Traditional and Ritual Music of Cuba and Brazil

Anya was formed in 1999 in the Phoenix area by folkloric percussionists Emilio Caruso and Eric Udell. Anya performs music celebrating the rich cultural heritage of both Cuba and Brazil. It is music that was originally brought to the New World by African slaves, who, through ingenuity and determination preserved their spiritual and cultural traditions. Anya is dedicated to bringing wider recognition to these compelling musical forms utilizing performance, educational seminars, and music workshops.

Emilio and Eric have both studied these musical forms passionately for many years with master drummers of this music in Cuba, Brazil, and the United States. Recently relocated to the Phoenix area, Emilio met Eric by chance at a local bookstore and realized immediately they had a common love for and dedication to this music. Shortly afterward, they began to play together, laying the foundation for the group that was to become Anya. Although this music had never been performed in Arizona, Emilio and Eric felt that if audiences were exposed to the beauty and power of this music they would find social, spiritual and aesthetic relevance.

In 2001, Emilio studied with master drummer and musical director of the Conjunto Folklorico Nacional de Cuba, Alberto Villarreal. By winning an award from the National Endowment For the Arts, administered through the Arizona Commission On the Arts, combined with Eric’s involvement in Regla de Ocha, Emilio had the opportunity to study with Eric’s Padrino, Alberto Villarreal. Months of intensive study, along with the superb teaching skills of Alberto, naturally presented a far deeper and meaningful context to all the ritual musical forms (Oro Seco, Oro Cantado, Fiesta, Arara and Palo) to which Emilio and Eric are dedicated, not only musically but religiously as well.

A Espada e o Raio
por Natalia Bolívar
Da Revista Cuba Encuentro en la Red Cubaencuentro

Traduzido perto Ricardo Ferreira do Amaral, advogado, artista plástico e filho de Airá.

Santa Bárbara nasceu na Nicomédia, capital da Betânia, na Turquia asiática. Dióscoro, seu pai, de origem judia, militar de carreira, rico, orgulhoso e brutal, encerrou-a em uma torre que só tinha um fosso e duas janelas por onde entrava o sol, seu único privilégio.

Ao partir para a guerra, seu pai deixou-a rodeada de luxos e mestres famosos para que assim obtivesse uma educação como correspondia à sua posição social.

Com o tempo, Bárbara foi se apercebendo da falsidade da doutrina pagã e das suas divindades. Ainda que Roma dominasse o mundo, pôde fazer chegar uma mensagem ao sábio católico Orígenes, que lhe enviou um de seus discípulos, Valêncio, quem a instruiu nos livros sagrados, a fé cristã e a batizou.

Ao regressar da guerra, seu pai encontrou-a mudada e instou que lhe dissesse a causa da sua mudança, ao que Bárbara se confessou cristã. Dióscoro tratou de dissuadi-la, mas ela continuava confessando-se cristã. Foi entregue à justiça do pretor Marciano, quem mandou que fosse açoitada durante três dias. Deitaram-na sobre pedaços de vidro e pontas de lança, abriram suas feridas com sal e vinagre e lançaram-na num calabouço escuro. Ali se lhe apareceu Jesus, quem curou suas feridas e alimentou sua fé cristã. Ao vê-la o pretor com forças e intuindo o milagre, mandou que a torturassem novamente, enquanto ela seguia sorrindo, orando, firme em sua fé cristã. Foi então, que a expuseram nua por toda a cidade lhe dando açoites. Uma vez humilhada e sem lograr que negasse Jesus, foi sentenciada à morte. Seu pai foi o verdugo, sacou sua espada e degolou-a.

De volta a casa, Dióscoro, em companhia do pretor Marciano, foram mortos por um raio, ante um céu sereno e sem nuvens. Isto ocorreu ao redor do ano 238.

A festa patronal desta virgem-mártir celebra-se em 4 de dezembro, ainda que em 1969 tenha desaparecido do calendário romano.

Por sua parte, Changó chega a Cuba nos barcos negreiros que transportavam grandes cargas de escravos para trabalhar nas plantações do novo continente. Com os escravos veio este orixá, seu culto, seus relatos, sua vitalidade e colorido; a partir de então, foi transmitindo-se de pais a filhos a través da memória oral. Foi assim como se assentou em nossa terra.

Changó é um orixá ou divindade maior. É deus do fogo, do raio, do trovão, da guerra, dos ilú-batá, da dança, da música e da beleza viril. É padroeiro dos guerreiros e dos artilheiros. Este orixá é filho de Ibaíbo e de Yemmú.

A Changó se lhe atribuem muitas virtudes e defeitos dos homens. É bom trabalhador, muito valente, amigo digno de se apreciar, adivinho; também é algo mentiroso, mulherengo, em algumas ocasiões briguento, jactancioso e jogador. Como pai, se ocupa do filho enquanto este lhe obedeça, mas não o admite covarde. Os Ibeyis são seus filhos. Changó também possui inumeráveis amantes, o que não lhe impede de ter suas próprias mulheres: Oyá, Obba Yurú e Ochún.

Este orixá é muito respeitoso com os egguns. Às vezes, se lhe representa a cavalo como um soldado. Na terra ioruba, Nigéria, esta divindade era rei da cidade de Oyó; diz-se que cometeu suicídio e a partir de então se converteu em orixá.

