os aspectos da religião
Mbelesé: Aos pés de
Ibá é layén t’orún (t’orún): Aqueles que partiram da Terra para o Céu (orún reré)
Alagbá lagbá: Todos os maiores, presentes ou não (literalmente: o mais antigo dentre os antigos)
Otokú: Aquele/a que morreu
Timbelayé: Firmemente no outro mundo
Kinkamashé: Não deixe nada (negativo) acontecer para
Ojigbona: Assistente da Iyalorixá ou do Babalorixá numa iniciação
Oriaté: O/a alto/a sacerdote ou sacerdotisa que realiza as cerimônias de ordenação
Emí naní: Eu; eu mesmo
Gbogbó kalenú: Todos aqueles presentes na casa
Igboro: Visitantes
Aburo: Irmão ou irmã
Ashiré: Filhos- de- santo; montaria ou cavalo dos Orixás (pessoa que é possuída por um orixá)
Kalé ilé: Todos aqueles que estão na casa.

Antepassados renomados que devem ser invocados na mojubá de cada um

O primeiro grupo são pioneiros vagamente relembrados, que vieram a Cuba nos começos do Século XIX. Virtualmente, absolutamente nada é conhecido acerca daqueles Olorixás, a não ser que a maioria deles, esteve associada ao Cabildo San José 80.

Gbangboshé Awapitikó
Malaké la grande
Malaké la Chiquita
Dadá
Kaindé
Adeú
Tawadé
Odé Waro
Ña Inés, Yenyé T’Olokún
Teresita Ariosa, Oñí Osun (ainda que algumas fontes digam que se chamava Oshún Funké ou Oshún Kayodé)
Omó Delé
Obankolé
Adufé

Ainda que alguns dos Olorixás do segundo grupo sejam tão enigmáticos quanto os do primeiro, são lembrados melhor, por terem estado em atividade durante o final do Século XIX e no início do Século XX.

Ña Rosalía, Efunshé Warikondó
Progenitora da nação Egbado , Omó Oshosi. No último quarto do Século XIX, Efunshé pode ter introduzido a cerimônia centralizada em La Habana para as adoshú e que ainda é praticada, sendo eventualmente disseminada pela ilha.

Ma Monserrate González, Obá Tero
Progenitora da nação Egbado, Oní Shangó. Obá Tero é a fonte de muitos orixás Egbado em Cuba: Olokún, Oduduwá, Boromú, Yewá, e outros. Sua linhagem está muito bem enraizada em Matanzas.

Fermina Gómez, Oshabí
Ordenada por Ma Monserrate González, Oshabí tornou-se conhecida como a fonte mais reputada dos orixás Egbado em Cuba, tais como Olokún, Yewá e Oduduwá, até o seu falecimento, em 1950. Herdou este conhecimento de sai iyalorixá, Obá Tero.

Arabia Oviedo
Sacerdotisa de Oyó, que fundou uma linhagem na localidade de Pueblo Nuevo, em Matanzas. Sua linhagem, provavelmente seja a segunda mais numerosa em Matanzas.

Timotea “Latuán” Albear, Ajayí Lewú
Oní Shangó e uma das primeiras Obás Oriatés. Instruiu Octavio Samá, Obadimejí.

Ña Belén González, Apóto
Fundadora da linhagem comumente referida como “la pimienta”— a pimenta. Não está claro se foi uma Oló Oshún ou uma Oní Yemojá. Foi ordenada em Cuba por uma iyalorixá conhecida por Teresita Oshún Funké, provavelmente a mesma Teresita Ariosa. Uma fonte diz que foi ordenada por La China Silvestre, Oshún Miwá, e outros dizem que Apóto foi a única que ordenou Oshún Miwá.

Ña Margarita Armenteros, Ainá Yobo
Fundadora de outra importante linhagem em La Habana. Tibursia Sotolongo, Oshún Mewá e o Obá Oriaté Abelardo Bequé (Becker), Oñí Osun (filho-de-santo de Tibursia) descendem de Ainá Yobo.

Ño Filomeno García, Atandá
Babalawô, onilú— tocador de tambor — e abegí — entalhador, junto com Añabí, talharam os primeiros tambores batá ortodoxos fabricados em Cuba. A Atandá também lhe é reputado o entalhe das máscaras (possivelmente Geledé) de Olokún, usadas no Século XIX, na cidade de Regla, Cuba, para dançar em homenagem a este orixá.

Ño Juan “el cojo,” Añabí
Babalawô, onilú— tocador de tambor — e abegí — entalhador, junto com Atandá, talharam os primeiros tambores batá ortodoxos fabricados em Cuba.

Ño Remigio Herrera, Adeshiná
Provavelmente um dos primeiros Babalawôs a chegar na ilha, perto de 1830 e pode ter tido alguma participação nas cerimônias de criação dos primeiros tambores batá, em Cuba, por Atandá e Añabí. Ainda que tenha ingressado em Cuba através de Matanzas, onde viveu por alguns anos, também era bem conhecido em Regla, onde passou seus últimos 35 anos na ilha, fundando o Cabildo Yemayá, que depois foi herdado por sua filha Josefa “Pepa” Herrera, Eshúbí.

Octavio Samá, Obadimejí
O primeiro Obá Oriaté masculino nascido em Cuba, discípulo de Latuán. Obadimejí foi ordenado por duas vezes, primeiro para Oshún, em sua localidade natal, Sabanillas, e depois para Aganjú, quando chegou em La Habana, no final do Século XIX. Latuán e Efunshé recusaram-se a acreditar que já tinha sido ordenado e exigiram que passasse pelo ritual de ordenação novamente. No itá, descobriram que efetivamente já tinha sido ordenado. Daí seu nome: “o rei transforma-se em dois” (ou como é interpretado em Cuba: “ aquele que foi coroado por duas vezes”).

José Roche, Oshún Kayodé
Ordenado em 1896 por Tranquilina Balmaseda, Omí Saya, uma religiosa descendente de Efunshé. Oshún Kayodé provavelmente, foi o segundo Oriaté masculino, parcialmente instruído por Latuán.

Calixta Morales, Odé Deí
Algumas fontes acreditam que era filha de Efunshé. Outras, dizem que eram apenas boas amigas. Lydia Cabrera chamou-a “a última grande apuón feminina”. Provavelmente tenha sido a primeira Olorixá de Oshosi ordenada em Cuba.

Josefa “Pepa” Herrera, Eshúbí
Filha de Adeshina e possivelmente, a primeira Olorixá ordenada para Elegbá em Cuba. Ña Inés, Yenyé T’Olokún e Ma Monserrate González, Obá Tero, foram as únicas ordenadas por ela no último quarto do Século XIX. È mais recordada pelas procissões do seu Cabildo, que ela organizava anualmente na cidade de Regla, para honrar Yemojá e Oshún

Tata Gaytán, Ogundá’fún
Foi um famoso Babalawô, morto em 1945 e provavelmente o primeiro a ser ordenado em Cuba, por Adeshina, no final do Século XIX. Mais conhecido por ter sido o primeiro Babalawô a consagrar Olokún para outros Babalawôs no início do Século XX.

Aurora Lamar, Obá Tolá
Até a Revolução Cubana, Aurora Lamar foi, provavelmente, a mais prolífica Iyalorixá em Cuba, tendo ordenado ao redor de 2000 pessoas. Introduziu a religião em Santiago de Cuba nos anos 40. Sua linhagem, provavelmente seja a mais estendida atualmente.

Tomás Romero, Ewín Letí
Tomás Romero foi o único discípulo de Obadimejí. Foi um dos mais populares Oriatés, depois da morte de seu mentor.

Nicolás Valentin Angarica, Obá Tolá
Obá Tolá foi ordenado por Obadimejí em 1941, sendo seu aprendiz até a morte de seu Babalorixá, em 1944. Ainda que tenha trabalhado com seu Babalorixá por um período de tempo muito curto, trouxe a La Habana o conhecimento que tinha obtido em sua família, em sua localidade nativa, Carlos Rojas, em Matanzas. Era descendente de uma longa estirpe de Olorixás. È mais relembrado por ter escrito o primeiro livro sobre a religião lukumi, publicado em Cuba nos anos 50: “El Lucumí al Alcance de Todos”.

Lamberto Samá, Ogún Toyé
Um dos dois mais importantes Oriatés que sucederam à geração de Tomás Romero.

Os seguintes, são importantes Egún da Diáspora Cubano-Lukumi.

Mercedes Noble, Oban Yoko
A primeira Olorixá a realizar uma ordenação completa na cidade de New York, em 1964.

Laura Noble, Omí Lefún
A primeira Olorixá a realizar uma ordenação completa em Miami, em 1964.

Orestes Blanco, Oshún Wé
Junto com Viki Gómez, Osha Inle (ainda viva), Oshún Wé foi Oriaté na primeira ordenação realizada nos Estados Unidos, em 1964

Chris Oliana, Obá Ilú Mí
O primeiro negro estado-unidense a viajar a Cuba para conhecer a religião lukumi, na década de 50. Foi ordenado por um filho-de-santo da falecida Fermina Gómez, Oshabí

Pancho Mora, Ifá Morote
O primeiro Babalawô nos Estados Unidos e possivelmente, um dos primeiros Olorixás a fixar residência neste país, no Século XX.

Apolinar González, Oshaweyé
Oshaweyé foi um dos Oriatés mais importantes durante os anos de formação da religião nos Estados Unidos. Faleceu em Los Angeles, em 1980.

Asunta Serrano, Osá’unkó
Osá’unkó foi, provavelmente, uma das primeiras porto-riquenhas a serem ordenadas na religião lukumi. Foi iniciada em Cuba, no final dos anos 50, por Olga Morales, Oshún Funké, uma descendente de Aurora Lamar. Foi uma das primeiras pioneiras em New York City e uma das primeiras lukumis a viajar à Iorubalândia, depois de 1959.

Extraído de mi libro “Didá Obí. . .Adivinación a Través del Coco.”
Traducido por: Juan “Adejola” Olivera, Olorisha Omosangiyan.Artista plástico: Escultor
Carolina: El Impresor, 1980.

El esbozo de la siguiente mojubá, es un trozo extraído de un libro que publiqué en Puerto Rico, en 1980. Proyecté una estructura de esta mojubá para el primer seminario ofrecido por el Templo Yoruba Omo Orisha de Puerto Rico, en 1980, donde diserté. Desde entonces, la he venido usando en varios seminarios donde he disertado; Miami, California, Chicago y Michigan. Esto no significa que sea la mojubá definitiva. Es básicamente un modelo que cualquier devoto, ordenado o no, puede seguir de una forma estructurada con contenido.

Todo acto o adoración de la religión lukumi debe iniciarse con una libación de agua fresca, seguida por la invocación de homenaje, la oración conocida como mojubá. Esta es la contracción Yoruba de las palabras emi— yo, y ajuba—saludo. “Yo saludo.”

Esta invocación es dividida en varias secciones. La primera de ellas, comienza con un saludo a Olodumare, llamándolo por todos sus nombres de homenaje, en un acto de reconocimiento y tributo al Creador Divino y a su Omnipotencia. pesar que se tiene por una divinidad silenciosa y distante, en la tradición lukumi, Olodumaré debe ser reverenciado en todos los rituales, ya que sin el Sr. Supremo nada podría ser posible.

Después de prestar homenaje a Olodumaré, pagamos tributo a dos ancestros que desempeñan un importante papel dentro del esquema de la religión Lukumí: . These are Asedá (Ashedá) and Akodá, dos antepasados muy importantes; que se cree habrían sido los dos primeros discípulos de Olodumaré, a quien le fue confiada la diseminación de las palabras sagradas de Olodumaré y de los orishas por todo el mundo. LosBabalawos creen que habrían sido los primeros discípulos de Orúnmilá que le ayudarán a divulgar Ifá y su sabiduría, a toda la humanidad. Fueron los primeros embajadores de la religión Yoruba (y por extensión la religión lukumi).

Continuamos, prestando homenaje al tiempo. econocemos el pasado, el presente, y el futuro como testigos indispensables del viaje de un minuto de la humanidad, a través de los dominios de la existencia. Haciendo esto rogamos por la existencia ininterrumpida del mundo y de nuestra especie.

Seguidamente, prestamos tributo a nuestra madre y nuestro padre, iyátobí y babátobí, los dos individuos más esenciales, sin los que, obviamente, no existiríamos. Los Lukumies son un pueblo muy orientado por la familia, y sus descendientes dan gran importancia y respeto a sus progenitores, a quienes adoran durante sus vidas; y también después de la muerte. De hecho nuestros padres son tan sagrados tanto como los orishas. En los rituales de iniciación, el Obá Oriaté deberá prestar homenaje a nuestros padres en importantes intervalos, durante la ceremonia.

Homenajeamos después a ará— la Tierra; el cuerpo físico del planeta— y a ilé— el suelo que pisamos, bien como la casa donde vivimos. Tal como un silencioso observador, este planeta provee de lo necesario a nuestra existencia y él es el receptor eventual de todas nuestras acciones. Ilé nos da vida y nos nutre a lo largo de nuestra existencia, por lo que, después de morir, tenemos que nutrirla con nuestros cuerpos, que ella sustentó durante todos estos años. Como es bien sabido los olorishas no pueden ser quemados, deberán retornar a la tierra que los creó.

La segunda sección de una mojubá consiste en saludos a nuestros antepasados. En la tradición Lukumi los ancestros se les llama Egúngún o Egún. Estos no deben ser confundidos con los Araorún (Araonú)— ciudadanos del Cielo, ni con los Iwín¬— almas errantes que vagan por la Tierra. Egúngún son solamente aquellos espíritus relacionados con nosotros por lazos sanguíneos o a través de nuestro linaje de orisha. Todos los demás son Araorún. Iwín son entidades negativas, comúnmente espíritus de personas que murieron antes del tiempo debido; ya sea, porque cometieron suicidio o fueron muertas por sortilegios o brujerías. Aunque esta no sea una práctica habitual existen algunos/as olorishas que dan tributo a guías espirituales en sus mojubás. Esto es un error. Esas entidades son reconocidas en forma general en un segmento particular de la mojubá, y no deben ser incluidas dentro de nuestros Egún, simplemente porque no son Egún. Araorún, tal como vimos, son reconocidos en la etapa final del segundo segmento, cuando decimos: Mojubá gbogbowán olodó araorún, oluwó, iyaloshá, babaloshá, omó kolagbá Egún mbelése Olodumaré.

Los lukumí consideran sus antepasados tan importantes y sagrados tanto como los orishas, y dignos del mismo respeto. De hecho, Egún complementa el orisha, tal como queda claro en el proverbio: ikú l’obí osha—de la muerte nace el orisha. Desafortunadamente, la explicación de este proverbio no puede ser revelada en un foro público. En este estadio de la mojubá, algunos antepasados son llamados para que presten su ayuda en la apropiada ejecución de las ceremonias llevadas a cabo y para que ofrezcan apoyo y sapiencia en favor de los presentes. Después que tengamos saludado los Egungún de los devotos, honramos, entonces, a los ancestros que acompañan a nuestra iyalorisha o nuestro babalorisha y a nuestra ojigbona—asistente de la iyalorisha o babalorisha durante nuestra ordenación, y a todos los que acompañan a los miembros de nuestra comunidad religiosa en particular.

TEl tercer y último paso consistente en una oración para Olodumaré y para todas las otras entidades llamadas anteriormente para asegurar la buena existencia del devoto, de sus entes queridos, y de todos los que estén presentes, de manera que ningún contratiempo pueda afligirlos, puesto que no forma parte del destino que ellos escogieron.

La Invocación

Mojuba Olofín, Mojuba Olorún, Mojuba Olodumare
Olorún Alabosudayé, Alabosunifé
Olorún Alayé, Olorún Elemí
Mojuba Ashedá, Mojuba Akodá
Mojuba ayaí odún, oní odún, odún olá
Mojuba babá, Mojuba yeyé
Mojuba ará, Mojuba ilé
Mojuba gbogbowán olodó araorún, oluwó, iyalosha, babalosha, omó kolagbá Egún mbelése Olodumare
Araorún, ibá é layén t’orún “so‑and‑so,” (a lo que los presentes responden) ibá é
Nombres de todos los Egún ibá é
ibá é
Conocidos por el Olorisha ibá é
ibá é, etc…

Después de saludar a todos los antepasados conocidos y reverenciados de acuerdo con la tradición del linaje del Olorisha, el sacerdote o la sacerdotisa dice:

Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí emí naní [Nuestro nombre es mencionado en reverencia a nuestros antepasados]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí iyalorisha emí [aquellos que acompañan a nuestro babalorisha o iyalorisha]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí Ojigbona emí [El sacerdote o sacerdotisa que sirve como nuestro/a Ojigbona]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí ni gbogbó igboro kalé ilé [Todos aquellos que están presentes]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún, gbogbowán olodó, lagbá lagbá, Araorún, otokú timbelayé, mbelése Olorún, Olodumare.

Kinkamashé [Iyálorisha o Babálorisha]
Kinkamashé [Ojigbona]
Kinkamashé [Oriaté]
Kinkamashé [(Babalawó, si aplica]
Kinkamashé [Todos os olorishas vivos de nuestro linaje que quiéramos saludar u orar por ellos]
Kinkamashé Orí‑Eledá emí naní [Uno mismo]
Kinkamashé gbogbó kalenú, igboró, aburó, ashíre, Oluwó, Iyalosha, Babalosha, kale ilé.

Significado de las palabras usadas en esta mojubá

Mojuba: Saludo o presto homenaje a
Olofín: Dueño del palacio
Olorún: Dueño del Cielo
Olodumare: Dueño de la basta expansión del universo
Alabosudayé: Protector que todo abarca en la Tierra
Alabosunifé: All-embracing protector of the town of Ifé
Alayé: The living one (God)
Elemí: Owner of the breath
Ashedá & Akodá: Holy messengers
Ayaí odún: The days that were; the past
Oní odún: The days that are; the present
Odún olá: The days that will be; the future
Babá: Father
Iyá: Mother
Yeyé: Mommy
Ará: Body; the planet
Ilé: The soil we thread upon; the house we’re in
Gbogbowán olodó: Those who have departed from our path and are living at the river’s edge (deceased Olorishas)
Araorún (Araonú): Citizen of heaven
Oluwó: Ifá priest
Iyalosha: Mother in orisha; priestess
Babalosha: Father in orisha; priest
Omó kolagbá: High priest, endowed and knowledgeable in all aspects of the religion
Mbelesé: At the foot of
Ibá é layén t’orún (t’orún): Those that have departed to the land in heaven (orún reré)
Alagbá lagbá: All elders, present and not. (lit. an elder among elders)
Otokú: He/she who has died
Timbelayé: Firmly in the other world
Kinkamashé: Let nothing (negative) happen to
Ojigbona: Assistant to the initiating Iyá or Babálorisha
Oriaté: The high priest/ess who performs the ordination ceremonies
Emí naní: I; myself
Gbogbó kalenú: All those present in the house
Igboro: Visitors
Aburo: Brother or sister
Ashiré: Children; mount or horse of the Orishas (person who is possessed by an Orisha)
Kalé ilé: All those who are in the house

Antepasados renombrados que deben ser invocados en nuestras mojubás

El primer grupo son pioneros vagamente recordados, y que llegaron a Cuba en los comienzos del siglo XIX. Virtualmente, absolutamente nada es conocido acerca de aquellos olorishas, a no ser que la mayoría de ellos hubiese estado asociada al Cabildo San José 80.

Gbangboshé Awapitikó
Malaké la grande
Malaké la Chiquita
Dadá
Kaindé
Adeú
Tawadé
Odé Waro
Ña Inés, Yenyé T’Olokún
Teresita Ariosa, Oñí Osun (a pesar de que algunas fuentes digan que se llamaba Oshún Funké u Oshún Kayodé)
Omó Delé
Obankolé
Adufé

A pesar de que algunos de los olorishas del segundo grupo sean más enigmáticos que los primeros, son mejor recordados, por sus actividades durante el final del siglo XIX y a los comienzos del siglo XX.

Ña Rosalía, Efunshé Warikondó
Progenitora de la nación Egbado, Omó Oshosi. IEn el último cuarto del siglo XIX, Efunshé puede haber introducido la ceremonia Habana-céntrica del adoshú y que todavía es practicada, la cual eventualmente fue diseminada por toda la isla.

Ma Monserrate González, Obá Tero
Progenitora de la nación Egbado, Oní Shangó. OObá Tero es la fuente de muchos orishas Egbado en Cuba: Olokún, Oduduwá, Boromú, Yewá, y otros. Su linaje está muy bien enraizado en Matanzas.

Fermina Gómez, Oshabí
Ordenada por Ma Monserrate González, luego de la muerte de esta, Oshabí fue conocida como la fuente de mayor reputación de los orishas Egbado en Cuba, tales como Olokún, Yewá y Oduduwá, hasta su fallecimiento en 1950. Heredó su conocimiento a la iyalorisha, Obá Tero.

Arabia Oviedo
Sacerdotisa de Oyó, que fundó un linaje en la localidad de Pueblo Nuevo, en Matanzas. Su linaje, probablemente sea el segundo más numeroso en Matanzas.

Timotea “Latuán” Albear, Ajayí Lewú
Oní Shangó es una de las primeras Obá Oriaté cubanas. Instruyó a Octavio Samá, Obadimejí.

Ña Belén González, Apóto
Fundadora del linaje comúnmente conocido como “la pimienta”. INo está claro si fue Oló Oshún u Oní Yemojá. Fue ordenada en Cuba por una iyalorisha conocida como Teresita Oshún Funké, probablemente la misma Teresita Ariosa. Una fuente dice que fue ordenada por La China Silvestre, Oshún Miwá, mientras otras dicen que Apóto fue la que ordenó a Oshún Miwá.

Ña Margarita Armenteros, Ainá Yobo
Fundadora de otro importante linaje en La Habana. Tibursia Sotolongo, Oshún Mewá y el Obá Oriaté Abelardo Bequé (Becker), Oñí Oshun (omorisha de Tibursia) descienden de Ainá Yobo.

Ño Filomeno García, Atandá
Babalawo, onilú— tocador de tambor — y abegí — tallador, junto con Añabí, tallaron los primeros tambores batá ortodoxos fabricados en Cuba. Atandá también cuenta con la reputación de haber tallado las máscaras (posiblemente Geledé) de Olokún, usadas en el siglo XIX, en la ciudad de Regla, Cuba, para danzar en homenaje a este orisha.