Existem diversas lendas ou pattakíes em Cuba que se referem à história de Changó, muitas delas encontram-se plasmadas em antigas livretas, ordenadas segundo os odus do sistema divinatório de Ifá em que esta divindade fala, e outras delas, recolhidas pela tradição oral do nosso povo; uma delas conta:

Changó desafiava Oggún ao transformar Oyá em sua mulher. Estando o amante na casa de Oyá, dona dos relâmpagos e dos temporais, de pronto, inteirado, apareceu Oggún; rodeou a casa com um exército formado por todo tipo de armas feitas na sua frágua; interpelava bruscamente Changó para que saísse e o enfrentasse em batalha.

Oyá, muito respeitada e querida em seu povo, e sob a influência do seu amor por Changó, cortou suas longas tranças; tirou também a sua saia de nove cores e seu lenço. Vestiu Changó com tudo isto. Logo, abriu a porta da sua casa e Changó, vestido com a indumentária de sua amante, abriu passo entre a multidão, imitando o majestoso passo de Oyá. Vestido assim conseguiu escapar da ira de Oggún, seu eterno rival no amor.

Seria muito extenso narrar as múltiplas facetas da vida de Changó.

Este orixá é capaz de resumir em si mesmo todas as virtudes e defeitos e, como pode se observar, nem a história, nem o relato sobre a origem de Santa Bárbara e de Changó guardam algo em comum, mais bem se trata de duas histórias que mostram um certo paralelismo até que a própria vida os põe em solo cubano e se unificam as duas tradições das culturas africana e européia.

por Natalia Bolívar
De la Revista Cuba Encuentro en la Red Cubaencuentro

Santa Bárbara nació en Nicomedia, capital de Bitinia, en la Turquía asiática. Dióscoro, su padre, de origen judío, militar de carrera, rico, orgulloso y brutal, la encerró en una torre que sólo tenía una poceta y dos ventanas por donde entraba el sol, su único privilegio.

Al partir a la guerra, su padre la dejó rodeada de lujos y maestros famosos para que así obtuviera una educación como correspondía a su rango social.

Con el tiempo, Bárbara se fue percatando de la falsedad de la doctrina pagana y de sus deidades. Aunque Roma dominaba al mundo, pudo hacer llegar un mensaje al sabio católico Orígenes, quien le envió a un discípulo suyo, Valencio, quien la instruyó en los libros sagrados, la fe cristiana y la bautizó.

Al regresar de la guerra, su padre la encontró cambiada y le instó a que le dijera la causa de su cambio, a lo que Bárbara se confesó cristiana. Dióscoro trató de disuadirla, pero ella continuaba confesándose cristiana. Fue entregada a la justicia del pretor Marciano quien mandó a que la azotaran durante tres días. La acostaron sobre pedazos de vidrios y puntas de lanza, abrieron sus heridas con sal y vinagre y la arrojaron a un calabozo oscuro. Allí se le apareció Jesús, quien curó sus heridas y alimentó su fe cristiana. Al verla el pretor con fuerza e intuir el milagro, mandó a que la torturaran nuevamente, mientras ella seguía sonriendo, orando, firme en su fe cristiana. Fue entonces que la expusieron desnuda por toda la ciudad dándole latigazos. Una vez humillada y sin lograr que negara a Jesús, fue sentenciada a muerte. Su padre fue el verdugo, sacó su espada y la degolló.

De regreso a su casa Dióscoro, en compañía del pretor Marciano, una centella de rayo los mató, ante un cielo sereno y sin nubes. Esto sucedió alrededor del año 238.

La fiesta patronal de esta virgen-mártir se celebra el 4 de diciembre, aunque en 1969 desapareció del calendario romano.

Por su parte, Changó llega a Cuba en los barcos negreros que transportaban grandes cargamentos de esclavos para trabajar en las plantaciones del nuevo continente. Con los esclavos vino este orisha, su culto, sus relatos, su vitalidad y colorido; a partir de entonces, se fue transmitiendo de padres a hijos a través de la memoria oral. Fue así como se asentó en nuestra tierra.

Changó es un orisha o deidad mayor. Es dios del fuego, del rayo, del trueno, de la guerra, de los ilú-batá, del baile, la música y la belleza viril. Es patrón de los guerreros y los artilleros. Este orisha es hijo de Ibaíbo y de Yemmú.

A Changó se le atribuyen muchas virtudes y defectos de los hombres. Es buen trabajador, muy valiente, amigo digno de apreciar, adivino; también es algo mentiroso, mujeriego, en algunas ocasiones, pendenciero, jactancioso y jugador. Como padre se ocupa del hijo mientras éste le obedece, mas no lo admite cobarde. Los Ibeyis son sus hijos. Changó posee también innumerables amantes; ello no le impide tener sus propias mujeres: Oyá, Obba Yurú y Ochún.

Este orisha es muy respetuoso de los egguns. A veces se le representa a caballo como un soldado. En la tierra yoruba, Nigeria, esta deidad era rey de la ciudad de Oyó; se dice que cometió suicidio y, a partir de entonces, se convirtió en orisha.

Existen diversas leyendas o pattakíes en Cuba que refieren la historia de Changó, muchas de ellas se encuentran plasmadas en antiguas libretas, ordenadas según los oddunes del sistema adivinatorio de Ifá en que habla esta deidad, y otras de ellas recogidas por la tradición oral de nuestro pueblo, una de ellas cuenta:

Changó desafiaba a Oggún al convertir a Oyá en su mujer. Estando el amante en casa de Oyá, dueña de las centellas y los temporales, de pronto, enterado, se apareció Oggún; rodeó la casa con un ejército formado por todo tipo de armas hechas en su fragua; interpelaba bruscamente a Changó a que saliera y le enfrentase batalla.

Oyá, muy respetada y querida en su pueblo, y bajo la influencia de su amor por Changó, se cortó sus largas trenzas; se quitó también su saya de nueve colores y su pañuelo. Vistió a Changó con todo esto. Luego abrió la puerta de su casa y Changó, vestido con la indumentaria de su amante, se abrió paso entre la multitud, imitando el majestuoso paso de Oyá. Vestido así, logró escapar de la ira de Oggún, su eterno rival en el amor.

Sería demasiado extenso narrar las múltiples facetas de la vida de Changó.

Este orisha es capaz de resumir en sí todas las virtudes y defectos y, como se puede observar, ni la historia ni el relato sobre el origen de Santa Bárbara y de Changó guardan algo en común, más bien se trata de dos historias que muestran un cierto paralelismo hasta que la misma vida los pone en suelo cubano y se unifican las dos tradiciones de las culturas africana y europea.

A Espada e o Raio
por Natalia Bolívar
Traduzido perto Ricardo Ferreira do Amaral, advogado, artista plástico e filho de Airá.
Da Revista Cuba Encuentro en la Red Cubaencuentro

Santa Bárbara nasceu na Nicomédia, capital da Betânia, na Turquia asiática. Dióscoro, seu pai, de origem judia, militar de carreira, rico, orgulhoso e brutal, encerrou-a em uma torre que só tinha um fosso e duas janelas por onde entrava o sol, seu único privilégio.

Ao partir para a guerra, seu pai deixou-a rodeada de luxos e mestres famosos para que assim obtivesse uma educação como correspondia à sua posição social.

Com o tempo, Bárbara foi se apercebendo da falsidade da doutrina pagã e das suas divindades. Ainda que Roma dominasse o mundo, pôde fazer chegar uma mensagem ao sábio católico Orígenes, que lhe enviou um de seus discípulos, Valêncio, quem a instruiu nos livros sagrados, a fé cristã e a batizou.

Ao regressar da guerra, seu pai encontrou-a mudada e instou que lhe dissesse a causa da sua mudança, ao que Bárbara se confessou cristã. Dióscoro tratou de dissuadi-la, mas ela continuava confessando-se cristã. Foi entregue à justiça do pretor Marciano, quem mandou que fosse açoitada durante três dias. Deitaram-na sobre pedaços de vidro e pontas de lança, abriram suas feridas com sal e vinagre e lançaram-na num calabouço escuro. Ali se lhe apareceu Jesus, quem curou suas feridas e alimentou sua fé cristã. Ao vê-la o pretor com forças e intuindo o milagre, mandou que a torturassem novamente, enquanto ela seguia sorrindo, orando, firme em sua fé cristã. Foi então, que a expuseram nua por toda a cidade lhe dando açoites. Uma vez humilhada e sem lograr que negasse Jesus, foi sentenciada à morte. Seu pai foi o verdugo, sacou sua espada e degolou-a.

De volta a casa, Dióscoro, em companhia do pretor Marciano, foram mortos por um raio, ante um céu sereno e sem nuvens. Isto ocorreu ao redor do ano 238.

A festa patronal desta virgem-mártir celebra-se em 4 de dezembro, ainda que em 1969 tenha desaparecido do calendário romano.

Por sua parte, Changó chega a Cuba nos barcos negreiros que transportavam grandes cargas de escravos para trabalhar nas plantações do novo continente. Com os escravos veio este orixá, seu culto, seus relatos, sua vitalidade e colorido; a partir de então, foi transmitindo-se de pais a filhos a través da memória oral. Foi assim como se assentou em nossa terra.

Changó é um orixá ou divindade maior. É deus do fogo, do raio, do trovão, da guerra, dos ilú-batá, da dança, da música e da beleza viril. É padroeiro dos guerreiros e dos artilheiros. Este orixá é filho de Ibaíbo e de Yemmú.

A Changó se lhe atribuem muitas virtudes e defeitos dos homens. É bom trabalhador, muito valente, amigo digno de se apreciar, adivinho; também é algo mentiroso, mulherengo, em algumas ocasiões briguento, jactancioso e jogador. Como pai, se ocupa do filho enquanto este lhe obedeça, mas não o admite covarde. Os Ibeyis são seus filhos. Changó também possui inumeráveis amantes, o que não lhe impede de ter suas próprias mulheres: Oyá, Obba Yurú e Ochún.

Este orixá é muito respeitoso com os egguns. Às vezes, se lhe representa a cavalo como um soldado. Na terra ioruba, Nigéria, esta divindade era rei da cidade de Oyó; diz-se que cometeu suicídio e a partir de então se converteu em orixá.

Existem diversas lendas ou pattakíes em Cuba que se referem à história de Changó, muitas delas encontram-se plasmadas em antigas livretas, ordenadas segundo os odus do sistema divinatório de Ifá em que esta divindade fala, e outras delas, recolhidas pela tradição oral do nosso povo; uma delas conta:

Changó desafiava Oggún ao transformar Oyá em sua mulher. Estando o amante na casa de Oyá, dona dos relâmpagos e dos temporais, de pronto, inteirado, apareceu Oggún; rodeou a casa com um exército formado por todo tipo de armas feitas na sua frágua; interpelava bruscamente Changó para que saísse e o enfrentasse em batalha.