Ño Juan “el cojo,” Añabí
Babalawo, onilú— tocador de tambor — y abegí — tallador, junto con Atandá, tallaron los primeros tambores batá ortodoxos en Cuba.

Ño Remigio Herrera, Adeshiná
Probablemente uno de los primeros babalawos en llegar a la isla, cerca de 1830, y probablemente tubo alguna participación en las ceremonias de creación de los primeros tambores batá en Cuba, por Atandá y Añabí. A pesar de haber ingresado a Cuba a través de Matanzas, donde vivió por algunos años, también era bien conocido en la ciudad de Regla, donde pasó sus últimos 35 años en la isla, fundando el Cabildo Yemajá, que después fue heredado por su hija Josefa “Pepa” Herrera, Eshúbí.

Octavio Samá, Obadimejí
TEl primer obá oriaté masculino; nacido en Cuba y discípulo de Latuán. Obadimejí fue ordenado dos veces: primero a Oshún, en su localidad natal, Sabanillas, y después a Aganjú, cuando llegó a La Habana, a finales del siglo XIX. Latuán y Efunshé se negaron a creer que ya estuviese ordenado y exigieron que pasase de nuevo por el ritual de ordenación. En el itá, descubrieron que se en sí había sido ordenado por segunda vez y de allí su nombre “el rey se transformó en dos” (o como se interpreta en Cuba: “aquel que fue coronado dos veces”).

José Roche, Oshún Kayodé
Ordenado en 1896 por Tranquilina Balmaseda, Omí Saya, una religiosa descendiente de Efunshé. Oshún Kayodé probablemente, fue el segundo oriaté masculino, parcialmente instruido por Latuán.

Calixta Morales, Odé Deí
Algunas fuentes creen que era hija de Efunshé. Otras dicen que eran apenas buenas amigas. Lydia Cabrera la llamó “la última gran apuón femenina”. Probablemente fue la primera olorisha de Oshosi ordenada en Cuba.

Josefa “Pepa” Herrera, Eshúbí
Hija de Adeshina y posiblemente, la primera Olorisha ordenada para Elegbá en Cuba. Doña Inés, Yenyé T’Olokún y Ma Monserrate González, Obá Tero, fueron sus madrinas en el último cuarto del siglo XIX. Pepa es más recordada por las procesiones de su Cabildo, que ella organizaba anualmente en la ciudad de Regla, para honrar a Yemojá y Oshún.

Tata Gaytán, Ogundá’fún
Fue un famoso babalawo, muerto en 1945 y probablemente el primero en ser ordenado en Cuba. Adeshina por Adeshina, al final del siglo XIX. Más conocido por haber heredado Olokún de su abuela Yenyé T’Olokún y de ahí, pasó a ser el primer babalawo en consagrar a Olokún para otros babalawos en el inicio del siglo XX.

Aurora Lamar, Obá Tolá
Hasta la revolución Cubana, Aurora Lamar fue, probablemente, la más prolífica de las iyalorishas de Cuba, habiendo ordenado alrededor de 2000 personas. Introdujo la religión en Santiago de Cuba en los años 40. Su linaje, probablemente sea el más extendido actualmente.

Tomás Romero, Ewín Letí
Tomás Romero fue el único discípulo oficial de Obadimejí. Fue uno de los más populares oriatés, después de la muerte de su mentor.

Nicolás Valentin Angarica, Obá Tolá
Obá Tolá fue ordenado por Obadimejí en 1941, siendo su aprendiz hasta la muerte de su babalorisha en 1944. A pesar de haber trabajado con su babalorisha un período de tiempo muy corto, trajo a La Habana el conocimiento que había obtenido en su familia, en su localidad nativa, Carlos Rojas, en Matanzas. Era descendiente de una larga estirpe de olorishas. Es más recordado por haber escrito el primer libro sobre la religión Lukumi, publicado en Cuba en los años 50: “El Lucumí al Alcance de Todos”.

Lamberto Samá, Ogún Toyé
Uno de los dos más importantes oriatés que sucedieron a la generación de Tomás Romero.

Los siguientes, son importantes Egún de la Diáspora Cubano-Lukumi.

Mercedes Noble, Oban Yoko
La primera olorisha en realizar una ordenación completa en la ciudad de New York, en 1964.

Laura Noble, Omí Lefún
La primera olorisha en realizar una ordenación completa en la ciudad de Miami, en 1964.

Orestes Blanco, Oshún Wé
Junto con Viki Gómez, Osha Inle (todavía vivo), Oshún Wé fue el oriaté en la primera ordenación realizada en los Estados Unidos, en 1964.

Chris Oliana, Obá Ilú Mí
El primer afro-americano en viajar a Cuba para conocer la religión lukumí, en la década del 50. Fue ordenado pro un omorisha de Fermina Gómez, Oshabí.

Pancho Mora, Ifá Morote
El primer babalawo en los Estados Unidos y posiblemente, uno de los primeros olorishas en tomar como residencia este país, en el siglo XX. Era omó de Yemojá pero no fue iniciado en osha; sólo en Ifá.

Apolinar González, Oshaweyé
Oshaweyé fue uno de los dos oriatés más importantes durante los años de formación de la religión en los Estados Unidos. Falleció en Los Ángeles, en 1980.

Asunta Serrano, Osá’unkó
Osá’unkó fue, probablemente, una de las primeras puertorriqueñas en ser ordenada en la religión lukumí. Fue iniciada en Cuba, al final de los años 50, por Olga Morales, Oshún Funké, una descendiente de Aurora Lamar. Osá’unkó una de las pioneras en New York y una de las primeras lukumies en viajar a Yorubalandia, después de 1959.

Excerpt from my book “Didá Obí. . .Adivinación a Traves del Coco.” Carolina: El Impresor, 1980.

The mojuba outline that follows is an excerpt from a book I published in Puerto Rico in 1980. I designed the structure of this mojuba for the first seminar offered by the Templo Yoruba Omo Orisha de Puerto Rico, in 1980, which I taught. Since then, I have used it in various seminars I have taught in Miami, California, Chicago and Michigan. This is not meant to be the definitive mojuba, but basically a pattern that any devotee, ordained or not, can follow in a meaningful manner.

Every act of worship or devotion in Lukumí religion must start with a libation of fresh water followed by an invocation of praise and prayer known as a mojuba. The word comes from the Yoruba emi— I; and ajuba—salute. “I salute.”

This invocation is divided into various sections. The first of these sections starts with a salutation to Olodumare, calling Him/Her by all His/Her praise names, in an act that acknowledges and pays tribute to the Divine Creator and His/Her Omnipotence. Though often cited as a silent and distant Deity, in Lukumí tradition Olodumaré must be revered in all rituals for without the Supreme Being, nothing would be possible.

After paying homage to Olodumaré, we pay tribute to two ancestors that play a major role in the scheme of Lukumí religion. These are Asedá (Ashedá) and Akodá, two important ancestors believed to be the first two disciples of Olodumaré, entrusted with dispersing the sacred word of Olodumaré and the orishas throughout the world. Babalawos believe them to be the first two disciples of Orúnmilá who helped him disseminate Ifá and its wisdom to all humankind. They were the first religious ambassadors of Yoruba (and by extension Lukumí) religion.

We continue by paying homage to time. We acknowledge the past, the present, and the future, the indispensable witnesses of humankind’s minute voyage through the realm of existence. In so doing, we pray for the continued existence of the world and our species.

Next, we pay tribute to our mother and father, iyátobí and babátobí, the two most essential individuals without which we would obviously not exist. A very family oriented people, the Lukumí and their descendents lend great importance and respect to their progenitors whom they adore during their lifetime and continue to adore even after they are dead. In fact, one’s parents are as sacred as any orisha. In the initiation rituals, the Obá Oriaté must pay homage to our parents at important intervals during the ceremony.

We then pay homage to ará—the earth; the physical body or planet—and ilé—the soil we step on as well as the house we live in. As a silent overseer, this planet provides for our existence and is the eventual receptor of all our actions. Ilé gives us life, nurtures us through the length of our existence, and upon our death we must in turn nourish her with the body she sustained during these years. As is well known, the Olorisha cannot be cremated, but must return to the earth that which she provided us.

The second section of a mojuba consists of salutations to our ancestors. In the Lukumí tradition, the ancestors are called Egúngún or Egún. These are not to be confused with Araorún (Araonú)—citizens of heaven; and Iwín­—vagrant souls that roam the earth. Egúngún are solely those spirits that are related to us by blood and through our orisha lineage. All others are Araorún. Iwín are negative entities, usually spirits of people who have died before their due time, either by suicide or through the influence of witchcraft or sorcery. Though it is not orthodox practice, there are Olorishas who pay tribute in their mojubas to spiritual guides. This is an error. These entities are recognized in a particular and generalized segment of the mojubá, and should not be included among our Egún because they simply are not Egún. Araorún, as will be seen, are acknowledged in the final stanza of the second segment when we say: Mojuba gbogbowán olodó araorún, oluwó, iyalosha, babalosha, omó kolagbá Egún mbelése Olodumare

The Lukumí consider the ancestors as important and as sacred as the orisha, and worthy of the same respect. In fact, Egún complements orisha as is clear from the proverb ikú l’obí osha—it is death that gives birth to the orisha. Unfortunately, the reason for this cannot be revealed in a public forum of this nature. At this stage in the mojuba, ones ancestors are called so they may help in the proper execution of the ceremonies to take place and offer their support and wisdom for the benefit of the present. After having saluted the devotee’s Egungún, we then pay trinbute to those ancestors that accompany ones iyalorisha—godmother; babálorisha—godfather; ojigbona—assistant to the iyá or babálorisha for ones ordination, and of all those present within the household.

The third and final stage consists of a prayer to Olodumaré and all the other entities we called before so they may ensure the well being of the devotee, of his/her loved ones, and of all those who may be present. Prayers are said so that no harm will come to any of the present, and so that no misfortune afflicts them that are not within their chosen destiny.

The Invocation

Mojuba Olofín, Mojuba Olorún, Mojuba Olodumare
Olorún Alabosudayé, Alabosunifé
Olorún Alayé, Olorún Elemí
Mojuba Ashedá, Mojuba Akodá
Mojuba ayaí odún, oní odún, odún olá
Mojuba babá, Mojuba yeyé
Mojuba ará, Mojuba ilé
Mojuba gbogbowán olodó araorún, oluwó, iyalosha, babalosha, omó kolagbá Egún mbelése Olodumare
Araorún, ibá é layén t’orún [so‑and‑so] *to which the present respond* ibá é
[Names of all the Egún] ibá é
[Known by the Olosha] ibá é
etc…

After saluting all the ancestors known or reverenced according to the tradition or the Olorisha’s lineage, the priest/ess says:

Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí emí naní [One’s own name is mentioned in reverence to one’s ancestors]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí iyalorisha emí [those that accompany ones iyalorisha or babálorisha]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí Ojigbona emí [The priest or priestess who served as your Ojigbona]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún araorún orí ni gbogbó igboro kalé ilé [Of all those who are present]
Ibá é layén t’orún gbogbó Egún, gbogbowán olodó, lagbá lagbá, Araorún, otokú timbelayé, mbelése Olorún, Olodumare.

Kinkamashé [Iyálorisha or Babálorisha]
Kinkamashé [Ojigbona]
Kinkamashé [Oriaté]
Kinkamashé [Babalawó if applicable]
Kinkamashé [Whatever living Olorishas from your lineage you may want to salute of pray for]
Kinkamashé Orí‑Eledá emí naní [You]
Kinkamashé gbogbó kalenú, igboró, aburó, ashíre, Oluwó, Iyalosha, Babalosha, kale ilé.

Meaning of the words used in this Mojuba

Mojuba: I salute or I pay homage to
Olofín: Owner of the palace
Olorún: Owner of the sky
Olodumare: Owner of the vast expanse of the universe
Alabosudayé: All-embracing protector of the earth
Alabosunifé: All-embracing protector of the town of Ifé
Alayé: The living one (God)
Elemí: Owner of the breath
Ashedá & Akodá: Holy messengers
Ayaí odún: The days that were; the past
Oní odún: The days that are; the present
Odún olá: The days that will be; the future
Babá: Father
Iyá: Mother
Yeyé: Mommy
Ará: Body; the planet
Ilé: The soil we thread upon; the house we’re in
Gbogbowán olodó: Those who have departed from our path and are living at the river’s edge (deceased Olorishas)
Araorún (Araonú): Citizen of heaven
Oluwó: Ifá priest
Iyalosha: Mother in orisha; priestess
Babalosha: Father in orisha; priest
Omó kolagbá: High priest, endowed and knowledgeable in all aspects of the religion
Mbelesé: At the foot of
Ibá é layén t’orún (t’orún): Those that have departed to the land in heaven (orún reré)
Alagbá lagbá: All elders, present and not. (lit. an elder among elders)
Otokú: He/she who has died
Timbelayé: Firmly in the other world
Kinkamashé: Let nothing (negative) happen to
Ojigbona: Assistant to the initiating Iyá or Babálorisha
Oriaté: The high priest/ess who performs the ordination ceremonies
Emí naní: I; myself
Gbogbó kalenú: All those present in the house
Igboro: Visitors
Aburo: Brother or sister
Ashiré: Children; mount or horse of the Orishas (person who is possessed by an Orisha)
Kalé ilé: All those who are in the house

Renowned ancestors who should be invoked in everyone’s mojuba

This first group are vaguely remembered pioneers who may have been in Cuba in the early nineteenth century. Virtually nothing at all is known about these Olorishas, other than the fact that most of them were associated with the Cabildo San José 80.

Gbangboshé Awapitikó
Malaké la grande
Malaké la Chiquita
Dadá
Kaindé
Adeú
Tawadé
Odé Waro
Ña Inés, Yenyé T’Olokún
Teresita Ariosa, Oñí Osun (though some sources have said say she was named Oshún Funké or Oshún Kayodé)
Omó Delé
Obankolé
Adufé

Though some of the Olorishas in the following group are just as enigmatic as the above, they are better remembered as they were active during the latter nineteenth and early twentieth centuries.

Ña Rosalía, Efunshé Warikondó
Egbado progenitor, Omó Oshosi. In the last quarter of the nineteenth century, Efunshé may have introduced the Havana-centric adoshú osha ceremony practiced today that eventually spread to the rest of the island

Ma Monserrate González, Obá Tero
Egbado progenitor, Oní Shangó. Obá Tero is the source of many Egbado orishas in Cuba: Olokún, Oduduwá, Boromú, Yewá, and others. Her lineage is very well rooted in Matanzas.

Fermina Gómez, Oshabí
Ordained by Ma Monserrate González, Oshabí became known as the most reputable source in Cuba of Egbado orishas such as Olokún, Yewá and Oduduwá until her death in 1950. She inherited this knowledge from her iyalorisha Obá Tero.

Arabia Oviedo
Oyó priestess who founded a lineage in the town of Pueblo Nuevo in Matanzas. Her lineage is probably the second most populous lineage in Matanzas.

Timotea “Latuán” Albear, Ajayí Lewú
Oní Shangó and one of the early Obá Oriatés. She trained Octavio Samá, Obadimejí.

Ña Belén González, Apóto
Founder of the lineage commonly referred to as “la pimienta”—pepper. It is unclear if she was an Oló Oshún or an Oní Yemojá. She was ordained in Cuba by an iyalorisha known as Teresita Oshún Funké, probably the same Teresita Ariosa. One source says she was ordained by La China Silvestre, Oshún Miwá, and another says that Apóto was the one who ordained Oshún Miwá.

Ña Margarita Armenteros, Ainá Yobo
Founder of another important lineage in Havana. Tibursia Sotolongo, Oshún Mewá and Obá Oriaté Abelardo Bequé (Becker), Oñí Osun (Tibursia’s ) descend from Ainá Yobo.

Ño Filomeno García, Atandá
Babalawó, onilú—drummer—and abegí—carver, who together with Añabí, carved the first orthodox batá drums built in Cuba. Atandá is also reputed to have carved the Olokún (possibly Geledé) masks used in nineteenth century Cuba in the town of Regla to dance for this orisha

Ño Juan “el cojo,” Añabí
Babalawó, onilú—drummer—and abegí—carver—who together with Atandá, carved the first orthodox batá drums built in Cuba

Ño Remigio Herrera, Adeshiná
Probably one of the earliest Babalawos to arrive to the island, ca. 1830 and may have had some participation in the ceremonies to create Atandá’s and Añabí’s first batá drums in Cuba. Though he entered Cuba through Matanzas, where he lived for a number of years, he was also well known in Regla where he spent his last 35 years on the island and initiated the Cabildo Yemayá that was later inherited by his daughter Josefa “Pepa” Herrera, Eshúbí.

Octavio Samá, Obadimejí
The first male and Cuban-born Obá Oriaté, disciple of Latuán. Obadimejí was ordained twice once to Oshún in his native Sabanillas, and then to Aganjú when he arrived to Havana in the late 1800s. Latuán and Efunshé refused to believe that he was ordained and demanded that he go through the ordination ritual again. In the itá, it was discovered that he truly had been ordained. Hence his name, “king becomes two (or as it is interpreted in Cuba, he who was crowned twice).

José Roche, Oshún Kayodé
Ordained in 1896 by Tranquilina Balmaseda, Omí Saya, a religious descendant of Efunshé. Oshún Kayodé was probably the second male Oriaté, partly trained by Latuán.

Calixta Morales, Odé Deí
Some sources believe that she was Efunshé’s daughter. Others say that they were just good friends. Lydia Cabrera called her the “last great female apuón.” She was possibly the first Olorisha of Oshosi ordained in Cuba.

Josefa “Pepa” Herrera, Eshúbí
Adeshina’s daughter and possibly the first Olorisha ordained to Elegbá in Cuba. Ña Inés, Yenyé T’Olokún and Ma Monserrate González, Obá Tero were the ones who ordained her in the last quarter of the nineteenth century. She is best remembered for the Cabildo processions that she paraded yearly through the town of Regla in honor of Yemojá and Oshún

Tata Gaytán, Ogundá’fún
He was a famous Babalawó who died in 1945, and probably the first ordained in Cuba. Adeshina made him in the late 1800s. Best known for being the first Babalawó to consecrate Olokún for other Babalawós in the early twentieth century

Aurora Lamar, Obá Tolá
Until the Cuban Revolution, Aurora Lamar was probably the most proliferous Iyalorisha in Cuba, ordaining well over 2000 people. She introduced the religion to Santiago de Cuba in the 1940s. Her lineage is probably the most extensive lineage today.

Tomás Romero, Ewín Letí
Tomás Romero was Obadimejí’s only disciple. He was one of the most popular Oriatés after the death of his mentor.

Nicolás Valentin Angarica, Obá Tolá
Obá Tolá was ordained by Obadimejí in 1941, and apprenticed under him until his godfather’s death in 1944. Though he worked with his godfather a very short period of time, he had brought to Havana knowledge that he had obtained from his family in his native Carlos Rojas in Matanzas. He was a descendant of a long line of Olorishas. He is most remembered for having written the very first book ever in Cuba on Lukumí religion, published in the 1950s: “El Lucumí al Alcance de Todos.”

Lamberto Samá, Ogún Toyé
One of the two most important Oriaté who succeeded Tomás Romero’s generation.

The following are important Egún from the Cuban-Lukumí Diaspora.

Mercedes Noble, Oban Yoko
The first Olorisha to perform a full ordination in New York city in 1964.

Laura Noble, Omí Lefún
The first Olorisha to perform a full ordination in Miami in 1964

Orestes Blanco, Oshún Wé
Together with Viki Gómez, Osha Inle (still alive), Oshún Wé was Oriaté the first ordination that took place in the United States in 1964

Chris Oliana, Obá Ilú Mí
The first African-American to travel to Cuba in the 1950s to seek out Lukumí religion. He was ordained by an Om’orisha of the late Fermina Gómez, Oshabí

Pancho Mora, Ifá Morote
The first Babalawó in the United States and possibly one of the first Olorishas to establish residence in this country in the twentieth century

Apolinar González, Oshaweyé
Oshaweyé was one of the most important Oriatés during the formative years of the religion in the Unisted States. He died in Los Angeles in 1980.

Asunta Serrano, Osá’unkó
Osá’unkó, was probably one of the first Puerto Ricans ordained into Lukumí religion. She was made in Cuba in the late 1950s by Olga Morales, Oshún Funké, a descendant of Aurora Lamar. She was one of the early pioneers in New York city and one of the first Lukumís to visit Yorubaland after 1959.

As divindades ou deuses adorados na religião Lukumi são chamados orishas. Todos os orishas são emanações diretas e representativas de Olodumare, que criou a Terra e a povoou com eles para ajudar e supervisionar a humanidade. Os orishas servem de mediadores com o cosmos e são os maiores meios de comunicação com o Ser Supremo.

Cada divindade está relacionada com algum aspecto da natureza, bem como está encarregada de algum elemento da existência humana. Os orishas podem representar todas as virtudes e qualidades do divino e sacrossanto, todavia, são quase humanos em suas características e maneiras. São celestiais e terrenais a um só tempo. Alguns orishas são categorizados como serenos, calmos ou plácidos em seu caráter e relacionamento com a humanidade. Outros, tendem a ser muito humanos: esquentados, excêntricos, ou erráticos, às vezes gentis, racionais, cuidadosos e generosos em outras. Um Olorisha muito antigo em Cuba, falou uma vez acerca de Yemojá e seus sacerdotes, a respeito de seu caráter, sendo “…como as marés: por vezes altas, em outras, baixas.” Isto, bem pode ser aplicado a todos os orishas.

Estes atributos quase humanos dos orishas Lukumis têm um importante papel no desenvolvimento e continuidade da religião. Estas são divindades com as quais o ser humano pode identificar-se. Elas têm virtudes e falhas. Os orishas não são a perfeição ou a excelência personificadas. Isto os coloca em um nível que o devoto pode reconhecer e empregar para entender e aceitar suas próprias virtudes e defeitos, criando, assim, um laço entre ele e a divindade, construído a partir do relacionamento e identificação pessoais com um orisha.

O número exato de orishas adorados pelos iorubas é difícil de calcular. Estima-se o número de 401, contudo, esta quantidade conduz à especulação. Na Iorubalândia há séries de orishas que são reconhecidas e adoradas por todos os seguidores da religião ioruba, e há alguns orishas que são conhecidos e adorados somente em determinadas cidades ou aldeias. No Novo Mundo, as divindades mais conhecidas mostraram-se capazes de conservar seus seguidores, ao passo que os orishas regionais que fizeram sentir sua presença numa escala menor, terminaram por se perder ou perderam os padrões de adoração empregados em seu culto.