Oyá, muito respeitada e querida em seu povo, e sob a influência do seu amor por Changó, cortou suas longas tranças; tirou também a sua saia de nove cores e seu lenço. Vestiu Changó com tudo isto. Logo, abriu a porta da sua casa e Changó, vestido com a indumentária de sua amante, abriu passo entre a multidão, imitando o majestoso passo de Oyá. Vestido assim conseguiu escapar da ira de Oggún, seu eterno rival no amor.

Seria muito extenso narrar as múltiplas facetas da vida de Changó.

Este orixá é capaz de resumir em si mesmo todas as virtudes e defeitos e, como pode se observar, nem a história, nem o relato sobre a origem de Santa Bárbara e de Changó guardam algo em comum, mais bem se trata de duas histórias que mostram um certo paralelismo até que a própria vida os põe em solo cubano e se unificam as duas tradições das culturas africana e européia.

Um santuário para Babalú Ayé
por Natalia Bolívar
Traduzido perto Ricardo Ferreira do Amaral, advogado, artista plástico e filho de Airá.
Da Revista Cuba Encuentro en la Red Cubaencuentro

Um ancião coxo esconde um Deus,
Que cruza a morte
Com cães congelados,
Onde nasceu o proibido.
Em sua armadura de lepra
Move-se a vida perfeita.

San Lázaro No povoado de Pedro Betancourt, em Matanzas, existe um santuário para honrar a São Lázaro ou Babalú Ayé, como muitos o chamam.

“Recorrendo suas ruas na manhã ardorosa de um verão, topamos com um pequeno santuário que faz alguns anos um modesto devoto construiu com suas próprias mãos para o culto de São Lázaro”, escreveu Lydia Cabrera.

Anos depois, numa despejada manhã de dezembro, as ruas de Pedro Betancourt, com seu asfalto pegajoso acabado de estender, nos adentram nos mistérios deste povoado enfeitiçado. Povoado de recordações fundidas nas pedras, nas canas que penetram a terra para sua fecundação e regeneração, nas cercanias das águas sagradas das lagoas poéticas de Pedro Betancourt ou Corral Falso de Macurijes.

Hoje, com passos parcimoniosos caminhamos até o cemitério e atravessamos sua porta, lugar repouso dos ancestrais e das lembranças. Ali nos espera silencioso em suas evocações, Chiqui Piloto, afilhado de batismo de Julio García, quem nos conduziu até o lugar em que se encontra atualmente sepultado seu padrinho, cujo cadáver foi trasladado por temor de que alguém possa ultrajar seu sepulcro e para que pudesse descansar em paz no eterno país dos ausentes.

Julio García era um dos mais prestigiosos mayomberos da região, pertencente ao ramo Yamba Cuaba. Contam os que o conheceram, que Julio era um mulato achinesado que vivia na mais completa solidão por um malefício que fez à única filha de Dolores Ibáñez, a venerável Francisquilla, informante e grande amiga de Josefina Tarafa, a quem “roubou uma guia” da sua nganga.

Julio encomendou em 1952 ao escultor Roberto Ojeda, a confecção de uma una escultura de seu querido São Lázaro, o Babalú Ayé dos iorubas; o Ayanu ou Agróniga, Chakuana ou Sakpata dos ararás, gangás e congos.

Ojeda, o escultor, agbeugui do milagre, nos comentou: “Comecei a trabalhar muito rápido, pois a idéia me emocionou. Lembro que sentei diante de um enorme tronco, de uma dessa madeiras duras de verdade, e com a goiva na mão empreendi minha tarefa”.

Roberto, com sua mão experiente, segurou a goiva para que o instrumento não tremesse nem partisse ante a resistente madeira que moldava lentamente, dando-lhe forma para se transformar em escultura, donde surge o poema ao sofrimento. Ojeda culmina sua obra. A capela se adorna. A figura de São Lázaro, Babalú, Omolú, Kobayende suou sem parar pelos poros da madeira. Isto durou três dias e se converteu em milagre ao sanar enfermos e paralíticos. Julio e Ojeda, seguidos de uma mística procissão de adoradores, levaram o São Lázaro para batizá-lo na igreja do povoado.

Narram os habitantes do povoado, que logo após terem batizado a escultura de São Lázaro, Julio García, introduziu na sua base a carga mágica de um gomo da sua prenda chamada: Siete Brillumba Yamba Cuaba. Nele estavam fundidas a Regla de Ocha, o catolicismo e as Reglas de Palo Monte, dando-lhe a fortaleza da espiritualidade do nosso povo criativo. A escultura encomendada já tinha seu santuário.

“Há que se desenterrar a história”, diz Chiqui Piloto no jardim da sua casa. Fala, com recolhimento e respeito, do venerável ancião de todas as crenças “…todos os anos viajam de lugares longínquos, muitos devotos para pagar seus oferecimentos. Do dinheiro que se arrecada destas promessas, uma parte está destinada para a manutenção do templo e da estátua…”.

Quando perguntamos ao escultor do milagre, Roberto Ojeda, sobre a sua obra, nos disse: “Essa estátua não é minha, não é de ninguém em particular, pertence ao povo de Pedro Betancourt, que para isso o senhor Julio a mandou construir, para que os habitantes deste lugar não tivessem que ir até o Lazareto, em la Habana, no dia 16 de dezembro, a adorá-lo ou a pagar suas promessas”.