Muitos orishas foram capazes de sobreviver à viagem transatlântica e reinstalar-se em Cuba. Contudo, tiveram que se adaptar para garantir sua sobrevivência. Em Cuba, as funções exercidas por um orisha ou o papel que desempenha, tiveram que buscar um lugar entre a estrutura da ilha e da sua sociedade. Os orishas que não tiveram utilidade prática ou necessidade na nova ordem, foram esquecidos, diminuídos de posição ou status, ou incorporados aos “caminhos” (qualidades) ou avatares dos deuses mais importantes, com quem compartilham similaridades. Os orishas “mais fortes” absorveram os “mais fracos”. Como resultado, a iniciação no culto a certos orishas é executada através das divindades “mais fortes”, em cerimônias chamadas “oros”. Um sacerdote de Aganjú é ordenado através de Shangó, classificando-se esta iniciação como Shangó com “oro” para Aganjú. Erinle é feito através de Yemojá: Yemojá “oro” para Erinle.

Esses orishas regionais que sobreviveram e conservaram alguns seguidores não foram tão amplamente ou freqüentemente adorados, e o conhecimento sobre eles não foi tão divulgado na ilha. Isto, com o decorrer do tempo, resultou na perda de orishas que sobreviveram à escravidão, mas que não o conseguiram com relação aos efeitos do tempo. Um bom exemplo disto é Oshumaré, divindade do arco-íris, desaparecida em Cuba após a morte da última sacerdotisa versada em seu culto e rituais, ocorrida em meados do século XX. Esta sobrevivência parcial, também racionaliza as discrepâncias e a larga divergência nas informações, por vezes conflitantes, que os devotos oferecem sobre os aspectos e padrões de adoração dessas divindades.

Há duas categorias principais de orishas: aqueles existentes desde tempo imemorial, que para a presente finalidade denominaremos “celestiais”, e aqueles orishas que foram pessoas efetivamente existentes ou heróis históricos divinizados, elevados ao status de orishas após suas mortes e que ora serão catalogados como orishas “terrenais”. Em alguns casos (v.g. Jakutá e Shangó; Oduá e Oduduwá) esses ancestres divinizados usurparam o culto das divindades mais antigas e hoje formam parte do sistema de culto estabelecido para os orishas mais antigos.

Em Cuba, os orishas sofreram um processo de transformação que também alterou sua posição dentro do panteão, mudou seu caráter ou personalidade, eliminou, diminuiu ou incrementou seus domínios naturais ou, ainda, lhes atribuiu elementos que não são essencialmente iorubas. Oshún, divindade de um rio na Iorubalândia, tornou-se “dona” exclusiva de todos os rios em Cuba. Yemojá, cultuada principalmente no rio Ogún, tornou-se a “dona” dos mares. Oduduwá, a causa de seu sincretismo com São Manoel, tornou-se o “rei dos mortos”. Erinle foi transformado em “médico divino”, papel atribuído pelos católicos a São Rafael. Yewá, orisha lacustre e fluvial, foi transplantada ao cemitério.

Também como conseqüência de processos sincréticos, os orishas, muitas vezes, são designados por “santos”. A iniciação no culto a um orisha é conhecida pelo termo “hacer santo—fazer santo”. As celebrações anuais efetuadas para os orishas, atualmente, têm lugar nos aniversários dos santos católicos com que são identificados. Em Cuba, não é incomum ver “tronos”, santuários ou altares levantados para rituais e celebrações, que contenham símbolos e recipientes iorubas para os orishas, bem como as imagens dos santos católicos. Também não é incomum a utilização de certos paramentos relacionados com estes últimos, para ornamentar os orishas Lukumis. O Shangó dos Lukumis, freqüentemente tem espadas colocadas entre seus instrumentos, objetos originalmente atribuídos a Santa Bárbara, a quem Shangó é equiparado. Um caminho (qualidade) de Obatalá, chamado Oshalufón, sincretizado com o Sagrado Sacramento, usualmente tem um cálice de prata colocado à sua frente para asemelhá-lo às litografias do Sagrado Sacramento. Obá Moró, justaposto com Jesus de Nazaré, usa coroa de espinhos e réplicas de prata da Paixão de Cristo. Embora os adoradores distingam claramente o orisha Lukumi do santo católico, é irrefutável que o sincretismo soube como se fazer presente.

Séries de mitos ou patakis, também aparecem para ajudar a explicar as transformações que tiveram lugar em Cuba. Um excelente exemplo, é o mito que relata a união amorosa entre a casta Yewá e o sensual e promíscuo Shangó:

Yewá era uma das filhas de Oduduwá. Era a mais bela mulher que alguma vez pisara a Terra; a mais formosa flor do jardim de Oduduwá. Para os olhos paternos, Yewá simbolizava perfeição, a tal ponto, que Oduduwá lhe fez prometer nunca se casar e jurar que se manteria virgem e pura (de corpo e pensamento) por toda a eternidade. Assim que a fama de sua beleza se espalhou, Shangó disse “Aha! Não há mulher no mundo que possa me resistir. Vejamos de verdade, quão fiel Yewá é a seus votos!”. Shangó pôs-se a caminho para conquistar Yewá. Um dia, enquanto visitava o palácio de Oduduwá, Shangó passou sob a janela de Yewá e, extasiado com sua beleza, figurativamente violentou-a com seu olhar inquiridor. Yewá notou o galante guerreiro e sentiu-se tocada pelo seu intenso e hipnotizante olhar, imediatamente enamorando-se louca e apaixonadamente por Shangó.

Este encontro foi suficiente para Yewá reconhecer ter violado a promessa feita ao pai. Em conseqüência, confessou seu pecado e condenou a si mesma a retirar-se a um lugar onde pudesse viver em completa solidão por toda a eternidade. É por isto que Yewá mora no cemitério.

Os orishas possuem gostos e aversões. Cada um tem preferência por determinadas cores, utilizadas em seu culto e em seus atributos. Colares de contas (eleké) e demais paramentos que lhe estão relacionados, devem ser elaborados em conformidade a este código. Cada orisha também tem preferências com relação aos animais que lhe são sacrificados e alguns possuem tabus alimentares e comportamentais que os seguidores frisam em jamais violar por temor a incorrer em alguma ofensa à divindade. Cada orisha, também tem um número relacionado com seu culto, que serve para determinar a quantidade de ítens que comporão as oferendas propiciadas por seus devotos. Alguns orishas requerem códigos particulares de vestimenta, moderação no falar, proibição do uso de linguagem vulgar em sua presença ou tabus a certos lugares, ao intercurso sexual ou à promiscuidade.

A seguinte descrição dos orishas Lukumis, leva em conta as características, funções e atributos de cada orisha, de acordo com as perspectivas ioruba e Lukumi, correspondendo a uma descrição muito básica dos orishas e nada mais que isso. Por não ser fluente em ioruba, escrevi os nomes dos orishas empregando a ortografia anglificada ou ocidentalizada do ioruba, utilizada por antigos estudiosos, e não propriamente ioruba.

Orisha: Eshú-Elegbá (Elegguá)

Sincretismo Católico: Sagrado Menino de Atocha
Celebração: 3 de Junho
Vestimenta: Vermelha, preta e branca.
Miçangas: Vermelhas e pretas; brancas e pretas; vermelhas, brancas e pretas.
Ferramenta ritual: Um garabato—espécie de bastão, comumente feito em madeira de goiabeira.
Sacríficios: Bodes, agutis, tartarugas, galinhas ou frangas, e galos
Tabu: Óleo da amêndoa do côco do dendezeiro.
É proibido assoviar na casa onde mora Elegbá.
Números rituais: 3, 7, 11, ou 21

Elegbá abre e encerra todo ato religioso. É encontrado nas encruzilhadas e esquinas, na montanha, à beira do mar, no rio, no meio-fio da calçada, ou à porta de nossas casas. Elegbá está em todos os lugares. Está presente sempre onde exista uma manifestação humana, observando tudo o que ocorre, já seja bom ou ruim, para relatá-lo a Olorun. Podemos dizer que Elegbá serve de olhos a Olorun na Terra.

Elegbá vive centrado entre as forças do bem e do mal. Quando alguém se corporta de acordo com a Lei Divina, ele manipulará as forças do bem, ire, concedendo-lhe bençãos. Pelo contrário, se alguém se comporta erradamente, ele abrirá o caminho a forças malignas, tais como ofo, ikú, arún, eyó (perda, morte, doença, tragédia) entre outras, castigando-o diretamente.

Alguns caminhos (qualidades) de Elegbá são: Eshú Bi — encarregado de distribuir tarefas entre seus camaradas; Eshú Ayankí (Añaguí) — mora nas praias do oceano e é a origem de todos os Elegbá; Eshú Lagbana — que espreita em lugares solitários; Eshú Laroyé — o Eshú da traquinagem; Eshú Merinlayé — Eshú das encruzilhadas; Eshú Ayé — o bruxo; Eshú Baralainye (Baralaiñe) — companheiro de Shangó que “preserva” o segredo do fogo do orisha do trovão; Eshú Awanilegbé — quem providencia comida para Ogún.

Orisha: Ogún

Sincretismo católico: São Pedro
Celebração: 29 de Junho
Vestimenta: carmesim; posteriormente o verde, o preto, e o vermelho ganharam popularidade como cores para as vestes de Ogún.
Miçangas: Verdes e pretas; verdes, pretas e vermelhas; marrons e pretas.
Ferramenta ritual: Facão.
Sacrifícios: Bodes, cachorros, agutis, galos, pombos, galinhas d’Angola, e caça de um modo geral.
Tabus: Nenhum
Números rituais: 3, 7, e 21.

Deus do ferro e da guerra. Ogún é o patrono dos ferreiros e de todos os que trabalham em lugares em contato com ferro ou metais. Hoje em dia, todas as coisas feitas de ferro ou seus derivados, pertencem a Ogún. Por esta razão, em nossas sociedades industrializadas, Ogún está relacionado com estradas-de-ferro, aviões, automóveis, carretas e qualquer coisa feita de metal. Ogún representa e executa a justiça de Olorún na Terra. De acordo com a maioria das fontes, a adoração e respeito dos iorubas por Ogún são tantos, que os sacerdotes tradicionais, quando testemunham em Juízo, ao invés de jurar sobre uma Bíblia como os cristãos, fazem-no sobre um pedaço de ferro. Esta prática é aceita e reconhecida nas cortes nigerianas, conhecedoras do respeito dos iorubas por Ogún e do medo pela sua raiva.

Alguns dos seus caminhos (qualidades) são: Arere — o açougueiro; Alagbedé — o ferreiro; Shibirikí — o arquiteto; Onile — o rei que abandonou o trono pelo chamado da caça; Tenshowé — Ogún da agricultura, amigo íintimo de Orishaokó.

Orisha: Oshosi (Ochosi)

Sincretismo católico: São Norberto
Celebração: 6 de Junho
Vestimenta: Azul escura e dourada, enfeitada com couro e cauris (búzios).
Miçangas: Azuis escuras, ambarinas e vermelhas, com contas de coral e de azeviche.
Ferramentas rituais: Arco e flecha.
Sacrifícios: Bodes, cervos, agutis, galos, codornas, pombos, galinhas d’Angola e toda caça.
Tabus: Nenhum
Números rituais: 3, 7, e 21

Oshosi é o orisha da caça. Protege a todos os injustamente perseguidos e pune o culpado. É amigo íntimo de Elegbá e de Ogún, com quem divide muitos domínios em comum. Os escravos fugitivos suplicavam o socorro de Oshosi para escapar de seus amos brancos. Invocavam Oshosi para que lhes impedisse de encontrar o seu rastro, uma vez que Oshosi é conhecido por possuir a habilidade de entrar na densidade das florestas e encontrar o caminho de saída sem a menor dificuldade. Contudo, Oshosi não mora na floresta.

Ainda que Oshosi entre na floresta, o faz somente para caçar. Oshosi é um orisha urbano, vivendo em companhia de Obatalá. Foi o caçador favorito de Obatalá e brindou todos os frutos do seu trabalho à divindade da criação. Passou a maior parte da sua vida a serviço daquele, vivendo em seu palácio e não na floresta.

Oshosi foi o primeiro feiticeiro ou mago Ioruba. A palavra oshó, em ioruba, significa feiticeiro. Os Lukumis habitualmente associam-no a práticas mágico-religiosas bantus, conhecidas na ilha como Regla de Congos ou Palo Mayombe. Como resultado, muitos incluem, entre seus objetos, um vititi mensu Congo, instrumento divinatório preparado e empregado pelos sacerdotes bantus. Oshosi não tem qualidades.

Orisha: Erinle (Inle)

Sincretismo católico: São Rafael
Celebração: 24 de Outubro
Vestimenta: Azul-turquesa e rosa, enfeitada com cauris.
Miçangas: Coral, azeviche e ouro; azul-turquesas, intercaladas com coral, contas amarelas e opalas. Um peixe metálico de metal é fixado em seu eleké (colar)
Ferramentas rituais: Vara de pescar; arco e flecha.
Sacrifícios: Carneiro, ovelha, peixe, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: As folhas do álamo (Ficus religiosa, L.)
Número ritual: 7

Melhor conhecido entre os devotos como o “médico divino”, Erinle é o orisha padroeiro dos pescadores, não obstante ser muito venerado por seu conhecimento da medicina tradicional e do poder das ervas; arte esta que divide com seu irmão Osayín. Principalmente por possuir este conhecimento, é considerado um “médico” ou “curador”. Assim como seu irmão Oshosi, também é patrono dos caçadores. Diz-se que Oshosi caça na terra e Erinle caça nos rios.

Erinle foi um rei poderoso e rico, altamente respeitado por sua maestria na arte da adivinhação. As tradições orais Lukumis enfatizam que poderia ter possuído habilidades telepáticas. Erinle pode ser encontrado no rio ou no mar, mais precisamente onde os dois se juntam. Em Cuba, os devotos de Erinle são iniciados através de Yemojá, em uma cerimônia conhecida por oro—Yemojá oro Erinle. Os cauris dela servirão para o médium se comunicar com Erinle. Ainda que possua seus próprios cauris, Erinle não “fala” através de seu dilogún.

Erinle não tem qualidades.

Orisha: Osayín (Osaín)

Sincretismo católico: Santo Ambrósio ou São Silvestre.
Celebração: 31 de Dezembro.
Vestimenta: Não tem cores específicas.
Miçangas: Contas de todas as cores, às vezes são utilizados ossos e peças de madeira.
Ferramenta ritual: Cabaça.
Sacrifícios: Bodes, carneiros, tartarugas, galos, codornas, pombos, galinhas d’Angola e qualquer caça.
Tabus: As mulheres não podem passar sob a sua cabaça. Não deve morar perto do assentamento de Oyá.
Números rituais: 7, 21

Tradicionalmente, é o orisha curador que habita na floresta. Tudo na natureza está à sua disposição. Osayín é um orisha indispensável, pois sem a sua ajuda, a adoração a outros orishas não seria possível. Sem as ervas necessárias provistas por um Olú Osayín, a consagração de um orisha é inviável. Osayín é o deus da medicina tradicional. Todas as ervas do mundo são sua propriedade e ele as provê para salvação da humanidade e também as divide com os outros orishas.

Na religião Lukumi, Osayín não possui sacerdotes. Seus seguidores são identificados pelos oráculos ou por ocasião de seus nascimentos. Crianças nascidas com dedos adicionais são consideradas verdadeiras Olú Osayín. Ainda que os omó de Osayín não tenham necessidade de serem ordenados, quando a ordenação se faz necessária, serão então iniciados para Shangó e Osayín lhes será consagrado. Acredita-se que Osayín é o “padrinho” (babalorixá) de Shangó, seu maior e mais íntimo aliado, que ensinou a Shangó a arte da magia, pelo que Osayín recebe este reconhecimento de Shangó.

Osayín é considerado um orisha misterioso. Fenomenal e grotesco em aparência, é descrito como sendo de tamanho pequeno, com apenas um olho, uma mão, um pé, uma orelha minúscula que lhe permite ouvir uma formiga gritando a milhas de distância, e a outra, maior do que a própria cabeça, com a que não escuta absolutamente nada. Segundo a lenda, não teria nascido com esse aspecto. Sua aparência grotesca é devida a um conflito tido com Orúnmilá, em que este usou a própria magia de Osayín para desfigurá-lo assim.

Orisha: Orishaokó (Orichaocó)

Sincretismo católico: São Isidoro.
Celebração: 15 de Maio.
Vestimenta: Vermelha, enfeitada com adereços dourados. Numa segunda versão, pode ser turquesa e rosa, com laços e adereços dourados.
Miçangas: Turquesas, rosas, intercaladas com algumas vermelhas e com opalas, contas de coral e de azeviche.
Ferramentas rituais : Carroça puxada por um boi e arado.
Sacrifícios: Bode, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum.
Número ritual: 7

Orishaokó é o orisha da agricultura e da colheita: o lavrador da terra. Com seu arado, Orishaokó fecunda ilé (a terra), colmando suas entranhas de sementes que nutrirão a descendência dela. Alguns de seus símbolos, amiúde são fálicos. Dentre seus paramentos rituais, encontramos um seixo de argila e duas pequenas nozes de côco, pintadas de vermelho e branco. Acredita-se que o seixo simbolize o pênis e as nozes de côco os testículos. Seu auxílio é solicitado em casos de infertilidade ou impotência. Orishaokó vive simultaneamente nas terras de cultivo e na floresta. Os filhos de Orishaokó são iniciados através de Yemojá, com oro para Orishaokó. Não tem qualidades.

Orisha: Babaluaiyé (Babalú Ayé)

Sincretismo católico: O popular São Lázaro, adorado por milhões em Latinoamérica e ainda não reconhecido oficialmente pela Igreja como santo.
Celebração: 17 de Dezembro
Vestimenta: Carmesim e de estopa.
Miçangas: As cores dependem das qualidades, ainda que a maioria use contas brancas rajadas de azul, enfeitadas com contas de coral e de azeviche.
Ferramenta ritual: O “já”, cetro semelhante a uma vassoura, elaborado com as nervuras das folhas novas do coqueiro.
Sacrifícios: Bodes, codornas, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Sementes de sésamo e cascas de amendoim.
Números rituais: 7, 17

É o orisha da varíola, da lepra e de toda doença contagiosa, é num sentido mais amplo, a divinização da doença. Para muitos, Babaluaiyé é a Cólera Divina de Olodumare que, uma vez liberada, freqüentemente se torna incontrolável. Na África, este orisha é respeitado e temido por se acreditar que provoque grandes epidemias. Em Cuba, parcialmente influenciado pelo paralelismo com São Lázaro, é solicitado para provocar doenças e epidemias.

Notadamente em Cuba, os Ararás (de origem Ewe Fon) são mais versados nos rituais deste orisha que os Lukumis (de origem ioruba), de vez que se acredita ter o Babaluaiyé adorado no Daomé (atual Benin), migrado à Iorubalândia.

Babaluaiyé é considerado o padroeiro dos pobres e dos desolados. Habitualmente vagueia sozinho pelas florestas. Em algumas localidades iorubas, quando entra na cidade, aspergem água ao ar livre para apaziguar sua fúria. Em Cuba, quando as canções de Babaluaiyé são entoadas em um wemilere ou bembé, derrama-se água no solo e todos os presentes umedecem a ponta dos dedos para depois ungirem suas testas. Em Matanzas, os omó de Babaluaiyé são ordenados diretamente em seu culto, conquanto isto não ocorra em La Habana, onde os omó são ordenados também para Yemojá ou para Obatalá, após terem se consagrado a Babaluaiyé.

Há dois orishas femininos relacionados com Babaluaiyé: Nanúme—sua mãe, e Naná Burukú—sua esposa (detallada mais adiante). A primeira, também está associada à contenção de doenças contagiosas, especialmente de úlceras ou lesões da pele. Também está associada com o câncer e acredita-se que mantenha a doença sob controle. Nanúme recebe sacrifícios de cabras, galinhas, pombas e galinhas d’Angola. Veste roupas pretas ou de estopa e é sincretizada com Santa Marta. Não se tem registro de nenhum omó direto de Nanúme.

Orisha: Dadá & Bayaní (Ibañálé, Abañálé)

Sincretismo católico: Nossa Senhora do Rosário e São Raimundo Nonato.
Celebração: – .
Vestimenta: Branca com adereços vermelhos.
Miçangas: Brancas e vermelhas, enfeitadas com cauris.
Ferramenta ritual : Coroa feita de cabaça, com fileiras pendentes de contas e cauris
Sacrifícios: Cordeiro, pombos e galinhas d’Angola (algumas linhagens sacrificam galos)
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 4, 6, e 12

Dadá é o deus das crianças não nascidas. É um dos orishas relacionado com o desenvolvimento e cuidado do embrião humano. Acredita-se que crianças nascidas com tufos de cabelo à semelhança de uma coroa, sejam filhos de Dadá. Os Lukumis acreditam que Dadá é a irmã mais velha que criou Shangó. Dadá e Bayaní estão especialmente ligados a Shangó, através de qual os omó de Dadá são ordenados, ainda que as pessoas com Dadá como orisha tutelar, sejam muito poucas. Na Cuba pré-revolucionária, houve um mero punhado de ordenações para Dadá. Bayaní é a coroa de Shangó, uma conselheira pacifista que o ajuda a governar com a cabeça no lugar. Como no caso de Erinle e de Abatán, estes dois orishas são consagrados juntos. Os símbolos de Dadá ficam em um recipiente coberto pela cabaça-coroa enfeitada com contas e cauris que representam Bayaní. Da primeira, diz-se que nutre o omó de Shangó para quem o orisha é consagrado. Acredita-se que a última propicie razoabilidade e juízo, bem como estabilidade espiritual e física.

Dadá é um orisha enigmático. Na maioria dos mitos Lukumis, Dadá é descrito como a irmã mais velha de Shangó, sendo-lhe creditada sua criação. Contudo, no ritual, e especialmente na ordem de cantos, Dadá é agrupado aos orishas masculinos. Os instrumentos de Dadá, dentre eles destacaremos o edún ará—pedra-de-raio, são principalmente masculinos. Bayaní é quem possui mais atributos femininos, representados pelas doze tranças que pendem da cabaça-coroa, feitas com contas e cauris.

Orisha: Aganjú

Sincretismo católico: São Cristóvão.
Celebração: 16 de Novembro
Vestimenta: Bordeaux, ornamentadas com cores variadas e adereços dourados.
Miçangas: Marrom-avermelhadas e contas opalinas de várias cores.
Ferramenta ritual: Um machado sustentado por um cabo central, com duas lâminas, uma em cada extremo do cabo.
Sacrifícios: Bode castrado, bode, bezerros, codornas, pombos e galinhas d’Angola (algumas linhagens sacrificam galos).
Tabus: Nenhum
Número ritual: 9

Aganjú é o orisha do deserto e do vulcão. É a força bruta, mas regenerativa, divinizada como orisha. Possivelmente por causa da associação com São Cristóvão, também é considerado o orisha dos viajantes. Dependendo da versão, Aganjú também é o pai do irmão mais novo de Shangó, que governou como 5º Alafín de Oyó.

Seu domínio principal é o deserto. Quando os iorubas migraram para sua morada atual, depois de terem viajado por anos através do deserto, a adoração de Aganjú declinou. Muito do conhecimento relacionado ao orisha, eventualmente foi perdido. Em Cuba, Aganjú adquiriu maior popularidade como orisha a partir do início do século XX. Como conseqüência da obscuridade que envolve este culto, seus omó são ordenados através de Shangó. Aganjú não possui qualidades.

Orisha: Shangó

Sincretismo católico: Santa Bárbara
Celebração: 4 de Dezembro
Vestimenta: Vermelha com adereços dourados.
Miçangas: Vermelhas e brancas.
Ferramenta ritual: Um machado duplo.
Sacrifícios: Carneiros, bezerros, tartarugas, codornas, galos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum
Número ritual: 6

Deus do trovão, do fogo e da virilidade. Shangó foi o quarto Alafín—rei—do Império de Oyó, uma poderosa nação da África Ocidental que exerceu considerável controle sobre a área durante quatro séculos. Após sua morte, Shangó foi divinizado e ascendido ao status de orisha. Sua adoração tornou-se tão popular que eclipsou o culto dos primeiros deuses do trovão, chamados Jakutá—lançador de pedras, e Oramfé (Oranifé)—uma divindade de Ilé Ifé.

Shangó é provavelmente o orisha mais popular do panteão Lukumi. Isto é provavelmente influência dos inumeráveis mitos que descrevem seu charme e natureza viril, recontando suas múltiplas aventuras românticas com diversas mulheres.

Shangó despreza as mentiras e a fofoca. Sua raiva faz-se evidente através do trovão e do raio. Quando é ofendido, transforma-se na tormenta ameaçadora cujo raio executa suas sentenças. Também é um carrasco a serviço de Olodumaré—punindo àqueles que ofenderam o Criador ou violaram seus ditames divinos.

Quando Shangó possui alguém, é um ávido dançarino cheio de maestria. Brande seu oshé— machado duplo— através do ar, simbolicamente retalhando a maldade ou decepando a cabeça de um inimigo. Tem relacionamento direto com muitos orishas. Obá foi sua esposa legítima, porém, sua falta de beleza o distanciou dela. Ele encontrou sua igual em Oyá, sua segunda esposa, companheira e confidente. Oyá e Shangó são tão afins que podem ser descritos como duas caras de uma mesma moeda. A sensual Oshún foi sua mulher preferida. Esta é o único orisha que conseguiu manipular Shangó em alguma coisa. Quando se encontram em um wemilere, Shangó quase sempre tentará seduzir Oshún e ela o ignorará com cinismo sedutor, típico desta orisha dada aos flertes.

Em La Habana, Shangó não possui qualidades, mas os Olorishas em Matanzas identificam qualidades para Shangó.

Orisha: Obatalá

Sincretismo católico: Nossa Senhora das Mercês.
Celebração: 24 de Setembro.
Vestimenta: Branca com adereços prateados.
Miçangas: Brancas, intercaladas com marfim e madrepérolas.
Ferramentas rituais: Espanta-moscas de rabo de cavalo branco ou de vaca; uma bengala.
Sacrifícios: Cabra, bode, galinhas, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Sal, azeite-de-dendê e licor.
Número ritual: 8

Obatalá é o orisha da criação, da paz e da pureza. Seu nome significa “rei que veste de branco” ou “rei de roupas brancas”. Olodumaré lhe confiou a criação dos seres humanos. Mas Obatalá amava o vinho-de-palma, e uma noite, sob os efeitos do vinho, acidentalmente criou um número de seres deformados. Deste descuido nasceram o albino, o anão, o corcunda, o torto, o coxo e outros seres humanos malformados. Ainda que se lhe tenha confiado a modelagem dos corpos, a vida é domínio exclusivo de Olodumaré, e naquele entardecer em que Olodumaré desceu para assoprar vida à criação de Obatalá, aquela prole de Obatalá cobrou vida. Desde aquele dia, todo indivíduo com algum defeito de nascença é considerado um ení orisha — protegido pelo orisha— e um omó de Obatalá. Toda pessoa com qualquer tipo de defeito físico, deverá ser ordenada para Obatalá, ainda que seu orisha tenha sido previamente identificado como qualquer outro.

Os Lukumis reconhecem numerosas qualidades ou avatares de Obatalá. Por serem muitos, há uma grande variedade na personalidade deste orisha. Ajáguna — o poderoso guerreiro e amante da guerra que muitos consideram ser o Shangó dos Obatalás; o enfraquecido Yekú Yekú— cego e corcunda, que representa os pensamentos na ancianidade e a sabedoria que a acompanha; Alagéma— o camaleão que testou a solidez da Terra para assegurar que fosse suficientemente firme como para nela se estabelecerem os humanos; e Oshaogiyán— o maduro, qualidade equilibrada de Obatalá, que conhece o sofrimento causado pela guerra e tenta consolar a humanidade com maturidade e compreensão. Algumas qualidades—Oshanlá (Orishanlá), Obanlá, e Erú Ayé— são consideradas femininas, numa clara influência Egbado. Há cerca de cinqüenta qualidades de Obatalá. Ademais, Obatalá tem vários delegados, um grupo inteiro de divindades tipicamente referidas como orishas fúnfún — orishas brancos— que serão descritas mais adiante.

Orisha: Oduduwá (Oduá, Odúduá)

Sincretismo católico São Manoel.
Celebração: 1º de janeiro
Vestimenta: Branca com adereços prateados.
Miçangas: Opalas, com coral, madrepérolas e marfim.
Ferramenta ritual : Cabaça fechada.
Sacrifícios: Bodes e cabras, galos, galinhas, pombos e galinhas d’Angola, todos brancos.
Tabu: Promiscuidade sexual.
Número ritual: 16

Oduduwá é um orisha um tanto quanto controvertido. A divindade original, Oduá, acompanhou Obatalá à Terra. Embora a maioria coincida em dizer que foi a sua concubina, outros a colocam como sendo um aspecto feminino, ou complemento, de Obatalá. Em algum ponto da história, um poderoso guerreiro do Norte chegou ao país ioruba, conquistou-o, e eventualmente instalou a si mesmo como o primeiro Oní ou rei de Ilé Ifé. Este guerreiro é Oduduwá, considerado por muitos o progenitor da raça ioruba e o ancestre do qual, todos os reis de Ifé reivindicam descender, até nossos dias.

Como no caso de Shangó, a popularidade de Oduduwá ofuscou a de Oduá, a divindade original. Depois da morte de Oduduwá, indubitavelmente este passou a ser muito mais reverenciado que a divindade original, em razão de seus méritos como guerreiro, a adoração de Oduá foi banida pela veneração ao guerreiro. O resultado é um tipo de sincretismo entre Oduá e Oduduwá, em que as duas divindades fundem-se para formar uma única. A mais forte absorveu a mais fraca. É por isto que os Lukumis consideram Oduduwá um orisha masculino. Acredita-se que haja mais do que cento e vinte de suas qualidades.

Possivelmente pelo sincretismo com São Manoel, em Cuba, Oduduwá tem o título de “Rei dos mortos”. É um orisha estreitamente ligado à vida e à morte. Na tradição Lukumi, quando é tempo de um ser humano retornar ao orún, Oyá vem para conduzir a alma ao além. Babaluaiyé leva o cadáver às portas do cemitério, onde Oba “documenta” sua chegada. Boromú e Borosiá levam o cadáver à tumba, onde Yewá o põe a descansar, e Oduduwá leva adiante o processo de putrefação, poupando apenas os restos do esqueleto.

Oduduwá é o mais respeitado e poderoso orisha na prática Lukumi. Assim como para Obatalá, a quem está muitas vezes ligado, as oferendas para Oduduwá são levadas aos pés de uma colina ou montanha, e devido à sua relação com a morte, também aceita oferendas no cemitério ou enterradas no solo. Seus omó são ao mesmo tempo ordenados diretamente a Obatalá ou através deste. De qualquer modo, a iniciação neste culto torna-se um fenômeno raro.

Orisha: Obá

Origem: Celestial
Sincretismo católico: Santa Catarina de Siena.
Celebração: 30 de Abril
Vestimenta: Bordeaux, adornada com adereços rosas e dourados.
Miçangas: Marrons, com opalas e coral. Uma pequena chave de ouro pende do seu eleké
Ferramentas rituais: Baú e chave
Sacrifícios: Cabras ou cabras castradas, galinhas, pombas e galinhas d’Angola.
Tabu: Oba proíbe o adultério.
Número ritual: 8

Orisha padroeira do matrimônio. Preside um rio na Nigéria que leva o seu nome. Oba é a esposa original e legítima de Shangó. De acordo com um mito, era simples de aparência e desprovida de beleza física. Shangó lhe prestou pouca atenção. Mesmo assim, foi sua esposa principal. Oba era desprovida das qualidades femininas e do coquetismo que Shangó encontrou em Oshún, a grande rival de Oba. Sua luta por conservar o amor e o interesse de seu marido, conduziu-a a cometer um ato brutal que destruiu seu matrimônio, eventualmente resultando no desprezo de Shangó e na morte dela mesma. Diz-se que o seu pranto foi tal, que as lágrimas derramadas formaram o rio que leva o seu nome.

Os Lukumis acreditam que Oba é uma irascível divindade guerreira que luta ao lado de seu marido. Ogún treinou-a na arte da guerra e ela brande uma espada ou um facão tão bem quanto qualquer homem. Mesmo assim, quando Shangó está deprimido ou apreensivo, ela substitui sua natureza belicosa pela compreensão, consolando seu marido e prestando-lhe suporte moral em todas suas lutas. Recentemente, perdeu-se a iniciação no culto a Oba. Seus omó são correntemente ordenados através de Oshún. Oba não possui qualidades.

Orisha: Yewá (Yeguá)

Origem: Celestial
Sincretismo católico: Nossa Senhora de Montserrat
Celebração: 27 de Abril
Vestimenta: Carmesim, ou rosa e carmesim.
Miçangas: Rosas e vermelhas (ou bordeaux), com coral e madrepérolas.
Ferramenta ritual: Nenhuma
Sacrifícios: Cabras, patas, galinhas, pombas e galinhas d’Angola, todas deverão ser virgens.
Tabus: Promiscuidade sexual e uso de linguagem vulgar em sua presença.Requere o uso de attire (atuendo específico) completo em sua presença.
Números rituais: 7, 9

Yewá é um orisha muito severo e recluso, intimamente ligado à morte. Acredita-se ser o orisha que vela pelo cadáver enquanto este é posto a descansar. Ainda que relacionada com atividades marítimas, é cultuada no cemitério, no rio e na lagoa. Suas oferendas favoritas são flores, particularmente as fragantes. Na tradição Lukumi, é considerada a mais bela e cobiçada flor do jardim de Oduduwá, a quem Shangó eventualmente seduziu e “desgraçou”.

Muitos sacerdotes afirmam que na Iorubalândia, Yewá era adorada dentro de uma caverna, que somente podia ser encontrada se nadando através de uma lagoa por ela governada juntamente com Olosá, orisha da lagoa. É descrita como uma rainha e quase uma amazona que proíbe o contato sexual a seus adoradores. Sua corte era atendida por eunucos sob a supervisão de Logún Edé. Yewá não possui qualidades.

Orisha: Oyá

Origem: Celestial
Sincretismo católico: Santa Teresa em La Habana; Nossa Senhora das Candeias em Matanzas.
Celebração: 15 de Outubro em La Habana; 2 de Fevereiro em Matanzas
Vestimenta: Carmesim e com estampas multicoloridas.
Miçangas: Uma conta marrom avermelhada com listras pretas e brancas; na seqüência, uma conta vermelha e outra marrom.
Ferramentas rituais: Uma chibata ou espanta-moscas de rabo de cavalo preto ou de vaca; facão.
Sacrifícios: Cabras, galinhas, pombas e galinhas d’Angola.
Tabu: Carneiro.
Número ritual: 9

Deusa do vento, do raio e do mercado. Oyá é uma temida divindade guerreira, quase uma amazona, que pode ser encontrada sempre que uma batalha é travada. Foi a única das esposas de Shangó que o acompanhou em seu triste final. O amor de ambos é tão grande e profundo que desde então, os dois se manifestam juntos. Sempre que o raio (Oyá) aparece no céu, o trovão (Shangó) não pode estar muito longe. Oyá desbrava o caminho para Shangó em muitas de suas grandes batalhas, facilitando-lhe a entrada e garantindo-lhe a conquista.

Os iorubas cultuam Oyá no rio que leva o seu nome (também conhecido por rio Níger). Em Cuba, ela perdeu suas qualidades fluviais. Os Lukumi associam Oyá com o cemitério, ainda que a verdadeira morada de Oyá seja o mercado. A associação com Egúngún (os ancestres) estende os domínios de Oyá às portas do cemitério. Ela é o único orisha capaz de aplacar a ira de Egúngún. Oyá acompanha toda alma humana às portas do orún. Com o iruké de Oyá — chibata feita da cauda de cavalo ou de vaca, os Olorishas limpam o cadáver do sacerdote ou sacerdotisa falecidos, simbolicamente abrindo um caminho limpo e seguro até o orún. Oyá não possui qualidades.

Orisha: Naná Burukú (Naná Burucú)

Origem: Celestial
Sincretismo católico: Nossa Senhora do Monte Carmelo.
Celebração: 16 de Julho.
Vestimenta: Rosa e preta com ornamentos dourados.
Miçangas: Rosas e pretas, com coral, contas de azeviche e cauris. Na cidade de Jovellanos, na Província de Matanzas, o eleké de Naná é confeccionado com uma conta amarela rajada de verde e vermelho e contas azuis-turquesa.
Ferramenta ritual: Um “já” curvo.
Sacrifícios: Cabras, porcas, galinhas, pombas e galinhas d’Angola.
Tabus: Não se lhe deve sacrificar com faca. Seu pote não pode ser colocado próximo ao assentamento de Ogún
Números rituais: 7, 9

A concubina de Babaluaiyé. Naná é uma orisha muito sagrada e austera. No Daomé (atual Benin), onde a sua devoção é tida como a mais importante, acredita-se que seja a mãe de Mawu-Lisa, o equivalente Ewe-Fon do Ser Supremo. No Brasil é considerada a avó dos orishas. Em Cuba, é exaltada como “descobridora”, sendo-lhe reconhecido o poder para tornar visíveis as doenças que possam se ocultar no corpo humano e que a medicina moderna não consegue encontrar. Também é conhecida como a mãe das águas frescas e é adorada na cabeceira dos rios e na lagoa.

Numa celebração que os orishas deram para honrar Ogún, o deus do ferro embriagou-se gravemente e como resultado, tornou-se extremamente arrogante. Naná Burukú, recusou-se a prestar homenagem a Ogún por ter aberto caminho para os orishas vindos do orún à Terra, e que naquela ocasião Ogún exigia como pagamento. Seu comportamento bêbado ofendeu-a. Desde esse dia, ela o rejeita e se recusa a aceitar qualquer metal em seus rituais. Desde então, os sacrifícios para Naná são efetuados com um pedaço de bambu afiado ou com uma faca de madeira. Naná não possui qualidades.

Orisha: Yemojá (Yemayá)

Origem: Celestial
Sincretismo católico: Nossa Senhora de Regla.
Celebração: 8 de Setembro
Vestimenta: Azul (todos os tons), branca, com adereços prateados.
Miçangas: Azuis (todos os tons), de cristal ou opalinas, com contas vermelhas e de coral.
Ferramentas rituais: Chibata ou espanta-moscas de rabo de cavalo ou de vaca preta; facão; âncora.
Sacrifícios: Carneiros, ovelhas, galos, patos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum
Número ritual: 7

Yemojá, junto com Oshún, são dentre os orishas femininos, os dois mais venerados pelos Lukumis. Contudo, por ser Yemojá de uma natureza mais austera, sua ajuda é solicitada com menos freqüência que a de Oshún. Yemojá pode ser serena como uma baía tranqüila ou tão violenta quanto um tufão. Seu nome significa “mãe dos peixes” (Iyá-omó-ejá). Na Iorubalândia, Yemojá preside o Rio Ogún, embora todas as águas do mundo sejam seu domínio. É o símbolo da maternidade: a mãe do mundo. Atribui-se a Yemojá ter dado a luz muitos orishas. É descrita como uma negra muito escura, com seios extremamente grandes que lhe permitem nutrir toda a humanidade.

Em Cuba, Yemojá é considerada a deusa do mar. É bem provável que durante toda a viagem da África ao Novo Mundo, os escravos, não sabendo o seu próprio paradeiro, tenham implorado o socorro de Yemojá. De qualquer modo, o oceano tornou-se o receptor das súplicas do escravo para estendê-las ao que hoje se acredita ser a morada de Yemojá. Yemojá pode viver no oceano ou no rio, em um lago ou numa lagoa, nos pântanos, bem como em um charco. Yemojá está presente em todos os corpos d’água.

Algumas de suas qualidades são: Ogúnté (Okuté) — andarilha, esposa de Ogún e que brande seu facão tão bem quanto seu marido; Ibú Ashabá — encontrada nas docas e representada pela âncora de um bote; Ibú Asesú — mensageira de Olokún, vive nas águas tranqüilas; Mojelewú (Mayelewó) — chefe do mercado; Ibú Aganá — vive nas nascentes ou cursos d’água.

Orisha: Oshún (Ochún)

Origem: Celestial
Sincretismo católico: Nossa Senhora de la Caridad.
Celebração: 12 de Setembro
Vestimenta: Amarela ou âmbar, com adereços dourados.
Miçangas: Ambarinas ou cor-de-mel, intercaladas com contas amarelas, verdes, vermelhas e de coral.
Ferramentas rituais: Sino de bronze; leque ornamentado com penas de pavão.
Sacrifícios: Cabras castradas, galinhas, pombas e galinhas d’Angola.
Tabus: Não genéricos, porém, algumas de suas qualidades possuem proibições específicas.
Número ritual: 5

A Vênus ioruba. Deusa do amor, da sexualidade, da beleza e coquetismo femininos; patrona de um rio na Nigéria que leva o seu nome. Nada é impossível para Oshún. É muito bondosa, mas pode tornar-se muito vingativa e rancorosa quando encontra oposição. Precisamente, em decorrência deste caráter irracional e teimoso, muitos consideram Oshún o mais frágil, ainda que o mais temido dos orishas. Quando chora, o faz de alegria; quando ri, o faz de raiva. Quando ofendida, aparenta ignorar o ofensor, atuando como se nada tivesse acontecido. Posteriormente, quando o ofensor provavelmente já tenha esquecido o ocorrido, ela lembrar-se-á daquela antiga dívida e exigirá imediata reparação. A dama quer, e quer agora! Oshún, quando ofendida, é famosa por atacar seu profanador através do sangue ou dos genitais. Muitas vezes, homens tornam-se impotentes após terem provocado sua raiva.

Ainda que, pelas virtudes de suas variadas funções no panteão ioruba, Oshún aparente ser uma divindade amistosa e gratificante, uma análise mais profunda nos revela que Oshún é uma divindade sofrida e aflita. Sua gargalhada e modos joviais são disfarces para esconder sua dor. Oshún foi uma grande rainha que governou caprichosamente através de seu marido Shangó. Ela sempre procurou fazer as coisas do seu jeito. Oshún gostava de todas as boas coisas da vida; adquiriu tudo o que uma mulher poderia desejar. E então, o perdeu! Oshún é a representação da feminilidade, bem como dos desejos que fazem a humanidade cometer, por vezes, erros dos quais haverá mais tarde de se lamentar. As formigas são suas mensageiras e as abelhas são suas grandes amigas produtoras de mel, elemento que lhe permite superar todos os obstáculos e tribulações.

Algumas de suas qualidades são: Ibú Ikolé — a feiticeira, relacionada com o abutre; Ibú Apará (Aparó; Akuaró)— esposa de Erinle que abandonou o trono para fugir com Shangó, perdendo todas as suas riquezas; Ibú Oló Lodí — esposa de Orúnmilá que é uma grande adivinha, tanto quanto o seu marido; Ibú Iyumú — a mãe e mais velha de todas as Oshún, mora no fundo do rio; Ibú Dokó — patrona do ato sexual, esposa de Orishaokó.

Orisha: Orúnmilá (Orúnlá)

Origem: Celestial
Sincretismo católico: São Francisco de Assis.
Celebração: 4 de Outubro.
Vestimenta: Verde e amarela com adereços dourados.
Miçangas: Verdes e amarelas.
Ferramenta ritual : O opón Ifá — tabuleiro oracular.
Sacrifícios: Cabras e galinhas.
Tabu: Nenhum
Número ritual: 16

Orisha da adivinhação, responsável pelo oráculo Ifá, sistema muitas vezes confundido com o próprio orisha. Ifá, como sistema profético, possivelmente seja o mais completo e acurado sistema divinatório empregado na África Ocidental. A origem do sistema, de acordo com alguns sacerdotes, não é inteiramente ioruba. Estudiosos e Olorishas argumentam que tenha se originado no Egito ou nas áreas desérticas. È interessante notar que Orúnmilá é a única divindade ioruba não representada por pedras. Este elemento adiciona ênfase à possível origem de Ifá nas áreas desérticas..