E recordamos as notas de Lydia quando transcreve suas extensas tertúlias no jardim da casa de moradia de Josefina Tarafa, no central Cuba, entre os olores das flores de laranjeira e de ylang ylang, com o sussurro da brisa e rodeada de suas queridas informantes Francisquilla, Ña Petrona, Conga Mariate, Ña Merced La Mayor e muitas vivências ancestrais da mística africana, entre goles de café criollo e fumaça de tabaco, aspergindo sua loquacidade e conversando alegremente sobre suas experiências com Babalú Ayé, o senhor das enfermidades, a lepra e a sífilis.

Hoje, neste povoado, suas lembranças têm desabado com o passar do tempo. Ouvem-se as vozes do passado em um presente implacável que tem borrado seu esplendor. Só fica um santuário, onde a imagem de São Lázaro, Babalú Ayé, Omolú ou Kobayende sua, chora e ainda respira pelos poros da dura madeira.

Moforibale
porque honrar, honra
Reflexiones de un realizador
Jorge Luis Sánchez
De la revista Internet Caiman Barbudo
Tecle aquí para visitar la revista Caimán Barbudo

A Olofi y a Martí

He ido a muchas casas para recopilar datos y fotos. Ahora lo hago en mejores condiciones, pero los dos primeros años lo hice a pie, en guagua o en bicicleta. Lo mismo a Guanabacoa que a Párraga. Una vez, bajo el tremendo sol de agosto y con escaso alimento en el estómago, me cuestioné el sentido de esta obsesión. Pero reconforta saber que jamás alguien me ha dejado de atender, aún cuando, generalmente, llego sin previo aviso.

He visto lágrimas por viajar al recuerdo, otrora viril y hoy condenado al olvido. He visto a María Eugenia Pérez, una nonagenaria que se consagró en 1923, tal vez la más Alagbás de todas las Alágbás vivas, engrasar su bendito cerebro y producir asombrosos recuerdos para mí. Adorables conversadores que me piden regresar para echar otra conversaita porque en un santiamén se han recuperado de la soledad y el aburrimiento. Gente humilde con necesidades materiales, pero con una fe en sus Orishas aleccionadora.

Nadie jamás me ha pedido un centavo por un conocimiento en forma de recuerdo. Ciertos investigadores, venidos de otras tierras con mayores recursos y bajo el amparo de famosas universidades, a cambio de información, pagan. Yo sólo puedo ofrecer honestidad mientras me inclino y les rindo moforibale. Mis viejos santeros, agradecidos, estrujan su orí para satisfacer mis lagunas.

Cualquier preconcebida hermeticidad cede porque ellos y sus recuerdos, saben bien, formarán parte de un destino vital: la memoria de la Regla de Ocha, de la Cultura cubana, de la Nación. Entonces, ante cada cortesía de sus memorias, me pregunto cómo podré recompensar tanto recuerdo.

En 1999 había terminado Culto a los Orishas, una serie audiovisual de veinte capítulos sobre la Regla de Ocha. Uno de mis productores, entusiasmado con el resultado, comienza a alentarme para realizar una segunda parte que involucraría a varios Orishas ausentes en la primera. Me puse a escribirla, pero bajo la premisa de una mayor implicación social del fenómeno religioso.

Dentro de uno de los nuevos capítulos concebí un modesto homenaje a la memoria de ilustres santeros sin los que hoy no se podría hablar de herencia lucumí, como decía mi abuela, —aunque hoy sabemos que se dice y es, yorubá.

Cuatro o cinco nombres de santeros imprescindibles se han convertido en cerca de quinientos. Una gran parte de estos, casi olvidados por ese costado resbaloso que también tiene la memoria y la oralidad.

Fecha de nacimiento y muerte, orisha asentado, padrinos, rama religiosa, aportes fundamentales, entre otros datos, reconstruyen el perfil de un grupo de fundadores llegados aquí como esclavos, hasta los primeros cubanos asentados en las últimas décadas del siglo XIX y las primeras del XX, sin detenerme hasta los consagrados en los años 70. Mi investigación se apoya fundamentalmente en la memoria y en la oralidad de los más viejos de la comunidad practicante y en los documentos escritos por los santeros.

Con emoción inenarrable he visto un documento de más de cien años que desmiente que la eximia Timotea Albear, más conocida por Latuá, llegó a Cuba en 1887 cuando se había acabado la esclavitud. Excepto su descendencia filiar, nadie más sabía que fue apresada en una expedición de esclavos en 1867. Por ser emancipada se le concedió la libertad en 1870, para luego ser una de las más inteligentes e ilustres Oriatesas que junto con Lorenzo Samá, conocido por Obbadimeyi (su nombre en la Ocha), contribuyó a modelar lo que hoy se conoce como Santería.

A semejanza de la tradición africana que le otorga a la mujer la responsabilidad por la crianza y la educación, pocos saben que en el siglo XIX las oriatesas fueron las mujeres lucumí, quienes llevaban el peso del conocimiento y la dirección en las consagraciones. A ellas le debemos todo.