Os sacerdotes de Orúnmilá são conhecidos por Babalawos — pais do segredo (ou dos mistérios). Sacerdotes e devotos deste orisha usam em seus pulsos esquerdos um bracelete feito de contas verdes e amarelas, chamado “ide’fá”. O ide’fá possui poder para proteger seu portador contra a maldade e a morte inesperada. Muitos seguidores da religião usam este bracelete com o propósito de a morte não tomá-los da Terra para o Céu até que o destino decida que já é tempo para tanto.

Na Iorubalândia, bem como em Cuba, sacerdotes e devotos nunca tomam decisões importantes sem antes consultar os oráculos. Ainda não sendo o único oráculo, Ifá é um meio que guia a vida diária e o comportamento de muitos, proporcionando fé e esperança necessárias para tolerar e se resignar frente às muitas provas de resistência da vida.

Orúnmilá é personificado e representado pelo ikín — a noz do fruto do dendezeiro — sendo este um dos principais instrumentos utilizados na adivinhação de Ifá. O opón Ifá ou até, o tabuleiro oracular, também é uma ferramenta largamente empregada por Orúnmilá, jamais faz com que seus devotos entrem em transe, assim como tampouco possui qualidades.

Orisha: Olokún (Olocún)

Origem: Celestial
Sincretismo católico: Nenhum.
Celebração: Nenhuma.
Vestimenta: Azul escura com adereços prateados ou dourados.
Miçangas: Azul escuras, verdes, vermelhas, com coral
Ferramenta ritual: Nenhuma
Sacrifícios: Carneiros, ovelhas, porcos, patos, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabu: Requer o uso do attire completo em sua presença.
Números rituais: 7, 9, e 21

Olokún é o Netuno ioruba, dono das profundezas oceânicas. Em Cuba, Olokún é considerado fêmea pela maioria dos Olorishas, mesmo que em muitos escritos antropológicos seja descrito como um deus masculino. Parece ser que em algumas partes da Iorubalândia, Olokún é adorado como uma “mãe” divina. Contudo, todas as evidências apontam para o fato de Olokún ter sido originalmente concebido como uma divindade masculina.

Olokún mora em um palácio submarino removível, inteiramente feito de coral. O Odu Owaní’shé narra um mito que descreve ter Olokún alguma vez considerado a si mesmo, superior a Olodumaré. Depois de uma grande contenda de ânimos, da qual Olokún, logicamente, saiu perdedor, Olodumaré decretou que Olokún seria acorrentado ao fundo do oceano, donde ele poderia governar. Designou dois mensageiros para que lhe acompanhassem e trouxessem à Terra seus desejos: Yemojá Ibú Asesú e Ibú Ashabá. Provavelmente por isto, na religião Lukumi, Olokún é muitas vezes chamado de Yemojá-Olokún.

Olokún é um orisha muito enigmático, altamente respeitado, por vezes temido, em razão de sua ira ser grande e incontrolável. Em casos extremos ou quando ocorrem maiores holocaustos, pode determinar que suas oferendas sejam realizadas em alto mar. A maioria dos Olorishas teme realizar este ritual, porquanto se acredita que, finalizada a cerimônia, algum dos participantes, certamente, morrerá. Olokún não possui qualidades.

Orishas menores e Orishas cujo culto está ligado ou depende de um Orisha maior.

Orisha: Abatán

Sincretismo católico: Nenhum.
Miçangas: Nenhuma.
Ferramentas rituais Arco e flecha.
Sacrifícios: Os mesmos de Erinle
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 7 ou 2

Abatán é o orisha das terras alagadas. Companheiro de Erinle, acredita-se que more nos mangues que precedem o rio em que Erinle é cultuado na Iorubalândia. Em Cuba, Abatán é recebido e propiciado juntamente a Erinle e não possui um culto que lhe seja próprio. Muitos sacerdotes consideram Erinle como médico e Abatán, uma espécie de enfermeiro ou ajudante.

Orisha: Aroní

Sincretismo católico; Nenhum.
Celebração: 31 de Dezembro.
Vestimenta: Sem cores específicas.
Miçangas: Nenhuma.
Ferramenta ritual: Nenhuma.
Sacrifícios: Bodes, tartarugas e galos.
Tabus: Nenhum.
Número ritual: 7

Aroní é um orisha que trabalha próximo de Osayín e de Ayá. É descrito como uma criatura fenomenal com cabeça e rabo de cachorro e corpo humano que se mantém ereto sobre sua única perna. Acredita-se que Aroní instrua seus discípulos em todos os mistérios da floresta. Quando Aroní escolhe um estudante, o indivíduo desaparece inexplicavelmente na floresta por um período indefinido. Depois de ter adquirido o conhecimento necessário, Aroní retorna o indivíduo ao mundo, provendo-o de um pelo do seu rabo como evidência do seu treinamento.

Orisha: Oké (Oqué)

Sincretismo católico: São Roque.
Celebração: Nenhuma. Seu dia é observado com o de Obatalá.
Miçangas: Nenhuma.
Ferramenta ritual : Nenhuma.
Sacrifícios: Cabra, bode, galos, pombos brancos e galinhas d’Angola.
Tabu: Azeite de dendê.
Número ritual: 16

Oké é o orisha da montanha e das colinas. Representa longa vida ou imortalidade. Oké é um orisha fúnfún e um companheiro inseparável de Obatalá.[i][1] Oferendas para este orisha são normalmente postas na base de uma colina ou montanha. Em casos extremos, sacrifícios devem ser oferecidos a Oké no topo da montanha. Oké é adorado conjuntamente a Obatalá e não possui omós, nem qualidades.

Orisha: Korinkoto

Miçangas: Azuis “royal”, ambarinas e pretas.
Ferramenta ritual : Um irawó — um prato metálico com aproximadamente 5 ou 6 polegadas, com a forma de uma estrela e uma longa faixa saliente de um lado, simulando o rastro deixado por uma estrela cadente.
Sacrifícios: Bodes, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 3 e 7

Korinkoto e o irmão de Orishaokó, também relacionado à agricultura e às colheitas. Acredita-se que Orishaokó cuida dos campos durante o dia e Korinkoto durante a noite. Junto à uma entidade chamada shigidí, um tipo de Eshú, Korinkoto representa os mistérios desconhecidos e encravados nas profundezas da terra. Não possui iniciados diretos, nem qualidades.

Orisha: Ogé (Ogué)

Sincretismo católico: Santa Filomena.
Celebração: – .
Miçangas: Nenhuma.
Ferramentas rituais: Dois chifres de touro ou de búfalo.
Sacrifícios: Pombos, embora algumas linhagens sacrifiquem a Ogé os mesmos animais sacrificados para Shangó em simultaneidade com os sacrifícios para este último orisha.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 2, 6

Ogé é o orisha da direção, guiando as pessoas pelos caminhos da vida. Representado por um par de chifres de boi ou de búfalo, Ogé é encontrado nas florestas e savanas. Acredita-se que este orisha tenha sido um peão de Oyá. Houve uma vez em que Oyá desobedeceu Shangó e incorreu em sua ira. Como prova de paz, ela lhe ofereceu numerosos presentes, entre os quais estava incluído Ogé.

Orisha: Ibejí

Sincretismo católico: São Cosme e São Damião.
Celebração: 27 de Setembro.
Vestimentas: Os Lukumis vestem os eré Ibejí— bonecos ou talhas de Ibejí — de vermelho e azul.
Sacrifícios: Frangos e pombos.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 2, 4, e 8

Na Iorubalãndia, a adoração de Ibejí foi dedicada a propiciar o nascimento e a encarnação de espíritos de gêmeos. Ibejí é o orisha padroeiro dos gêmeos. Ainda, Ibejí é também um culto ao nascimento de gêmeos, em que se paga tributo à mãe e aos filhos, e especialmente no caso em que um ou ambos os gêmeos morrem durante ou após o parto. Por razões inexplicáveis, a maior incidência de nascimentos de gêmeos no mundo inteiro, precisamente ocorre entre os iorubas.

O primeiro gêmeo nascido chama-se Taiwó — saia e prove o mundo. O segundo gêmeo chama-se Kehindé — eu seguirei. Se o primeiro indicar ao último que a vida e uma atividade prazerosa, Kehindé segue o seu exemplo e nasce. Taiwó é considerado o mais jovem dos Ibejí e Kehindé é o mais velho dos dois.

A tradição sustenta que o primeiro par de Ibejí a nascer, foram filhos de Shangó e Oshún, e foram por Yemojá. Ibejí são considerados seres muito poderosos. Um mito Creole narra com detalhes uma vez em que os Ibejí fizeram o diabo de tolo. De fato, são “orishas que estão vivos”. Costumeiramente, não devem ser ordenados tal como nasceram. Contudo, quando o são, Taiwó é ordenado para Shangó e Kehindé é ordenado para Yemojá.

Sempre que os Ibejí se apresentam em wemileres ou bembés, os tocadores de tambor saúdam Ibejí entoando seus cantos e executando seus ritmos e lhes oferecem presentes ou dinheiro. Acredita-se que Ibejí retribuirá essas dádivas, multiplicando-as de muitas maneiras.

Orisha: Ainá

Sincretismo católico: Nenhum.
Celebração: Nenhuma
Vestimenta: O eré de Ainá é vestido inteiramente de vermelho.
Miçangas: Usam-se um tipo de miçangas chamadas “coração branco”, porque são vermelhas por fora e brancas por dentro.
Sacrifícios: Galos, pombos e galinhas d’Angola.
Números rituais: 6 e 12

Ainá é a orisha patrona das crianças nascidas com o cordão umbilical ao redor do pescoço. Em Cuba, ela também é considerada a “mãe” dos Ibejí por ser o principal orisha de um panteão que rende homenagem ao fenômeno do nascimento. Os Lukumis falam acerca de sete Ibejí: Ainá, Taiwó, Kehindé, Idowú, Olorí, Oroniá, e Alaba. Ainá é a divindade que preside esta legião.

Ainá está também associada ao fogo. Ela permite que Shangó possa lançar fogo pela boca quando fala. Os devotos de Ainá, crianças nascidas enroladas pelo cordão umbilical, são ordenadas para Shangó.

Orisha: Oranyán (Oroiña)

Sincretismo católico: Nenhum.
Celebração: Nenhuma.
Miçangas: Rosas e opalinas multicoloridas, enfeitadas com coral
Ferramenta ritual: Nenhuma
Sacrifícios: Cabra castrada, bode, bezerros, galos, codornas, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 7 e 16

Oranyán é um dos filhos de Oduduwá, considerado o pai de Dadá, Shangó e Aganjú. De acordo com a mitologia, foi o filho de uma mulher que Ogún trouxe de terra distante onde ele havia lutado. Quando Oduduwá viu a mulher, imediatamente se sentiu atraído por ela e exigiu tê-la. Algum tempo depois, nasceu Oranyán. Era metade negro, como Ogún, e metade branco, como Oduduwá. Na Iorubalândia, durante o festival de Oranyán, seus sacerdotes pintam o corpo neste padrão.[ii][2] Oranyán tornou-se um grande guerreiro. Depois do falecimento de seu pai, ascendeu ao trono. Passado o tempo, tornou-se tão cansado das lutas que, decidiu retirar-se às profundezas da terra, donde continua a reinar.

Oranyán é considerado o centro da Terra e a força que a mantém girando através do espaço. Seus sacrifícios sempre são efetuados em conjunto aos de Ilé — a Terra. Os Lukumis associam Oranyán com Aganjú. De fato, muitos Olorishas chamam Aganjú pelo nome do seu pai. Muitos Olorishas não o reconhecem como um orisha individualizado e insistem em que Oranyán e Aganjú são o mesmo. Oranyán não possui omós, nem qualidades.

Orisha: Boromú.

Sincretismo católico: Boromú é sincretizado com São Elias.
Celebração: 20 de Julho.
Miçangas: Brancas e pretas, com madrepérolas, corais e marfim.
Sacrifícios: Bodes, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 4, 7, e 8

Orisha: Borosiá

Sincretismo católico: Nenhum
Miçangas: 1. Brancas e rosas, com madrepérolas, corais e marfim, 2. Amarelas e verdes, em grupos de quatro.
Sacrifícios: Bodes, galos, pombos e galinhas d’Angola., todos brancos.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 4, 7, e 8

Boromú e Borosiá são dois orishas Egbado e formam parte dos orisha fúnfún ou divindades brancas associadas a Obatalá. Acredita-se que sejam gêmeos nascidos de Yewá. O pai destes orishas poderia ser Orúnmilá, porém, em Cuba, os Olorishas sustentam que é Shangó. Estão estreitamente ligados aos cultos de Oduduwá, Olokún, Erinle, e Yewá. Acredita-se que Yewá, ao saber de sua gravidez, sentiu-se tão embaraçada que tentou provocar um aborto.

Orisha: Yemowó (Yembó, Yemó, Yemú)

Miçangas: Brancas e azul- turquesas, com madrepérolas, corais brancos e marfim.
Sacrifícios: Ovelhas, galos, pombos e galinhas d’Angola, todos brancos.
Tabus: Não se pode lhe sacrificar usando uma faca; promiscuidade sexual.
Número ritual: 16

Yemowó é a esposa de Babá Furúrú (também conhecido como Alamoreré), o Obatalá escultor creditado como criador da humanidade. Os Olorishas consideram-na uma qualidade de Yemojá relacionada a Obatalá, e a cultuam separadamente de Yemojá. Acredita-se ser a mãe de Ogún, e um mito conta que após o estupro incestuoso de sua mãe, Ogún condenou a si mesmo a viver na floresta e a trabalhar incessantemente para beneficiar e compensar a humanidade. Depois do ocorrido, Obatalá recusou-se a ter mais filhos. Logo depois, quando Orúnmilá nasceu, ele foi imediatamente levado à floresta, enterrado até a cintura e ali abandonado para que morresse. Mas, quando nasceu Shangó, Yemowó negou-se a puní-lo da mesma maneira que a Orúnmilá. Ela o entregou a Dadá para que o criasse e ocultasse aquele nascimento de Obatalá, contando a este que a criança tinha morrido após o nascimento.

Este mito explica por quê Yemowó recusa qualquer associação com Ogún. Da mesma maneira que Naná Burukú, seus sacrifícios não podem ser executados com faca de metal. Um pedaço afiado de madeira ou de vidro, substitúem a faca.

Orisha: Ogán

Sincretismo Católico: São Tiago.
Celebração: 16 de Agosto.
Miçangas: Brancas, intercaladas a intervalos com contas vermelhas.
Ferramenta ritual: Uma cimitarra.
Sacrifícios: Bodes, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Sendo um orisha fúnfún, possui os mesmos tabus que Obatalá, ainda que por vezes se lhe ofereça azeite de dendê.
Números rituais: 1, 8, e 16

Ogán é um orisha fúnfún, considerado o comandante de Ajáguna. Muitos Olorishas consideram-no um tipo de Elegbá para Ajáguna. Duas outras divindades menores, Obón e Oboní, acompanham-no. Não existe iniciação para Ogán.

Orisha: Agidaí

Sincretismo católico: São Bartolomeu.
Celebração: – .
Miçangas: Brancas.
Ferramentas rituais: Um cajado em forma de “T” encimado por um galo, com dois braços e duas pernas pendentes de cada extremo da barra horizontal.
Sacrifícios: Bode, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Sendo um orisha fúnfún, possui os mesmos tabus que Obatalá, ainda que por vezes se lhe ofereça azeite de dendê.
Números rituais: 1, 4, 8, e 16

Agidaí é outro obscuro orisha do qual muito pouco se conhece. Com toda probabilidade, devo ter sido o primeiro Olorisha a trazer esta divindade aos Estados Unidos. Recebi-o de Miguel Villa, Oké Bí, um Oní Shangó morto no começo dos anos 90. Oké Bí contou-me que este orisha é o patrono dos Obás Oriatés e que promove o desenvolvimento do afudashé — ashé da fala — uma habilidade profética indispensável para que o adivinho consiga que suas predições, efetuadas através de ita, venham a ter propósito. Ademais, Oké Bí me disse que Agidaí é um importante orisha para combater epidemias, e descreveu o ebó indicado para Agidaí nessas situações.

Ainda que não se tenha esclarecido donde Oké Bí recebeu este orisha, é possível que tenha origem Arará, uma vez que há um vodún cultuado pelos Ararás pertencente à família de Makeno, o equivalente de Obatalá, chamado Agidaí.

Orisha: Irokó (Irocó)

Sincretismo católico: Nossa Senhora da Imaculada Conceição.
Celebração: 8 de Dezembro
Miçangas: Verdes e turquesas, com ornamentos em vermelho, rosa e coral.
Vestimenta: Branca com adereços verdes e dourados.
Ferramenta ritual: Um cajado pintado ou revestido de contas com suas cores rituais.
Sacrifícios: Carneiro, bodes, bezerros castrados, tartarugas, codornas, galos, perus, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 7 e 8

Irokó é o orisha da abundância e prosperidade. Acredita-se que more na árvore irokó —teca da África Ocidental — mas devido à inexistência desta árvore em Cuba, foi associado com a Ceiba (Ceiba pentandra, L.). Muitos Olorishas plantam esta árvore em suas casas por ser considerada uma das árvores mais respeitadas, com grandes poderes esotéricos. Supõe-se que todos os orishas se reúnam em suas raízes, ainda que especialmente associada a Shangó, Aganjú, Oduduwá, Obatalá, e Egúngún. Quando Irokó é cultuado na base da Ceiba, a árvore é ornamentada com almofadas de diversas cores, com mariwó— folhas do dendezeiro, e outros objetos. Muitos alimentos cozidos, são oferecidos às divindades na base desta árvore.

Há somente um caso conhecido de ordenação para Irokó em Cuba. Modesta Morera, Alaraba. Foi ordenada para Irokó através de Yemojá (Yemojá oro Irokó) pelo falecido Cheo de Shangó, Shangó Larí, em Matanzas, na década de 1950. Desde então, não houve outra ordenação.

Orisha: Olosá

Miçangas: Azul escuras e, verdes, com opalas e coral.
Sacrifícios: Carneiros, ovelhas, patos, galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 7, 9

Olosá é a esposa de Olokún. É a deusa da lagoa e seus mensageiros são os crocodilos. Na Iorubalândia, é adorada nas lagoas de Lagos que precedem à costa Atlântica. Ali é onde são levadas suas oferendas. Se os crocodilos as consumirem, o orisha aceitou-as. Olosá não possui qualidades.

Orisha: Ayarokotó

Miçangas: Azuis e brancas.
Sacrifícios: Galos, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum.
Número ritual: 7

Esta orisha é filha de Yemojá e outra mensageira de Olokún. É encontrada no horizonte, onde o mar encontra-se com o céu. Acredita-se ser a arauto de Olokún que previne a humanidade acerca da ira de Olokún, antes que uma onda sísmica ocorra. È o som estrondoso que precede a onda sísmica. Parte dos instrumentos de Ayarokotó é mantida na casa do Olorisha e a outra é sepultada na praia.

Orisha: Otín (Oti)

Miçangas: Azul escuras e azul-turquesas, com coral em abundância.
Sacrifícios: Galos brancos.
Tabus: Zombar de seus seios.
Número ritual: 7

Otín é uma orisha relacionada com Erinle e Yemojá. Um mito reconta que ela possui quatro seios, e salienta que esse é um grande tabu que não deve ser mencionado em sua presença, pois representa uma ofensa para ela. Acredita-se ter sido uma rainha muito poderosa, contudo sensível, que se desencantou com a falta de respeito de seus serventes, cometendo suicídio no rio de Erinle. Entre os Lukumis, a talha de uma mulher carregando uma jarra de barro sobre sua cabeça, é utilizada para representar Otín.

Orisha: Ibú Ayé (Ayé Ochún)

Miçangas: Todas em coral.
Ferramenta ritual: Uma lira
Sacrifícios: Galinhas, pombas e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 3, 5

Ibú Ayé é uma Oshún muito jovem. Considerado um orisha independente, acredita-se que seja a guardiã das riquezas de Oshún, para distribuí-las somente quando assim for instruída por Oshún. É representada por cinco cauris atigrados e é cultuada ao lado de Oshún.

No Odu Ogundá mejí, Ogún deu-lhe os cinco cauris atigrados— ayé— como presente para Ibú Apará com o propósito de conquistar o coração de Oshún. Ele prometeu que aqueles ayés trariam grande prosperidade a Oshún e a satisfação de todos os seus caprichos e desejos. Oshún aceitou o presente, morou com Ogún por algum tempo, porém, eventualmente o abandonou por Shangó.

Orisha: Idowú (Ideú)

Sincretismo católico: O menino que Nossa Senhora de la Caridad carrega em seus braços.
Miçangas: Ambarinas, amarelas e de coral.
Sacrifícios: Frangos novos e pombos.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 2, 4, e 5

Idowú é a criança nascida imediatamente após os gêmeos. Acredita-se ser o favorito de Oshún. Todas as crianças nascidas imediatamente depois do nascimento de gêmeos, são consagradas para Idowú e devem ser iniciadas no culto a Oshún. Um patakí do Ejiogbé mejí descreve como ele salvou Oshún da devastação absoluta. Junto com Ibú Ayé e Logún Edé, Idowú guarda as riquezas de Oshún.

Este orisha, também está relacionado com desequilíbrios emocionais. Quando os Olorishas atendem um indivíduo que possa ter problemas sentimentais, podem lhe prescrever que faça alguma oferenda para Idowú. Seu eleké é confeccionado curto, de maneira que, usado pelos devotos, alcance aproximadamente a altura do coração. Idowú, em muitos aspectos pode ser chamado de Cupido Lukumi. Não possui qualidades.

Orisha: Ajeshaluga (Kowo, Cobo)

Ferramentas rituais: Cauris.
Sacrifícios: Pombas brancas.
Tabus: Nenhum.
Número ritual: 8

Ajeshaluga é mais conhecida como Kowo, a causa do tipo de concha utilizada em seu culto, chamada em Cuba de “cobo”. É a deusa da riqueza, é cultuada no mercado e é a padroeira de todas as transações comerciais. Em alguns mitos é descrita como filha de Olokún e em outros, como uma de suas esposas.

Esta é uma divindade importante, tal como enfatiza o provérbio Lukumi: kó ajé, kó orisha — sem dinheiro não pode haver orisha. Não possui qualidades.