Con la llegada del siglo XX, envejecidas las fundadoras y superada la desconfianza hacia los cubanos, cedieron el cetro a los primeros criollos y criollas; entre estos, el antes mencionado Lorenzo Samá, Genaro Gómez (Oshún Gumí), José Roche (Oshún Kayoddé) y Fernando Cantera (Changó Larí). Entre las mujeres, la primera que pudo haber ejercido tan importante responsabilidad, fue una mulata hija de Oshún llamada Guillermina Castell (Oshún Laibó). Luego le siguieron Josefina Aguirre (Oshún Guere) hasta Carmen Miró (Egüín Bi). En nuestros días son los hombres los que ocupan este cargo. Alguna vez habrá que encontrar la causa de por qué las mujeres abandonaron esa jerarquía.

¿Quiénes pudieron ser los primeros criollos asentados por los lucumí? ¿Quién llevó la Regla de Ocha al oriente del país, a Venezuela o a Europa? ¿Cuándo salen de Cuba por primera vez los batá? ¿Quiénes fueron algunas de las personas asentadas que vivieron más años? ¿Quiénes fueron, y son, las personalidades sociales, políticas, científicas y artísticas consagradas en la Regla de Ocha y que han dejado una huella insustituible dentro de la forja de nuestra identidad? ¿Cómo es que la Regla de Ocha comienza a devolverle la autoestima a cientos de personas marginadas de la sociedad cubana de los primeros veinticinco años de República en el pasado siglo XX? ¿Cuándo entra el blanco? Estas y muchas preguntas podrían quedar parcial, o totalmente esclarecidas.

Igualmente los hitos que recoge la historia nuestra y las diferentes recomendaciones que, según el oráculo de Ifá, ofrecieron las letras del año, vista esta como una de las maneras de la santería, uno de los cultos más democráticos que se practicaron y se practican en Cuba, donde tienen cabida los hombres y las mujeres sin distinción de raza, credo político e inclinación sexual, de implicarse socialmente con la realidad del país.

Cuando se estudian estos hitos se aprecia con claridad que el desarrollo científico y cultural no han sido negados por la Regla de Ocha, todo lo contrario, se ha enriquecido con los avances, de ahí uno de los esenciales secretos de su supervivencia en la era de la biotecnología y la cibernética.

En la Santería, los practicantes una vez consagrados, obtienen otro nombre en yorubá. Pero también esa especial manera de nuestro choteo hace que a no pocos santeros le sustituyan el nombre por un apodo. Rescatar los verdaderos nombres ha sido un trabajo complicado, lo mismo que organizar las casas de santo por ramas partiendo desde los fundadores; aquellas mujeres Lucumí a las que antes hice mención, a las que, dicho sea de paso, alguna vez la nación cubana deberá erigir un monumento de agradecimiento por lo que con sudor, desarraigo y sangre sembraron en esta tierra. Porque si bien hay que agradecer al África parte de lo que somos, África también agradece a Cuba, particularmente Nigeria, lo que hemos hecho por el sostenimiento de la cultura Yorubá, no sólo aquí, sino en el mundo.

Me ha sucedido que he llegado a una casa y la única persona capaz de darme un dato, o confirmarlo, recién ha fallecido, o por la avanzada edad ha perdido la capacidad de hablar, de recordar, de saber quién es. Triste, porque nunca más se sabrá algo importante, he deseado, idealmente, haber nacido antes para no llegar tarde. Reacciono y culpo a otros que no se preocuparon en recoger y escribir. Leo y releo a Fernando Ortiz, a Lidia Cabrera, a Rómulo Lachantañeré, a Teodoro Díaz Fabelo, a Natalia Bolívar, a Martínez Furé y a otros autores, que por cuestiones no superadas en sus épocas, ocultaron y protegieron a innumerables practicantes e informantes. Pero como estoy haciendo todo lo contrario, me consuela entender que tal vez antes fuera imposible.

Mi propósito también es recuperar la imagen de aquellos Alagbás. Lamentablemente, muchas fotos se han perdido, pero la mayoría, gracias a las técnicas de restauración digital se salvarán definitivamente. Otros viejos santeros permanecen anónimos dentro de un documental que nada tiene que ver con el asunto religioso u olvidados en las páginas de alguna prensa escrita, como el memorable artículo “Eshú Bi ha muerto”, publicado en Bohemia cuando falleció la gran santera, Josefa Herrera, jefa de uno de los dos Cabildos, (del otro lo era Susana Cantero) que estremecía de gozo y devoción a su querida Regla los 9 de septiembre.

En uno de esos artículos veo marchar delante, tímidas y solemnes, a La Virgen de Regla, La Caridad del Cobre, La Virgen de Las Mercedes y Santa Bárbara, que por primera vez y para siempre, en esta tierra cubana serán también Yemayá, Oshún, Obbatalá y Changó, pero que ahora, y muchas más, van secundadas, no por cánticos gregorianos, sino por los cantos nasales yorubas a golpe de los fabulosos tambores batá. Negros, blancos, chinos y mulatos bailan, sudan y repiten los coros anudados a un cordón invisible, de fuerza mayor: la identidad cubana.

0 Pepa, como le llamaban a aquella humilde hija de Elegguá, era inconsciente de su aporte, no sólo a la liturgia religiosa, si no a la identidad nacional, pues allí se refundaban límites aparentemente imposibles de mezclarse. Hoy tendría todo el derecho a ganarse algo parecido a la medalla por la Cultura Cubana.

Porque la Regla de Ocha, y creo que las otras religiones de origen africano, tienen la virtud de que mientras mayor es la implicación ritual y litúrgica, más rápido conquista y se derrama como componente cultural. No sólo Pepa, otros ilustres Olochas merecerían un reconocimiento, —social, sería mucho mejor— por haber contribuido, junto a la arista española, a que este archipiélago, de tan breve tiempo como nación, pueda ofrecer prontamente al mundo un universo religioso propio, auténtico y delineador de su rostro nacional.

Es de mi gusto que los santeros preserven su memoria. En la dimensión en que están, esos grandes Olochas no se merecen el anonimato. Humildes semillas fueron: colocarlos donde toca es justicia histórica posible.

Estas pesquisas van ensanchado mi autoestima como cubano y como apasionado defensor de este culto del que desde niño he sido testigo. Cuando alguna vez dé por terminadas estas búsquedas, espero que el resultado tenga un alto valor para mis compatriotas; sean practicantes, ateos, laicos, antropólogos, etnólogos o sencillos lectores ávidos de conocer.

Moforibale – por que honrar, honra
Reflexões de um realizador
Por Jorge Luis Sánchez
Traduzido perto Ricardo Ferreira do Amaral, advogado, artista plástico e filho de Airá
Interessante artigo sobre a investigação que leva a cabo cineasta cubano que busca as raízes da religião lukumí e seus progenitores em Cuba.
Reproduzido aqui do original que aparece na revista Internet Caimán Barbudo

A Olofi e a Martí

Tenho ido a muitas casas para recopilar dados e fotos. Agora o faço em melhores condições, mas, nos primeiros dois anos o fiz a pé, em guagua ou em bicicleta. O mesmo a Guanabacoa que a Párraga. Uma vez, sob o tremendo sol de agosto e com escasso alimento no estômago, questionei-me o sentido desta obsessão. Porém, reconforta saber que jamais alguém deixou de atender-me, mesmo quando, geralmente, chego sem prévio aviso.

Tenho visto lágrimas por viajar à recordação, outrora viril e hoje condenada ao olvido. Tenho visto a María Eugenia Pérez, una nonagenária que se consagrou em 1923, talvez a mais Alagbás de todas as Alágbás vivas, lubrificar seu bendito cérebro e produzir assombrosas lembranças para mim. Adoráveis conversadores que pedem que volte para ter outra conversaita (conversinha) porque num piscar de olhos se recuperaram da solidão e do tédio. Gente humilde com necessidades materiais, mas com uma fé exemplar em seus Orixás.

Ninguém jamais me pediu um centavo por um conhecimento em forma de lembrança. Certos investigadores, vindos de outras terras com maiores recursos e sob o amparo de famosas universidades, em troca de informação, pagam. Eu só posso oferecer honestidade enquanto me inclino e lhes rendo moforibale. Meus velhos santeros, agradecidos, espremem seu orí para satisfazer minhas lacunas.

Qualquer hermetismo pré-concebido cede, porque eles e suas lembranças, bem sabem, formarão parte de um destino vital: a memória da Regla de Ocha, da Cultura cubana, da Nação. Então, diante de cada cortesia de suas memórias, pergunto-me como poderei recompensar tanta recordação.

Em 1999 tinha terminado Culto a los Orishas, um seriado audiovisual de vinte capítulos sobre a Regla de Ocha. Um dos meus produtores, entusiasmado com o resultado, começou a alentar-me para realizar uma segunda parte que compreenderia vários Orishas ausentes na primeira. Comecei a escrevê-la, mas sob a premissa de uma maior implicação social do fenômeno religioso.

Dentro de um dos novos capítulos concebi uma modesta homenagem à memória de ilustres santeros, sem os que hoje não se poderia falar de herança lucumi, como dizia a minha avó, —ainda que hoje saibamos que se diz y é, ioruba.

Quatro ou cinco nomes de santeros imprescindíveis, têm-se convertido em cerca de quinhentos. Una grande parte destes, quase esquecidos por esse lado escorregadio que também têm a memória e a oralidade.

Data de nascimento e morte, orixá assentado, padrinhos, ramo religioso, aportes fundamentais, entre outros dados, reconstroem o perfil de um grupo de fundadores chegados aqui como escravos, até os primeiros cubanos assentados nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do XX, sem me deter até os consagrados nos anos 70. Mi investigação apóia-se fundamentalmente na memória e na oralidade dos mais velhos da comunidade praticante e nos documentos escritos pelos santeros.

Com emoção inenarrável tenho visto um documento de mais de cem anos que desmente que la exímia Timotea Albear, mais conhecida por Latuá, chegou a Cuba em 1867, quando a escravidão tinha acabado. Exceto sua descendência filial, ninguém mais sabia que foi aprisionada numa expedição de escravos em 1867. Por ser emancipada se lhe concedeu a liberdade em 1870, para logo ser uma das mais inteligentes e ilustres Oriatesas que junto a Lorenzo Samá, conhecido por Obbadimeyi (seu nome na Ocha), contribuiu para modelar o que hoje se conhece como Santería.

À semelhança da tradição africana que outorga à mulher a responsabilidade pela criação e a educação, poucos sabem que no século XIX as oriatesas foram mulheres lucumis que levaram o peso do conhecimento e a direção das consagrações. A elas devemos tudo.