Orisha: Oshumaré

Sincretismo católico: São Bartolomeu.
Celebração: – .
Vestimenta: Usa todas as cores em suas vestimentas, ainda que o amarelo-dourado e o verde sejam as mais importantes.
Miçangas: Amarelas, rajadas de preto; verdes, ornamentadas com vermelhas e azul-esverdeadas.
Ferramenta ritual: Usa uma serpente alongada, à semelhança de um cetro, que brande enquanto dança.
Sacrifícios: Bodes, carneiros, tartarugas, galos ,pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Nenhum.
Números rituais: 7 e 12

Oshumaré é o orisha do arco-íris. Está especialmente associado com Shangó, e ajuda-o a manter a harmonia do meio ambiente, retornando aos céus a chuva que Shangó, Oyá, e Yemojá mandam durante as tormentas para saciar a sede da terra. Deste modo, Oshumaré representa a continuidade da vida na Terra — o guardião da vida humana— como se evidencia na representação do orisha, uma serpente enrolada comendo a própria cauda. Durante a possessão, Oshumaré aponta seu cetro-serpente ao céu, como se provocasse Shangó a enviar a chuva.

Um mito do odu Ejiogbé Oyekún relata que uma vez, quando Olorún ficou doente, Oshumaré foi o único adivinho capaz de curar as moléstias de Olorún. Desta maneira, Olorún reteve-o em sua companhia, permitindo-lhe visitar a Terra quantas vezes quisesse, porém, somente sob a condição de algum dia retornar ao seu lado. Quando o arco-íris visita a Terra, seremos abençoados e nos apresarmos em interagir com ele, antes que Olorún o chame logo de volta à casa.

Estes orisha foi perdido em Cuba na primeira metade do Século XX. Seus instrumentos não foram mais consagrados, e não se possui conhecimento sobre este orisha, mesmo nas áreas da ilha em que foi conhecido nos anos 40 e 50. Inexplicavelmente, Oshumaré—tal como o arco-íris—tem reaparecido em Cuba nos 90, através da “magnífica” (!) instituição que rotulei de “diplo-santeria”, e que pode ser consagrado a qualquer extranjero­— estrangeiro— disposto a pagar em moeda corrente!

Orisha: Logún Edé (Laro)

Sincretismo católico: São Expedito.
Celebração: – .
Vestimenta: Azul-turquesa e amarela, com adereços dourados.
Miçangas: Azul-turquesas e ambarinas, com corais.
Ferramentas rituais: Vara de pescar; arco e fecha e leque de bronze.
Sacrifícios: Bodes ou cabras, ou bodes castrados, galos, galinhas, pombos e galinhas d’Angola.
Tabus: Azeite-de-dendê.
Números rituais: 5, 7

Logún Edé é mais conhecido em Cuba como Laro. Divindade andrógina, Logún Edé é o filho da qualidade de Oshún chamada Ibú Ipondá, e de Erinle. Acredita-se que durante os primeiros seis meses do ano, Logún Edé seja masculino e more nas florestas, caçando junto ao seu pai. Durante os seis meses restantes, Logún Edé é feminino e mora no rio com Oshún, numa dieta de peixe d’água doce e camarões. Logún Edé significa “Aquele que caça camarões”.

Logún Edé é o guardião das riquezas de Oshún e da abundância de Erinle. Yemojá é sua protetora. Logún Edé é o protetor dos marinheiros e é representado por um peixe marinho. Acredita-se que more onde o rio e o mar se encontram. Os rituais de iniciação e o culto deste orisha foram perdidos em Cuba. Não há iniciações neste culto.

Um patakí do Odu Odí Otura narra o mito das origens misteriosas de Logún Edé, decrevendo-o erroneamente como homossexual. O mito diz que ele foi iniciado no Ifá durante seu semestre masculino, vivendo como mulher de Orúnmilá durante seus meses femininos. Por causa disto, os Babalawos mantêm que homossexuais não devem ser iniciados no Ifá. Não possui qualidades. Este é outro orisha cuja adoração foi perdida em Cuba e que tem reaparecido recentemente nos mercados da “diplo-santeria”.

Orisha: Ayáo (Oyaó)

Vestimenta: Carmesim.
Miçangas: Alguns Olorishas usam contas marrom-avermelhadas, rajadas de amarelo e vermelho.
Ferramenta ritual: Cano de pena.
Sacrifícios: Pombas e galinhas d’Angola.
Tabu: Carneiros
Número ritual: 9

Oyáo é a irmã mais nova de Oyá, a quem serve de mensageira e assistente. Foi através de Ayáo que Oyá obteve domínio sobre afefé, o vento. Ayáo possui o segredo dos ventos e redemoinhos que são sua manifestação principal. É consagrada exclusivamente para os omós de Oyá e mora junto a esta. Parece ser que o conhecimento deste orisha está limitado à cidade de Jovellanos, na Província de Matanzas, onde está associada com Oyá e Olokún. Nesta cidade, Ayaó é conhecida por ter possuído uma Olorisha chamada Benita Cartalla. Em outros lugares, Ayaó é desconhecida. Recentemente, tornou-se um dos orishas vendidos no mercado da “diplo-santeria”.

[1]Todos os orisha fúnfún— divindades brancas— estão relacionadas com Obatalá. Como Obatalá, todos vestem roupas imaculadamente brancas, e seus paramentos, oferendas, animais sacrificiais e contas, também devem ser brancos. Com poucas exceções, todos observam o tabu ao azeite de dendê, ao licor e ao sal.

Órgãos e áreas do corpo humano sob controle dos orishas

Área/ÓrgãoOrishaÁrea/ÓrgãoOrisha
CérebroObataláOuvidoOba, Obatalá
OlhosNaná BurukúNarizOlodumaré, Obatalá
LínguaShangó & OyáGargantaAganjú & Naná Burukú
Cordas vocaisObatalá & OyáCoraçãoObatalá & Oshún
PulmõesOyáSeiosYemojá & Oshún
VeiasOshún & Babaluaiyé EstômagoOshún, Obatalá, & Naná Burukú
SangueOshún & BabaluaiyéWomb
Ventre
Oshún & Yemojá
OváriosOshúnPênisElegbá, Ogún, Shangó & Orishaokó
NádegasYemojá & ElegbáTestículosOrishaokó & Aganjú
PésElegbáJoelhosElegbá & Ogún
MãosObataláPeleObatalá & Babaluaiyé
BraçosAganjú & OgúnPernasElegbá & Aganjú
MúsculosAganjú & OgúnVaginaYemojá, Oshún, & Obatalá

Bibliografia

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Ifa: An Exposition Of Ifa Literary Corpus. Ibadan, 1976.
Ifa Divination Poetry. New York: Nok Publishers, Ltd. 1977.
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Angarica, Nicolas V.
Manual del Orihate (religion Lucumi). Habana, n.d.
Awoniyi, Timothy A.
“The Word Yoruba.” Nigeria 134‑35, 1981.
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The deities or gods worshipped in Lukumí religion are called orishas. All the orishas are direct emanations and representatives of Olodumare whom He created and placed on earth to aid and supervise humankind. The orishas serve as mediators between the cosmos and as the major means of communication with the Supreme Being.

Each divinity is related to some aspect of nature, as well as in charge of some element of human existence. The orishas can represent all the virtuous qualities of the divine and sacrosanct, yet the orishas are also human‑like in their characters and mannerisms. They are celestial, yet they are worldly too. Some orishas are categorized as serene, calm or placid in their character and their relationship with humankind. Others tend to be very human: hot‑headed, whimsical, or erratic at times, while gentle, rational, caring, and generous at others. A very old Olorisha in Cuba once spoke of Yemojá and her priests, in their character, as being “…like the tide: sometimes high, sometimes low.” This may very well apply to all the orishas.

These human‑like attributes of the Lukumí orishas play a very important role in the development and continuity of the religion. These are deities to which human beings can relate. They have virtues and they have flaws. The orishas are not perfection or excellence personified. This places them on a level that the devotee can relate to and employ to understand and accept his or her own virtues and flaws; thereby creating a bond between deity and devotee that is built on a personal relationship and identification with an orisha.

The exact number of orishas worshipped by the Yoruba is difficult to calculate. Estimates place the number at 401, yet this figure lends itself to speculation. In Yorubaland there are a series of orishas that are recognized and worshipped by all followers of Yoruba religion, and some orishas, which are only known and worshipped in particular towns or villages. In the New World, the more widely‑known divinities were able to retain their following, while the regional orishas made their presence felt on a lesser scale, resulting in either their eventual loss, or a loss of the patterns of worship of the deity.

Many orishas were able to survive the trans‑Atlantic voyage and reinstate themselves in Cuba. Yet adaptation was necessary in order to ensure survival. In Cuba, the functions served by an orisha or the roles it carried out had to have a place within the structure of the island and its society. Orishas that were no longer practical or necessary in the new setting were forgotten, diminished in rank or status, or incorporated into the “roads” or avatars of other major deities with whom they shared similarities. The “stronger” orishas absorbed the “weaker” ones. As a result, initiation into the cults of certain orishas is performed through the “stronger” deities, in ceremonies called “oros.” A priest of Aganjú is ordained through Shangó, labeling the initiation as Shangó with “oro” for Aganjú. Erinle is made through Yemojá: Yemojá “oro” for Erinle.

Those regional orishas that survived and retain some following are not worshipped as widely or as frequently, and knowledge about them is not as widespread throughout the island. This, with the passage of time, has resulted in the loss of orishas that survived slavery, yet were not able to survive the effects of time. A good example of this is Oshumaré, the rainbow divinity, lost in Cuba after the death of the last priestess knowledgeable in its worship and rituals, during the mid twentieth century. This partial survival also rationalizes the discrepancies and the wide divergence of sometimes-conflictive information devotees offer about the aspects and worship patterns of these divinities.

There are two principal categories of orisha: those that have existed from time immemorial, which for the purposes of the present shall be labeled “celestial,” and those orishas who were actual people or historical heroes, deified and elevated to the status of orisha after their death, which shall be referred to as “terrestrial” orishas. In some cases, (e.g. Jakutá and Shangó; Oduá and Oduduwá) these deified ancestors actually usurped the worship of older deities and conformed to the established worship system for the elder orisha.

In Cuba, the orishas also went through a transformation process that may have either altered their position in the pantheon, changed their character or personality, eliminated, diminished, or increased their natural dominions, or even attributed elements that were not essentially Yoruba. Oshún, a river divinity in Yorubaland, becomes the sole “owner” of the river in Cuba. Yemojá, worshipped principally in the Ogún River, becomes the “owner” of the seas. Oduduwá, because of his syncretism with Saint Manuel, becomes the “king of the dead.” Erinle is transformed into the “divine doctor,” a role attributed by Catholics to Saint Raphael. Yewá, a lagoon and river orisha, is transplanted to the cemetery.

Also as a result of the syncretic processes, the orishas are often referred to as “santos,” and initiation into the cult of an orisha is termed as “hacer santo—making the saint.” The annual celebrations held for the orishas actually take place on the anniversary of the Catholic saint with which it was identified. In Cuba, it is not uncommon to see “tronos,” the shrines or altars set up for rituals and celebrations, that contain both the Yoruba symbols and recipients for the orisha as well as the sculpture of the Catholic saint. Also not uncommon is the use of certain paraphernalia related with the Catholic saint to ornament the Lukumí orishas. Lukumí Shangó’s frequently have swords placed among their implements, an article that is attributed to Saint Barbara with whom he was paralleled. A road of Obatalá called Oshalufón, paralleled with the Holy Sacrament, usually has a silver chalice placed before him made to resemble the lithograph of the Holy sacrament. Obá Moró, juxtaposed with Jesus of Nazareth, uses a crown made out of thorns and silver replicas of Christ’s Passion. Although the worshippers clearly distinguish the Lukumí orisha from the Catholic saint, it is irrefutable that syncretism has taken its toll.

A series of myths or patakí also arise which help to explain the transformations that took place in Cuba. An excellent example is the myth that recounts a love affair between the caste Yewá and the sensual and promiscuous Shangó:

Yewá was a daughter of Oduduwá. She was the most beautiful woman to ever walk the face of the earth; the fairest flower in Oduduwá’s garden. In her father’s eyes, Yewá symbolized perfection. At one point, Oduduwá made her promise that she would never marry, vowing to remain virgin and pure (in body and thought) for all eternity. As the story spread and word of her beauty got out, Shangó said “Ha! There’s no woman in the world that can resist me. Let’s just see how faithful Yewá truly is to her vows!” Shangó set out to conquer Yewá. One day, while visiting Oduduwá’s palace, Shangó passed under Yewá’s window and, amazed by her beauty, figuratively violates her with his glare. Yewá, who noticed the gallant warrior, feels moved by his hypnotic gaze, and immediately fell madly and passionately in love with Shangó.

This encounter was sufficient for Yewá to feel that she had violated her promise to her father. As a result, she confesses her sin, and condemns herself to withdraw to a place where she could live in complete solitude for the duration of eternity. This is why Yewá lives in the cemetery.

The orishas have likes and dislikes. Each one has its particular preference for the color that is used in its worship and all the attributes, beads (eleké), and related paraphernalia must conform to this code. Each orisha also has preferences in the animals it receives in sacrifice, and some have food and behavioral taboos, which the worshippers make a point of never violating for fear of incurring the offense of a divinity. Also, each orisha has a number related with its worship, which serves to regulate the number of items given to them in offerings by the devotees. Some orishas require particular dress codes before them, moderation in speech, forbid foul language in their presence or place taboos on sexual intercourse or promiscuousness.

The following description of the Lukumí orishas, takes into account the characteristics, roles and attributes of each orishas from both a Yoruba and a Lukumí perspective. It is meant to be a very basic description of the orishas, nothing more. Because I am not fluent in Yoruba, the names of the orishas are written employing the anglified or Westernized Yoruba spelling used by past scholars, and not proper Yoruba.

Orisha: Eshú-Elegbá (Elegguá)

Catholic Syncretism: Holy Child of Atocha
Celebration: June 3
Garments: Red, black, and white
Beads: Red & black; white & black; Red, white, & black
Ritual implement: A garabato—a type of hook, usually made with the wood of the guava tree
Sacrifices: He-goats, agouties, turtles, chickens or young hens, and roosters
Taboos: Palm kernel oil, it is forbidden to whistle in the home where Elegbá lives
Ritual Numbers: 3, 7, 11, or 21

Elegbá opens and closes every religious act. He is found at crossroads and corners, in the mountain, the seashore, the river, the curb of the sidewalk, or at the door or our homes. Elegbá is everywhere. He is present wherever there exists a human manifestation, observing everything that occurs, both good and evil, in order to report to Olorún. One can say that Elegbá serves as Olorún’s eyes on earth.

Elegbá lives centered between the forces of good and the forces of evil. When one behaves according to Divine law, he manipulates the forces of good, ire, and grants blessings. If, on the contrary, one behaves unduly, he opens the path for the evil forces such as ofo, ikú, arún, eyó (loss, death, disease, tragedy) amongst others and due punishment is rendered.

Some roads of Elegbá are Eshú Bí—in charge of distributing the chores among his comrades; Eshú Ayankí (Añaguí)—lives at the shores of the ocean and is the origin of all Elegbá; Eshú Lagbana who lurks in solitary places; Eshú Laroyé—the Eshú of mischief; Eshú Merinlayé— Eshú of the crossroads; Eshú Ayé—the sorcerer; Eshú Baralainye (Baralaiñe)—companion of Shangó that “keeps” the secret of Shangó’s fire; Eshú Awanilegbé—provides food for Ogún.

Orisha: Ogún

Catholic Syncretism: Saint Peter
Celebration: June 29
Garments: Crimson; lately green, black, and red are gaining popularity as Ogún’s garment’s color
Beads: Green & black; green, black, & red; brown & black
Ritual implement: Machete
Sacrifices: He-goats, dogs, agouties, turtles, roosters, pigeons, guinea hens, and any hunted animals
Taboos: None
Ritual Numbers: 3, 7, and 21.

The god of iron and war. Ogún is the patron of the blacksmith and all those whose job places them in contact with iron or metals. Today, all things made out of iron or its derivatives, belong to Ogún. This is the reason why in our industrialized societies Ogún is related to railways, airplanes, automobiles, trucks, and anything made out of metal. Ogún represents and executes Olorún’s justice on earth. According to most sources, the Yoruba worship and respect for Ogún is such that traditional priests, when testifying in court, instead of swearing with their hand placed on a bible as the Christians do, swear over a piece of iron. This practice is accepted and recognized by Nigerian courts, aware of the Yoruba respect for Ogún and their fear of his anger.

Some of his roads are Arere—the butcher; Alagbedé—the blacksmith; Shibirikí—the architect; Onile—the king who abandoned the throne for the call of the hunt; Tenshowé—Ogún of agriculture, close friend of Orishaokó.

Orisha: Oshosi (Ochosi)

Catholic Syncretism: Saint Norbert
Celebration: June 6
Garments: Dark Blue and gold, ornamented with hides and cowries
Beads: Dark blue, amber, & red, with coral and jet beads
Ritual implement: Bow and arrow
Sacrifices: He-goats, deer, agoutis, roosters, quails, pigeons, guinea hens, and all hunted animals.
Taboos: None
Ritual Numbers: 3, 7, and 21

Oshosi is the orisha of hunting. He protects all those who are persecuted unjustly and punishes the guilty. Close friend of Elegbá and Ogún: they share many of the same domains. Fugitive slaves would plea to Oshosi, seeking his aid to escape from their white masters. They invoked Oshosi so he would impede their being found since Oshosi is known to have the ability of going into the densest of forests and finding his way out without the slightest difficulty. Yet Oshosi does not live in the forest.

Though Oshosi enters the forest, he does so only to hunt. Oshosi is an urban orisha, residing in Obatalá’s compound. He was Obatalá’s favorite hunter and rendered all the fruits of his labor to the creation divinity. Most of his life was spent in the service of Obatalá and living within his palace and not in the forest.

Oshosi was the first Yoruba wizard or magician. The Yoruba word oshó means wizard. The Lukumí often associated him with the Bantú magico-religious practices known in the island as Regla de Congos or Palo Mayombe. As a result, many include a Congo vititi mensu, divinatory instrument prepared and employed by the Bantú priests. Oshosi has no roads.

Orisha: Erinle (Inle)

Catholic Syncretism: Saint Raphael
Celebration: October 24
Garments: Turquoise blue & pink, ornamented with cowries
Beads: Coral, jet beads, and gold; turquoise blue, with coral, yellow, and opal. A metal fish is strung into his eleké (necklace)
Ritual implement: Fishing rod; bow and arrow.
Sacrifices: Ram, sheep, fish, roosters, pigeons, and guinea hens
Taboos: The leaves of the Alamo tree (Ficus religiosa, L.)
Ritual Numbers: 7

Better known among devotees as the “divine doctor,” Erinle is the patron orisha of fishermen, although highly venerated for his knowledge of traditional medicine and herb lore, an art that he shares with his brother Osayín. It is primarily for this knowledge that he is considered a “doctor” or “healer.” Like his brother Oshosi, he is also a patron of hunters. It is said that Oshosi hunts on land, and Erinle hunts in the rivers.

Erinle was a powerful and rich king, highly respected for his mastery of the art of divination. Lukumí oral traditions emphasize that he may have possessed telepathic abilities. Erinle may be found in the river or in the sea, but particularly where these two bodies of water meet. In Cuba, Erinle’s devotees are initiated through Yemojá in a ceremony usually referred to as oro—Yemojá oro Erinle, and her cowries serve as the communicating medium for this orisha, for although he possesses his own cowries, Erinle does not “speak” through his dilogún.

Erinle has no roads.

Orisha: Osayín (Osaín)

Catholic Syncretism: Saint Ambrose or Saint Sylvester
Celebration: December 31
Garments: He has no specific colors
Beads: Beads of all colors, sometimes using bones and pieces of wood
Ritual implement: Gourd
Sacrifices: He-goats, rams, turtles, roosters, quails, pigeons, guinea hens, and all hunted animals
Taboos: Women cannot walk under his gourd. He must not live close to Oyá’s attributes
Ritual Numbers: 7, 21

The traditional healer-orisha who dwells in the forest. All of nature is at his disposal. Osayín is an indispensable orisha, for without his help, worship of the other orishas would not be possible. Without the necessary herbs provided by an Olú Osayín, the consecration of an orisha would be impossible. Osayín is the god of traditional medicine. All herbs the world-over are his property and it is he that provides them for the salvation of humankind. He also shares them with the other orishas.

In Lukumí religion, Osayín has no priests. His followers are identified by the oracles or at birth. Children born with additional fingers are considered true Olú Osayín. Though Osayín’s omó have no true need for ordination, when ordination is a necessity, they are initiated to Shangó and Osayín is consecrated for them. It is believed that Osayín is Shangó’s “godfather,” his greatest and closest ally, who taught Shangó the art of magic, for which Osayín is renowned.

Osayín is considered a mysterious orisha. Phenomenal or grotesque in appearance, he is described as small in size, with only one eye, one hand, one foot, a tiny ear which enables him to hear an ant crawling miles away, and the other, larger than his head, through which he hears absolutely nothing. According to legend, he was not born so. His grotesque appearance is due to a conflict he encountered with Orúnmilá whereby the latter used Osayín’s own magic to disfigure him so.

Orisha: Orishaokó (Orichaocó)

Catholic Syncretism: Saint Isidor
Celebration: May 15
Garments: Red, ornamented with gold trimming. A second version is turquoise and pink, laced with gold trimming
Beads: Turquoise, pink, some red and opal, with coral and jet beads
Ritual implement: Ox-drawn cart and plow
Sacrifices: He-goat, roosters, pigeons, and guinea hens
Taboos: None
Ritual Numbers: 7

Orishaokó is the orisha of agriculture and of the harvest: the tiller of the land. With his plow, Orishaokó impregnates ilé (the earth) and fills her womb with the seeds of her offspring that nourish humankind. Some of his symbols are often phallic. Among his ritual paraphernalia, we find a clay shingle and two small coconuts, painted red and white. The shingle is believed to symbolize the penis while the coconuts are believed to represent the testicles. His aid is often sought in cases of infertility or impotence. Orishaokó lives in both the farmlands and the forest. The children of Orishaokó are initiated through Yemojá, with oro for Orishaokó. He has no roads.

Orisha: Babaluaiyé (Babalú Ayé)

Catholic Syncretism: The popular Saint Lazarus worshiped by millions in Latin America, though not officially recognized as a saint by the Church
Celebration: December 17
Garments: Crimson and burlap
Beads: Colors depend on the road, yet most use a white bead which has blue stripes, adorned with cowries and jet beads
Ritual implement: The já, a broom-like scepter, made from the spines of the sprouting leaves of the coconut palm
Sacrifices: He-goats, quails, roosters, pigeons, and guinea hens
Taboos: Sesame seeds and peanut shells
Ritual numbers: 7, 17

The orisha of smallpox, leprosy and all contagious diseases, and in general, the deification of disease. To many, Babaluaiyé is the Divine wrath of Olodumaré. Once liberated, he is often uncontrollable. In Africa this orisha is respected and feared because he is believed to cause great epidemics. In Cuba, partly influenced by the parallelization with Saint Lazarus, he is sought to assail disease and epidemics.

It seems that in Cuba the Arará were more versed in the rituals of this orisha than the Lukumí, even though it is believed that the Babaluaiyé worshipped in Dahomey migrated there from Yorubaland.

Babaluaiyé is considered the patron of the poor and desolate. He usually wanders alone through the forests. In some Yoruba towns, when he enters the city, water is cast outdoors to appease his wrath. In Cuba, when Babaluaiyé’s chants are sung in a wemilere or bembé, water is poured on the ground and all those present wet the tip of their fingers in the water and then anoint the foreheads with it. In Matanzas, Babaluaiyé’s omó are ordained directly into his worship, however this is not the case in Havana. There the omó is either ordained through Yemojá or ordained to Obatalá after consecrating Babaluaiyé.

There are two female orishas related with Babaluaiyé: Nanúme—his mother, and Naná Burukú—his wife (detailed ahead). The former is associated with the containment of contagious diseases as well, and especially with skin sores or lesions. She is also associated with cancer and is believed to keep the disease from spreading. Nanúme receives sacrifices of she-goat, hens, pigeons and guinea hens. She dresses in black and burlap, and is paralleled with Saint Martha. Nanúme does not identify any direct omó.

Orisha: Dadá & Bayaní (Ibañálé, Abañálé)

Catholic Syncretism: Our Lady of the Rosary and Saint Raymond Nonato
Celebration:
Garments: White with red trimming
Beads: White and red, ornamented with cowries
Ritual implement: Crown made with a calabash, studded with beads and cowries
Sacrifices: Young ram, pigeons and guinea hens (some lineages sacrifice roosters)
Taboos: None
Ritual Numbers: 4, 6, and 12

Dadá is the god of unborn children. He is one of the orishas that is related with the development and care of the human embryo. Children born with a tuft of hair in a crown-like manner are believed to be children of Dadá. The Lukumí believe that Dadá is Shangó’s older sibling who reared him. Dadá and Bayaní are especially linked to Shangó, through whom Dadá’s omó is ordained, though people with Dadá for their tutelary orisha are very few. In pre-revolutionary Cuba, there were a mere handful of ordinations to Dadá. Bayaní is Shangó’s crown, a pacifist advisor who helps him rule with a level head. As in the case of Erinle and Abatán, these two orishas are consecrated together. Dadá’s symbols live in a bowl that is covered with the calabash-crown ornamented with beads and cowries that represents Bayaní. The former is said to nurture the omó of Shangó for whom the orisha is consecrated. The latter is believed to afford reasoning and judiciousness, as well as spiritual and physical stability.

Dadá is an enigmatic orisha. In most Lukumí myths, Dadá is described as Shangó’s older sister and is credited with raising him. In ritual, though, and especially in the order of the chants, Dadá is grouped with the male orishas. Dadá’s attributes, amongst them an edún ará—thunderstone, are primarily masculine. Bayaní is the one with the more feminine attributes, represented by the twelve braids that cling from the gourd-crown that are made with beads and cowries.

Orisha: Aganjú

Catholic Syncretism: Saint Christopher
Celebration: November 16
Garments: Burgundy ornamented with variegated colors and gold trimming
Beads: Reddish brown and opal colored beads, ornamented with various colors
Ritual implement: An axe that is sustained by a central handle with two blades on each extreme of the handle
Sacrifices: Castrated goat, he-goat, young bulls, quails, pigeons, and guinea hens (some lineages sacrifice roosters)
Taboos: None
Ritual Number: 9

Aganjú is the orisha of the desert and the volcano. He is a brute but regenerative force deified as an orisha. Possibly because of the association with Saint Christopher, he is also considered the orisha of travelers. Depending on the version, Aganjú is either Shangó’s father of Shangó’s younger brother who ruled as the 5th Alafín of Oyó.

His main domain is the desert. When the Yorubas migrated to their present home, after migrating for years through the desert, Aganjú’s worship waned. Much of the knowledge related with the orisha was eventually lost. In Cuba, Aganjú acquired more popularity as an orisha in the early twentieth century. As a result of the obscure state of his cult, his omó are ordained through Shangó. Aganjú has no roads.

Orisha: Shangó

Catholic Syncretism: Saint Barbara
Celebration: December 4
Garments: Red with gold trimming
Beads: Red and white
Ritual implement: A double-headed axe
Sacrifices: Rams, young bulls, turtles, quails, roosters and guinea hens
Taboos: None
Ritual Numbers: 6

The god of thunder, fire, and masculine virility. Shangó was the fourth Alafín—king—of the Oyó Empire, a powerful West African polity that exercised considerable control over the area for over four centuries. After his death, Shangó was deified and ascended to the status of an orisha. His worship became so popular that it eclipsed the cult of the earlier thunder gods called Jakutá—hurler of stones; and Oramfé (Oranifé)—an Ilé Ifé deity.

Shangó is probably the most popular orisha in the Lukumí pantheon. This is probably influenced by the innumerable myths that describe his charming and virile nature and recount his multiple romantic adventures with different women.

Shangó despises lies and cheating. His anger is made evident through thunder and lightning. When he has been offended, he is a menacing storm and the lightning bolt executes his sentence. He is also an executioner for Olodumaré—he punishes those who have offended the Creator or broken any Divine dictates.

When Shangó possesses, he is an avid and masterful dancer. He brandishes his oshé— double-headed axe—through the air, symbolically slashing away at evil or the head of an enemy. He has a direct relationship with many orishas. Oba was his legitimate wife, but her lack of physical beauty distanced him. He found an equal in Oyá, his second wife and sidekick. Oyá and Shangó are so alike that they can be described as two faces of the same coin. The sensuous Oshún was his favorite wife. This is the only orisha that could manipulate Shangó into anything. When they meet in a wemilere, Shangó will almost always try to enchant Oshún and she ignores him with a seductive cynicism typical of the flirtatious orisha.

In Havana Shangó does not have roads, but Olorishas in Matanzas do identify roads for Shangó.

Orisha: Obatalá

Catholic Syncretism: Our Lady of Mercy
Celebration: September 24
Garments: White with silver trimming
Beads: White with ivory and mother of pearl
Ritual implement: White horse or cow tail whisk; a cane
Sacrifices: She-goat, he-goat, hens, roosters, pigeons and guinea hens
Taboos: Salt, palm oil and liquor
Ritual Numbers: 8

Obatalá is the orisha of creation, peace, and purity. His name means “king who dresses in white” or “king of the white cloth.” Olodumaré entrusted him with the creation of human beings. But Obatalá loved palm wine, and one night, under the effects of the wine, he accidentally created a number of deformed beings. From his encounter were born the albino, the dwarf, the hunchback, the twisted, the lame and other malformed human beings. Though he was entrusted with molding the body, life was solely Olodumaré’s domain, and that evening when Olodumaré descended to breathe life into Obatalá’s creation, these offspring of Obatalá came to life. Since that day, anyone born with any birth defect is considered an ení orisha— protected by the orisha—and an omó of Obatalá. Any person with any sort of physical defect must be ordained to Obatalá even if their orisha had been previously identified as anything other than Obatalá.

The Lukumí recognize numerous roads or avatars of Obatalá. The vary greatly as does the personality of this orisha. Ajáguna—the war-loving and powerful warrior who many consider the Shangó of the Obatalá; the frail Yekú Yekú—blind and hunchbacked, who represents the wonders of old age and the wisdom that accompanies it; Alagéma—the chameleon who tested the solid earth to ensure that it was firm enough for human settlement; and Oshaogiyán—the mature, level headed road of Obatalá that knows the suffering caused by war and attempts to console humanity with maturity and understanding. Some roads—Oshanlá (Orishanlá), Obanlá, and Erú Ayé—are considered female, clearly an Egbado influence. There are close to fifty roads of Obatalá. In addition, Obatalá has a number of deputies, an entire group of deities typically referred to as orisha fúnfún—white orishas—that will be detailed ahead.

Orisha: Oduduwá (Oduá, Odúduá)

Catholic Syncretism: Saint Manuel
Celebration: January 1
Garments: White with silver trimmings
Beads: Opal, with coral, mother of pearl, and ivory
Ritual implement: Closed calabash
Sacrifices: He and she-goats, roosters, hens, pigeons, and guinea hens, all white
Taboos: Sexual promiscuity
Ritual Numbers: 16

Oduduwá is a somewhat controversial orisha. The original divinity, Oduá, accompanied Obatalá to earth. Although most agree that she was his concubine, others place her as a female aspect or complement of Obatalá. At some point in Yoruba history, a powerful warrior from the north found his way to Yoruba country, conquered it, and eventually instated himself as the first Oní or king of Ilé Ifé. This warrior is Oduduwá, considered the progenitor of the Yoruba race by many, and the ancestor from whom all Ifé kings claim descent, to this very day.

As is the case with Shangó, Oduduwá’s popularity overshadowed that of Oduá, the original deity. After Oduduwá’s death, undoubtedly much more revered than the original divinity because of his accomplishments as a warrior, the worship of Oduá is taken over by the veneration of the warrior. The result is a type of syncretism between Oduá and Oduduwá, where the two deities merge and form one. The strongest absorbed the weakest. This is why the Lukumí consider Oduduwá as a male Orisha. He is believed to have over one hundred twenty four roads.

Possibly because of his syncretism with Saint Manuel, in Cuba, Oduduwá is given the title of “King of the dead.” He is an Orisha that is closely linked with life and death. In Lukumí lore, when a human being’s time to return to orún arrives, Oyá comes and carries the soul away. Babaluaiyé takes the cadaver to the doors of the cemetery where Oba “documents” the arrival. Boromú and Borosiá take the cadaver to the tomb where Yewá lays it to rest, and Oduduwá takes over the process of putrefaction, leaving just the skeletal remains.

Oduduwá is the most respected and powerful Orisha in Lukumí practice. Like Obatalá with whom he is often linked, Oduduwá offerings are taken to the foot of a hill or mountain, and because of his relationship with death, he may also receive offerings at the cemetery or have them buried in the ground. His omó are either ordained directly or through Obatalá. However, initiation into his cult is becoming a rare phenomenon.

Orisha: Oba

Origin: Celestial
Catholic Syncretism: Saint Kathleen of Sienna
Celebration: April 30
Garments: Burgundy ornamented with pink, and gold trimming
Beads: Brown, with Opal and coral. A small, gold key hangs from her eleké
Ritual implement: Chest and key
Sacrifices: She-goats or castrated goats, hens, pigeons, and guinea hens
Taboos: Oba forbids adultery
Number: 8

The patron Orisha of matrimony. She presides over a river in Nigeria that bears her name. Oba is Shangó’s original and legitimate wife. According to one myth, she was simple in appearance, lacking physical beauty. Shangó paid little attention to her. Even though she was his principal wife, Oba lacked the feminine and flirtatious qualities Shangó found in her great rival, Oshún. Her struggle to conserve her husband’s love and interest led her to commit a brutal act that destroyed her marriage, eventually resulting in her being despised by Shangó and her eventual death. It is said that she cried so much that her tears formed the river that bears her name.

The Lukumí believe Oba is an irascible warrior-divinity that fights alongside her husband. Ogún trained her in the art of warfare and she brandishes a sword or machete as well as any man. Still, when Shangó is depressed or apprehensive, she replaces her bellicose nature with kindness and understanding, and consoles her husband, lending moral support for all his struggles. In recent times, initiation into Oba’s worship has been lost. Her omó are currently ordained through Oshún. Oba has no roads.

Orisha: Yewá (Yeguá)

Origin: Celestial
Catholic Syncretism: Our Lady of Montserrat
Celebration: April 27
Garments: Crimson or pink and crimson
Beads: Pink and red (or burgundy), with coral and mother of pearl.
Ritual implement: None
Sacrifices: She-goats, ducks, hens, pigeons, and guinea hens, and all must be virgin.
Taboos: Sexual promiscuity and the use of foul language in her presence. She requires full attire in her presence.
Ritual Numbers: 7, 9

Yewá is a very severe and reclusive orisha, intimately linked to death. It is believed that this is the orisha that watches over the cadaver when it is laid to rest. Although closely related with maritime affairs, she is worshipped in the cemetery, the river, and the lagoon. Her favorite offerings are flowers, particularly fragrant ones, and in Lukumí lore is considered to be the most beautiful and coveted flower in Oduduwá’s garden, whom Shangó eventually seduces and “disgraces.”

Many priests claim that in Yorubaland Yewá was worshipped within a cave that could only be reached by swimming across the lagoon she presided over along with Olosá, orisha of the lagoon. She is described as an Amazon-like queen, forbidding sexual contact for her worshippers. Her court was attended by eunuchs under the supervision of Logún Edé. Yewá has no roads.

Orisha: Oyá

Origin: Celestial
Catholic Syncretism: Saint Theresa in Havana: Our Lady of Candlemas in Matanzas
Celebration: October 15 in Havana: February 2 in Matanzas
Garments: Crimson, and multi-colored prints
Beads: A reddish brown bead with black and white stripes, plus red and brown
Ritual implement: Black horse or cow switch; machete
Sacrifices: She-goats, hens, pigeons, and guinea hens
Taboos: Rams
Ritual Numbers: 9

The goddess of the wind, lightning, and the marketplace. Oyá is a feared, Amazon-like warrior divinity that can be found wherever a battle is stirred. She was the only one of Shangó’s wives that accompanied him to his sad end. Their love is so great and profound that to this day, they manifest themselves together. Whenever there is lightning (Oyá) in the sky, the thunder (Shangó) is not too far behind. Oyá paves Shangó’s path in many of his great battles, facilitating his entry and ensuring conquest.

The Yorubas worship Oyá at the river that bears her name. In Cuba, she loses her fluvial qualities. The Lukumí associate Oyá with the cemetery, although Oyá’s true habitat is in the marketplace. The association with Egúngún (the ancestors) extends Oyá’s dominion to the gates of the cemetery. She is the only Orisha that is able to placate Egúngún’s anger. Oyá accompanies every human being’s soul to the gates of orún. With Oyá’s iruké—horse or cow-tail switch, Olorishas cleanse the cadaver of the deceased priest or priestess, symbolically paving a clean and sure path to orún. Oyá has no roads.

Orisha: Naná Burukú (Naná Burucú)

Origin: Celestial
Catholic Syncretism: Our Lady of Mt. Carmel
Celebration: July 16
Garments: Pink and black, with gold ornaments
Beads: Pink and black, with coral, jet beads, and cowries. In the town of Jovellanos, in Matanzas Province, Naná’s eleké was strung with a yellow bead with red and green stripes, and turquoise-blue beads
Ritual implement: A curved “já”
Sacrifices: She-goats, pigs, ducks, hens, pigeons, and guinea hens
Taboos: She must not be sacrificed to with a knife. Her jar cannot be placed in close proximity to Ogún
Ritual Numbers: 7, 9

The concubine of Babaluaiyé. Naná is a very sacred and austere orisha. In Dahomey, where devotion to her is taken to be greater, she is believed to be the mother of Mawu-Lisa, the Ewe-Fon equivalent of the Supreme Being. In Brazil she is considered the grandmother of the orishas. In Cuba she is exalted as a “discoverer” since she is renowned for making evident illnesses that may be concealed within the human body which modern medicine cannot find. She is also known as the mother of fresh waters and is worshipped at the head of the river and in the lagoon.

In a celebration held by the orishas to honor Ogún, the god of iron became heavily intoxicated, and as a result, extremely arrogant. Naná Burukú refused to pay the homage that Ogún had requested in payment for having paved the orisha’s way from orún to earth, which Ogún was now demanding. His drunken ill respects offended her. From that day, she rejected him and refuses the use of metal in any of her rituals. Ever since, Naná’s sacrifices are performed with a sharp bamboo or wooden knife. Naná has no roads.

Orisha: Yemojá (Yemayá)

Origin: Celestial
Catholic Syncretism: Our Lady of Regla
Celebration: September 8
Garments: Blue (all shades), white, with silver trimmings
Beads: Blue (all shades), crystal or opal, with either red or coral
Ritual implement: Black cow or horse switch; machete; anchor
Sacrifices: Rams, sheep, roosters, ducks, pigeons, and guinea hens
Taboos: None
Ritual Numbers: 7

Yemojá shares with Oshún the role of being the two most venerated female orishas amongst the Lukumí. However, because of Yemojá’s more austere nature, her aid is sought with less frequency than Oshún’s. Yemojá can be as serene as a tranquil bay or as austere as a typhoon. Her name means “mother of fishes” (Iyá-omó-ejá). In Yorubaland, Yemojá presides over the Ogún River, yet all the world’s waters are her domains. She is the symbol of motherhood: the mother of the world. Yemojá is credited with giving birth to many of the orishas. She is described as a very black woman with extremely large breasts that enable her to nurture all of humankind.

In Cuba, Yemojá is considered the goddess of the sea. It is quite possible that throughout the voyage from Africa to the New World, the slaves, not knowing their whereabouts, pleaded with Yemojá for her aid. Somehow, the ocean became the receptor of the slave’s pleas to the extent that today it is believed to be Yemojá’s habitat. Yemojá can live in the ocean or the river; in a lake or in a lagoon; in the marshes as well as in a puddle. Yemojá is present in every body of water.

Some of her roads are Ogúnté (Okuté)—land-roaming, wife of Ogún, who swings a machete as well as her husband; Ibú Ashabá—found at the docks and represented by the boat’s anchor; Ibú Asesú—messenger of Olokún, lives in tranquil waters; Mojelewú (Mayelewó)—head of the marketplace; Ibú Aganá—lives in the well or in the aquifers.

Orisha: Oshún (Ochún)

Origin: Celestial
Catholic Syncretism: Our Lady of Charity
Celebration: September 12
Garments: Yellow or amber, with gold trimmings
Beads: Amber or honey colored beads, with yellow, green, red, with coral
Ritual implement: Brass bell; a fan ornamented with peacock feathers
Sacrifices: Castrated goats, hens, pigeons, and guinea hens
Taboos: None generic, though some of her roads do have specific proscriptions
Ritual Numbers: 5

The Yoruba Venus. The goddess of love, sexuality, beauty, and feminine flirtatiousness; patron of a river in Nigeria that bears her name. Nothing is impossible for Oshún. She is very kind, but can become very vindictive and rancorous when she encounters opposition. It is precisely because of this irrational and stubborn character that many consider Oshún the most fragile yet feared orisha. When she cries, she does so out of joy: when she laughs, she does so out of anger. When offended, she will ignore the offender, acting as if nothing occurred. At some future date, when her offender has probably forgotten the occurrence, she remembers an old debt and claims immediate payment. The lady wants it and she wants it now! The offended Oshún is infamous for attacking her desecrator through the blood or the genitals. Impotent men have often become so after incurring her anger.

Although by virtue of her various roles in the Yoruba pantheon Oshún appears to be an amiable and gratifying deity, deeper analysis reveals Oshún to be a suffered and grieving deity. Her loud laugh and cheerful character is but a disguise to hide her pain. Oshún was a great queen who ruled capriciously through her husband Shangó. She always sought to have her way. Oshún enjoyed all the fine things of life; she acquired everything a woman could desire. And then she lost it! Oshún is the representation of femininity, as well as of human desires that can sometimes lead humankind to commit errors that are later regretted. The ants are her messengers; and the bees are her greatest friends that produce honey, the element that allows her to conquer all obstacles and tribulations.

Some of her roads are Ibú Ikolé—the sorceress, related with the vulture; Ibú Apará (Aparó; Akuaró)—wife of Erinle who abandoned the throne to elope with Shangó, losing all her riches; Ibú Oló Lodí—wife of Orúnmilá who is as great a diviner as he; Ibú Iyumú—mother and eldest of all the Oshún, lives at the bottom of the river; Ibú Dokó— patron of the sexual act, wife of Orishaokó.

Orisha: Orúnmilá (Orúnlá)

Origin: Celestial
Catholic Syncretism: Saint Francis of Assisi
Celebration: October 4
Garments: Green and yellow, with gold trimming
Beads: Green and yellow
Ritual implement: The opón Ifá—divining tray
Sacrifices: She-goats and hens
Taboos: None
Ritual Number: 16

The orisha of divination, responsible for the Ifá oracle, system that is often confused with the Orisha himself. Ifá, as a prophetic system, is possibly the most complete and accurate system of divination employed in West Africa. The system’s origin, according to some priests, is not entirely Yoruba. Past scholars and Olorishas have argued that it originated in Egypt or the desert areas. It is interesting to note that Orúnmilá is the only Yoruba deity who is not represented with stones. This factor places further emphasis on Ifá’s possible origins in the desert areas.

Orúnmilá’s priests are known as Babalawos—fathers of the secrets (or of the mysteries). On their left wrists, priests and devotees of this Orisha wear a bracelet made with green and yellow beads called “ide’fá.” The ide’fá is empowered with the ability to protect the bearer against evil and untimely death. Many followers of the religion wear this bracelet so that death does not take the person from earth until heaven or destiny decides it is time.

In Yorubaland as well as in Cuba, priests and devotees never make important decisions without prior consultation with the oracles. Though not the only oracle, Ifá is a medium that guides daily living and behavior for many, and provides the necessary faith and hope for forbearance and resignation before life’s many tests of endurance.

Orúnmilá is embodied and represented by the ikín—the palm nut—and it is one of the principal elements used for Ifá divination. The apón Ifá or até, the divination tray, is also a widely recognized implement used by Orúnmilá. Orúnmilá never possesses his devotees, nor does he have roads.

Orisha: Olokún (Olocún)

Origin: Celestial
Catholic Syncretism: None
Celebration: None
Garments: Dark blue, with silver or gold trimmings
Beads: Dark blue, green, red, with coral
Ritual implement: None
Sacrifices: Rams, sheep, pigs, ducks, roosters, pigeons, and guinea hens
Taboos: Requires full attire in his presence
Ritual Numbers: 7, 9, and 21

Olokún is the Yoruba Neptune, owner of the profundities of the ocean. In Cuba, Olokún is considered female by most Olorishas, though in much of the anthropological literature, Olokún is described as a male god. It seems that is some parts of Yorubaland, Olokún is worshiped as a “mother” divinity. However, all evidence points to the fact that originally Olokún was conceived of as a masculine divinity.

Olokún lives in a removed, underwater palace that is made entirely out of coral. The Odu Owaní’shé narrates a myth that describes how Olokún once considered himself more powerful than Olodumaré. After a great contest of wits, which Olokún of course lost, Olodumaré decreed that Olokún should be chained to the ocean floor from where he would rule. He assigned two messengers to accompany him and bring to earth his wishes: the Yemojá Ibú Asesú and Ibú Ashabá. This is probably why in Lukumí religion Olokún is often called Yemojá-Olokún.

Olokún is a very enigmatic orisha, highly respected, sometimes even feared, for his wrath is great and uncontrollable. In extreme cases or major holocausts, he may request offerings at high sea. Most Olorishas fear this ritual for it is believed that after the ceremony finishes, one of the participants is sure to die. Olokún has no roads.

Minor Orishas and Orishas Whose Worship is Either Linked With or Dependent on a Major Orisha

Orisha: Abatán

Catholic Syncretism: None
Beads: None
Ritual implement: Bow and arrow
Sacrifices: Same as Erinle
Taboos: None
Ritual Numbers: 7 or 2

Abatán is the orisha of the marshlands, companion of Erinle, believed to reside in the marshes that precede the river in Yorubaland where Erinle is worshipped. In Cuba, Abatán is received and propitiated together with Erinle and has no direct cult of her own. Many priests consider Erinle to be the doctor and Abatán a species of “nurse” or aid.

Orisha: Aroní

Catholic Syncretism: None
Celebration: December 31
Garments: He has no specific colors
Beads: None
Ritual implement: None
Sacrifices: He-goats, turtles, and roosters.
Taboos: None
Ritual Numbers: 7

Aroní is an orisha that works closely with Osayín and Ayá. He is described as a phenomenal creature that has the head and tail of a dog and the body of a human being, standing erect on his only leg. It is believed that Aroní instructs his disciples in all the mysteries of the forest. When Aroní chooses a student, the individual inexplicably disappears in the forest for an indefinite period of time. After the individual has acquired the necessary knowledge, Aroní returns him to the world, providing a hair from his tail as evidence of his training.

Orisha: Oké (Oqué)

Catholic Syncretism: San Roque
Celebration: None. His day is observed with Obatalá’s
Beads: None
Ritual implement: None
Sacrifices: She-goat, he-goat, hens, roosters, white pigeons and guinea hens
Taboos: Palm oil
Ritual Numbers: 16

Oké is the orisha of the mountain and the hills. He represents long life or immortality. Oké is an orisha fúnfún and an inseparable companion of Obatalá.[1] Offerings to this orisha are usually taken to the base of a hill or mountain. In extreme cases, sacrifices may be offered to Oké on a mountaintop as well. Oké is worshipped in conjunction with Obatalá and has neither omó nor roads.

Orisha: Korinkoto

Beads: Royal blue, amber and black
Ritual implement: an irawó—an approximately 5 to 6 inch metal plate in the shape of a star with a long strip protruding from one side that is engraved to simulate the streaks left behind by a falling star
Sacrifices: he-goats, roosters, pigeons, and guinea hens
Taboos: None
Ritual Numbers: 3 and 7

Korinkoto is Orishaokó’s brother, also connected with agriculture and harvests. It is believed that Orishaokó tends the fields during the day and Korinkoto takes care of them at night. Together with an entity called shigidí, a type of Eshú, Korinkoto represents the unknown mysteries embedded in the depths of the earth. He has no direct initiations and no roads.

Orisha: Ogé

Catholic Syncretism: Saint Philomene
Celebration:
Beads: None
Ritual implement: Two bull or buffalo horns
Sacrifices: Pigeons, though some lineages sacrifice to Ogé together with Shangó
Taboos: None
Ritual Numbers: 2, 6

Ogé is the orisha of direction who guides people down the paths of life. Represented by a pair of ox or buffalo horns, Ogé is found in the forests and in the savannahs. This orisha is believed to have been Oyá’s pawn. Once, after disobeying Shangó and incurring his wrath, she offers numerous gifts to him as a peace tokens that include Ogé.

Orisha: Ibejí

Catholic Syncretism: Saint Cosme and Saint Damian
Celebration: September 27
Garments: The Lukumí dress the eré Ibejí—Ibejí dolls or carvings— in red and blue
Sacrifices: Chickens and pigeons
Taboos: None
Ritual Numbers: 2, 4, and 8

In Yorubaland, the worship of Ibejí was dedicated to propitiate the birth and incarnated spirits of twins. Ibejí is the patron Orisha of twins. Still, Ibejí is also a cult to twin births, where tribute is paid to the mother and the children, and especially in the case where one or both twins died on or after birth. For inexplicable reasons, the Yoruba people have the highest incidence of twin births in the world.

The first twin born is named Taiwó—go out and taste the world. The second twin is called Kehindé—I shall follow. If the former indicates to the latter that life is a pleasant affair, Kehindé follows suit and is born. Taiwó is considered the youngest Ibejí and Kehindé is the older of the two.

Tradition argues that the first-born pair of Ibejí were children of Shangó and Oshún, and were raised by Yemojá. Ibejí are considered very powerful beings. One myth narrates a Creole myth that details how once the Ibejí outsmarted the devil. In fact, they are “living orishas.” Typically they do not have to be ordained as they are gifted from birth. However, when they are ordained, Taiwó is ordained to Shangó and Kehindé is ordained to Yemojá.

Whenever Ibejí are present at wemileres or bembés, the drummers will salute the Ibejí singing their chants and playing their rhythms, and offer them gifts of money. It is believed that Ibejí will multiply this gift in many ways.

Orisha: Ainá

Catholic Syncretism: None
Celebration: None
Garments: Ainá’s eré is dressed entirely in red
Beads: 1. Made with a type of bead called “white hearts” because they are red on the outside and white on the inside
Sacrifices: Roosters, pigeons and guinea hens
Ritual Numbers: 6 and 12

Ainá is the patron orisha of children born with the umbilical chord wrapped around their neck. In Cuba she is also considered the “mother” of the Ibejí, as she is the principal orisha in a pantheon that pays homage to birth-related phenomena. The Lukumí talk about seven Ibejí: Ainá, Taiwó, Kehindé, Idowú, Olorí, Oroniá, and Alaba. Ainá is the deity in charge of this legion.

Ainá is also associated with fire. She allows Shangó to spurt forth fire from his mouth when he speaks. Ainá’s devotees, those children born wrapped in the umbilical chord, are ordained to Shangó.

Orisha: Oranyán (Oroiña)

Catholic Syncretism: None
Celebration: None
Beads: Pink and opal colored beads, ornamented with coral
Ritual implement: None
Sacrifices: Castrated goat, he-goat, young bulls, roosters, quails, pigeons, and guinea hens
Taboos: None
Ritual Number: 7 and 16

Oranyán is a son of Oduduwá, believed to be the father of Dadá, Shangó, and Aganjú. According to mythology, he was the child of a woman that Ogún had brought back from a distant land where he had fought. When Oduduwá saw the woman, he was immediately attracted to her and demanded to have her. Some time later, Oranyán was born. He was half black like Ogún, and half white like Oduduwá. In Yorubaland, during Oranyán’s festival, priests of the orisha paint their bodies in this fashion.[2] Oranyán became a great warrior. After his father’s death, he ascended to the throne. As time passed, he became so tired of fighting that he decided to retire to the depths of the earth from where he continues to reign.

Oranyán is considered to be the earth’s core and the force that keeps the earth gyrating through space. His sacrifices are always performed in conjunction with those of Ilé—the earth. The Lukumí associate Oranyán with Aganjú. In fact, many Olorishas call Aganjú by his father’s name. Many Olorisha do not recognize him as an individual orisha and insist that he and Aganjú are one and the same. Oranyán has neither omó nor roads.

Orisha: Boromú

Catholic Syncretism: Boromú is syncretized with Saint Elijah.
Celebration: July 20
Beads: White and green, with mother of pearl, coral, and ivory
Sacrifices: He-goats, roosters, pigeons, and guinea hens, all white.
Taboos: None
Ritual Numbers: 4, 7, and 8

Orisha: Borosiá

Catholic syncretism: None
Beads: 1. White and pink, with mother of pearl, coral, and ivory, 2. Yellow and green, in groups of four
Sacrifices: He-goats, roosters, pigeons, and guinea hens, all white.
Taboos: None
Ritual Numbers: 4, 7, and 8

Boromú and Borosiá are two Egbado orishas and for part of the orisha fúnfún or white deities associated with Obatalá. They are believed to be twin offspring of Yewá. The father of these orishas may be Orúnmilá, yet in Cuba, Olorishas maintain that it is Shangó. They are closely tied into the worship of Oduduwá, Olokún, Erinle, and Yewá. It is believed that when Yewá first learned of her pregnancy, the embarrassment led her to attempt to provoke a miscarriage.

Orisha: Yemowó (Yembó, Yemó, Yemú)

Beads: White and turquoise blue, with mother of pearl, white coral, and ivory
Sacrifices: Sheep, roosters, pigeons, and guinea hens, all white
Taboos: She cannot be sacrificed to with a knife; sexual promiscuity
Ritual Numbers: 16

Yemowó is the wife of Babá Furúrú (also known as Alamoreré), the sculptor Obatalá who is credited with the creation of humankind. Olorishas consider her a road of Yemojá that is related with Obatalá, and worship her separately from Yemojá. It is believed that she is the mother of Ogún, and one myth says that because of the incestuous rape of his mother, Ogún condemned himself to live in the forest and work incessantly to benefit and repay humankind. After the occurrence, Obatalá refused to have any more children. Soon after, when Orúnmilá was born, he was immediately taken into the forest and interred up to his waist, and left there to die. But then Shangó was born and Yemowó refused to castigate him in the same way that Orúnmilá had been. She gave him to Dadá to raise and hid his birth from Obatalá, telling him that the child had died at birth.

This myth explains why Yemowó refuses any association with Ogún. As is the case with Naná Burukú, her sacrifices cannot be performed with a metal knife. A sharp piece of wood or glass substitute the knife.

Orisha: Ogán

Catholic Syncretism: Saint Jacques
Celebration: August 16
Beads: White speckled with red beads
Ritual Implement: A scimitar
Sacrifice: He-goats, roosters, pigeons and guinea hens
Taboos: As an orisha fúnfún, he observes the same taboos as Obatalá, though palm oil may be offered at times
Ritual Numbers: 1, 8, and 16

Ogán is an orisha fúnfún, considered Ajáguna’s war chief. Many Olorishas consider him a sort of Elegbá for Ajáguna. Two other minor deities, Obón and Oboní, accompany him. Ogán has no initiation.

Orisha: Agidaí

Catholic Syncretism: Saint Bartholomew
Celebration:
Beads: White
Ritual Implement: a “T” shaped staff surmounted by a rooster with two arms and two legs clinging from each extreme of the horizontal bar
Sacrifice: He-goat, roosters, pigeons and guinea hens
Taboos: As an orisha fúnfún, he observes the same taboos as Obatalá, though palm oil may be offered at times
Ritual Numbers: 1, 4, 8, and 16

Agidaí is another obscure orisha of which very little is known. In all probability, I may have been the first Olorisha to bring this deity to the United States. I received it with Miguel Villa, Oké Bí, an Oní Shangó who died in the early 1990s. Oké Bí told me that this orisha was the patron of the Obá Oriaté and that it promoted the development of afudashé—spoken ashé—an indispensable prophetic ability for the diviner so that the predictions made in itá would come to fruition. In addition, Oké Bí taught me that Agidaí was an important orisha for combating epidemics and even taught me ebó to perform for Agidaí for these types of situations.

Though it is not clear where Oké Bí received this orisha, it may possibly have Arará origins as there is a vodún worshiped by the Arará that belongs to the family of Makeno, Obatalá’s equivalent, that is named Agidaí.

Orisha: Irokó (Irocó)

Catholic Syncretism: The Immaculate Conception
Celebration: December 8
Beads: Green and turquoise, with red, pink and coral ornaments
Garments: White with green and gold trimming
Ritual Implement: A walking cane either painted or beaded in his ritual colors
Sacrifice: Ram, he-goats, bullocks, turtles, quails, roosters, turkeys, pigeons, and guinea hens
Taboos: None
Ritual Numbers: 7 and 8

Irokó is the orisha of abundance and prosperity. He is believed to reside in the irokó tree—West African teak—but because of this tree’s absence in Cuba, he is associated with the Ceiba—silk cotton tree (Ceiba pentandra, L.). Many Olorishas plant these in their homes as it is considered one of the most respected trees with great esoteric powers. All the orisha are supposed to gather at her roots, though it is especially associated with Shangó, Aganjú, Oduduwá, Obatalá, and Egúngún. When Irokó is worshiped at the base of a Ceiba, the tree is ornamented with panels of different colors, mariwó—palm fronds, and other articles. Many cooked foods are also offered to the deity at the base of the tree.

There is only one known case of an ordination to Irokó in Cuba. Modesta Morera, Alaraba. She was ordained to Irokó through Yemojá (Yemojá oro Irokó) by the late Cheo Shangó, Shangó Larí, in Matanzas, some time in the 1950s. There has not been another ordination since.

Orisha: Olosá

Beads: Dark blue, green, with opal and coral
Sacrifices: Rams, sheep, ducks, roosters, pigeons, and guinea hens
Taboos: None
Ritual Numbers: 7, 9

Olosá is the wife of Olokún. She is the goddess of the lagoon and her messengers are the crocodiles. In Yorubaland, she is worshipped at the lagoons in Lagos that precede the Atlantic coast. There her offerings are taken. If the crocodiles consume them, the orisha accepted it. Olosá has no roads.

Orisha: Ayarokotó

Beads: Blue and white
Sacrifices: Roosters, pigeons, and guinea hens
Taboos: None
Ritual Numbers: 7

This orisha is a daughter of Yemojá and another messenger of Olokún and is found in the horizon, where the sea meets the sky. It is believed that she is Olokún’s herald and warns humankind of Olokún’s wrath before a tidal wave occurs. She is the roaring sound that precedes the tidal wave. Parts of Ayarokotó’s attributes are kept in the Olorisha’s house and the other part is buried at the ocean’s shore.

Orisha: Otín (Oti)

Beads: Dark and turquoise blue, with plenty of coral
Sacrifices: White roosters
Taboos: Mocking her breasts
Ritual Number: 7

Otín is an orisha that is related with both Erinle and Yemojá. One myth recounts that she has four breasts, and it stresses that it is a great taboo to mention this in front of her for it offends her. She was believed to have been a very powerful, yet sensitive queen, who disenchanted with the ill respects afforded by her subjects, committed suicide in Erinle’s river. Amongst the Lukumí, a carving of a woman carrying a clay jar on the head is used to represent Otín.

Orisha: Ibú Ayé (Ayé Ochún)

Beads: All coral
Attribute: A lyre
Sacrifices: Hens, pigeons, and guinea hens
Taboos: None
Ritual Numbers: 3, 5

Ibú Ayé is a very young Oshún. Considered an independent orisha, she is believed to guard Oshún’s riches and distributes them only when instructed by Oshún. She is represented by five tiger cowries and is worshipped alongside Oshún.

In the Odu Ogundá mejí, Ogún gave the five tiger cowries— ayé—as a gift to Ibú Apará in order to conquer Oshún’s heart. He promised that these ayé would bring great wealth to Oshún and fulfill all of her whims and desires. Oshún accepted the gift, lived for a period with Ogún, but eventually abandoned him for Shangó.

Orisha: Idowú (Ideú)

Catholic Syncretism: The child that Our Lady of Charity holds in her arms
Beads: Amber, yellow, and coral
Sacrifices: Young chickens and pigeons
Taboos: None
Ritual Numbers: 2, 4, and 5

Idowú is the child born immediately following the birth of twins. He is believed to be a favorite of Oshún. All children born immediately following the birth of twins are sacred to Idowú and must be initiated into the worship of Oshún. A patakí of Ejiogbé mejí describes how he saved Oshún from total devastation. Along with Ibú Ayé and Logún Edé, Idowú guards Oshún’s riches.

This orisha is also related with emotional imbalances. When Olorishas attend to an individual who may have sentimental problems, he or she may be instructed to make an offering to Idowú. His eleké is strung short so that when the devotee wears it, it clings approximately below the heart. Idowú in many respects can be called the Lukumí cupid. He has no roads.

Orisha: Ajeshaluga (Kowo, Cobo)

Ritual implement: Cowries
Sacrifices: White pigeons
Taboos: None
Ritual Numbers: 8

Ajeshaluga is better known as Kowo because of the type of conch used in her worship that is Cuba is called “cobo.” She is the goddess of wealth and is worshipped in the marketplace. She is the patron of all commercial transactions. In some myths she is described as the daughter of Olokún and in others, as one of his wives.

This is a very important deity as emphasized by the Lukumí proverb kó ajé, kó orisha—without money there can be no orisha. She has no roads.

Orisha: Oshumaré

Catholic Syncretism: Saint Bartholomew
Celebration:
Garments: He uses all colors for his garments, though golden yellow and green are the most important
Beads: Yellow with black stripes, green and ornamented with red and teal blue
Ritual implement: he uses an elongated snake as a type of scepter that he brandishes in dance
Sacrifices: He-goats, rams, turtles, roosters, pigeons and guinea hens
Taboos: None
Ritual numbers: 7 and 12

Oshumaré is the orisha of the rainbow. He is especially associated with Shangó, and helps him keep an environmental harmony by returning to the skies the rain that Shangó, Oyá, and Yemojá send down during storms to satiate the earth’s thirst. As such, Oshumaré represents the continuity of life on earth—the guardian of human life—as is evident in the representation of the orisha as a coiled snake eating its own tail. In possession, Oshumaré directs his snake-scepter to the sky as if provoking Shangó to send rain.

One myth from the odu Ejiogbé Oyekún relates that once, when Olorún had fallen ill, Oshumaré was the only diviner who was able to cure Olorún’s ails. As such, Olorún retains him by his side, allowing him to return to visit the earth every so often but only under the condition that he returns the same day. When the rainbow visits earth, we are blessed if we see it and must interact with it quickly for Olorún will soon call him back home.

This orisha was lost in Cuba in the first half of the twentieth century. His attributes are no longer consecrated, and there is no knowledge about the orisha, even in the areas of the island in which he was known in the 1940s and 50s. Inexplicably, Oshumaré—like the rainbow—has reappeared in Cuba in the 1990s through the ¡magnificent! institution that I have labeled “diplo-santería,” and is being consecrated for any extranjero­—foreigner—who pays for it with hard currency!

Orisha: Logún Edé (Laro)

Catholic Syncretism: Saint Expeditus
Celebration:
Garments: Turquoise blue and yellow, with gold trimmings
Beads: Turquoise blue, amber, with coral
Ritual implement: Fishing rod; brass bow and arrow; a brass fan
Sacrifices: He or she-goat, or castrated goats, roosters, hens, pigeons, and guinea hens
Taboos: Palm oil
Ritual Numbers: 5, 7

Logún Edé is better known in Cuba as Laro. An androgynous deity, Logún Edé is the child of a road of Oshún called Ibú Ipondá, and Erinle. The first six months of the year, Logún Edé is believed to be male and live in the woods, hunting alongside his father. During the latter six months of the year, Logún Edé lives with Oshún in the river, on a diet of sweet water fish and shrimp. Logún Edé means “He who hunts shrimp.”

Logún Edé is the guardian of Oshún’s riches and of Erinle’s abundances. Yemojá is his/her protector. Logún Edé is the protector of sailors and is represented by all marine fish. He/she is believed to live where the river and ocean meet. The rituals of initiation and worship of this orisha are have been lost in Cuba. There are no initiations into this cult.

A patakí of the Odu Odí Otura narrates the myth of Logún Edé’s mysterious origins, and erroneously describes him as a homosexual. The myth says he was initiated into Ifá during his masculine semester, and lived as Orúnmilá’s wife during his feminine months. Because of this, Babalawos maintain that homosexuals should not be initiated into Ifá. He has no roads. This is another orisha whose worship has been lost in Cuba and may have reappeared recently in the “diplo-santería” markets.

Orisha: Ayáo (Oyaó)

Garments: Crimson
Beads: Some Olorishas use a reddish brown bead that has yellow and red stripes
Ritual implement: Quill
Sacrifices: Pigeons and guinea hens
Taboos: Rams
Ritual numbers: 9

Oyáo is Oyá’s younger sister who serves as her messenger and assistant. It is through Ayáo that Oyá obtained dominion over afefé, the wind. Ayáo holds the secret of the winds and the whirlwinds that are her principal manifestation. She is consecrated exclusively for Oyá’s omó and lives alongside Oyá. It seems that the knowledge of this orisha is limited to the town of Jovellanos, in the province of Matanzas where she was associated with Oyá and Olokún. In that town, Ayaó was known to possess an Olorisha named Benita Cartalla. Elsewhere, Ayaó is not known. Recently it has become one of the orishas sold in the “diplo-santería” market.

[1] All orisha fúnfún—white deities—are related with Obatalá. Like Obatalá, they all dress in immaculate white cloth, and their paraphernalia, offerings, sacrificial animals, and beads must also be white. With few exceptions, they all observe a palm oil, liquor and salt taboo as well.

Organs and areas of the human body under the control of an orisha

Area/OrganOrishaArea/OrganOrisha
BrainObataláEarsOba, Obatalá
EyesNaná BurukúNoseOlodumaré, Obatalá
TongueShangó & OyáThroatAganjú & Naná Burukú
Vocal cordsObatalá & OyáHeartObatalá & Oshún
LungsOyáBreastYemojá & Oshún
VeinsOshún & Babaluaiyé StomachOshún, Obatalá, & Naná Burukú
BloodOshún & BabaluaiyéWombOshún & Yemojá
OvariesOshúnPenisElegbá, Ogún, Shangó & Orishaokó
ButtocksYemojá & ElegbáTesticlesOrishaokó & Aganjú
FeetElegbáKneesElegbá & Ogún
HandsObataláSkinObatalá & Babaluaiyé
ArmsAganjú & OgúnLegsElegbá & Aganjú
MusclesAganjú & OgúnVaginaYemojá, Oshún, & Obatalá

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