Com a chegada do século XX, envelhecidas as fundadoras e superada a desconfiança pelos cubanos, cederam o cetro aos primeiros criollos e criollas; entre estes, o antes mencionado Lorenzo Samá, Genaro Gómez (Oshún Gumí), José Roche (Oshún Kayoddé) e Fernando Cantero (Changó Larí). Entre as mulheres, a primeira que pôde ter exercido tão importante responsabilidade, foi uma mulata filha de Oxum, chamada Guillermina Castell (Oshún Laibó). Logo lhe seguiram Josefina Aguirre (Oshún Guere) até Carmen Miró (Egüín Bi). Nos nossos dias, são os homens os que ocupam este cargo. Alguma vez haverá de se encontrar a causa de por quê as mulheres abandonaram essa hierarquia.

Quem puderam ser os primeiros criollos assentados pelos lucumis? Quem levou a Regla de Ocha ao oriente do país, à Venezuela ou à Europa? Quando saem de Cuba por primeira vez os batás? Quem foram algumas das pessoas assentadas que viveram mais anos? Quem foram e são as personalidades sociais, políticas, científicas e artísticas consagradas na Regla de Ocha que têm deixado uma marca insubstituível dentro da forja da nossa identidade? Como é que a Regla de Ocha começa a devolver a auto-estima a centos de pessoas marginadas da sociedade cubana dos primeiros vinte e cinco anos de República no passado século XX? Quando entra o branco? Estas e muitas perguntas poderiam ficar parcialmente, ou totalmente esclarecidas.

Igualmente, os fatos que recolhe nossa história e as diferentes recomendações que, segundo o oráculo de Ifá, ofereceram las letras del año, vista esta como uma das maneiras da santería, um dos cultos mais democráticos que se praticaram e se praticam em Cuba, onde têm cabida os homens e as mulheres sem distinção de raça, credo político e inclinação sexual, de se implicar socialmente com a realidade do país.

Quando se estudam estes fatos, se aprecia com claridade que o desenvolvimento científico e cultural não têm sido negados pela Regla de Ocha, tudo o contrário, tem se enriquecido com os avances, daí um dos essenciais segredos da sua sobrevivência na era da biotecnologia e da cibernética.

Na Santería, os praticantes uma vez consagrados, obtêm outro nome em ioruba. Porém, também essa especial maneira nossa de designar, faz com que a não poucos santeros lhe substituam o nome por um apelido. Resgatar os verdadeiros nomes tem sido um trabalho complicado, o mesmo que organizar as casas de santo por ramos, partindo desde os fundadores; aquelas mulheres Lucumis às que antes fiz menção, às que, diga-se de passo, alguma vez a nação cubana deverá erigir um monumento de agradecimento pelo o que com suor, desarraigo e sangue, semearam nesta terra. Porque, se bem há que se agradecer à África parte do que somos, África também agradece a Cuba, particularmente Nigéria, o que temos feito pela sustentação da cultura Ioruba, não só aqui, senão no mundo.

Tem sucedido que tenho chegado a uma casa e a única pessoa capaz de me dar um dado, ou confirmá-lo, recém tem falecido, ou pela idade avançada tem perdido a capacidade de falar, de recordar, de saber quem é. Triste, porque nunca mais se saberá algo importante, tenho desejado, idealmente, ter nascido antes para não chegar tarde. Reajo e culpo a outros que não se preocuparam em recolher e escrever. Leio e releio Fernando Ortiz, Lydia Cabrera, Rómulo Lachantañeré, Teodoro Díaz Fabelo, Natalia Bolívar, Martínez Furé e outros autores, que por questões não superadas em suas épocas, ocultaram e protegeram inumeráveis praticantes e informantes. Mas, como estou fazendo tudo o contrário, me consola entender que antes, talvez fosse impossível.

Meu propósito também é recuperar a imagem daqueles Alagbás. Lamentavelmente muitas fotos têm-se perdido, mas a maioria, graça às técnicas de restauração digital haverão de se salvar definitivamente. Outros velhos santeros permanecem anônimos dentro de um documentário que nada tem a ver com o assunto religioso ou esquecidos nas páginas de alguma prensa escrita, como o memorável artigo “Eshú Bi ha muerto”, publicado em Bohemia quando faleceu a grande santera, Josefa Herrera, chefe de um dos dois Cabildos, (do outro, o era Susana Cantero) que estremecia de gozo e devoção à sua querida Regla nos 9 de setembro.

Em um desses artigos vejo marchar à frente, tímidas e solenes, a Virgem de Regla, a La Caridad del Cobre, a Virgem de Las Mercedes e a Santa Bárbara, que por primeira vez e para sempre, nesta terra cubana serão também Yemayá, Oshún, Obbatalá e Changó, mas que agora, e muitas mais, vão secundadas, não por cânticos gregorianos, senão pelos cantos nasalados iorubas a golpe dos fabulosos tambores batás. Negros, brancos, chineses e mulatos dançam, suam e repetem os coros atados por nós a um cordão invisível, de força maior: a identidade cubana.

0 Pepa, como chamavam àquela humilde filha de Elegguá, era inconsciente do seu aporte, não só à liturgia religiosa, senão à identidade nacional, pois ali se re-fundavam limites aparentemente impossíveis de se misturar. Hoje teria todo o direito de ganhar algo parecido à medalha pela Cultura Cubana.

Porque a Regla de Ocha, e creio que as outras religiões de origem africana, tem a virtude de quanto maior for a implicação ritual e litúrgica, mais rápido conquista e se derrama como componente cultural. Não só Pepa, outros ilustres Olochas mereceriam um reconhecimento —social, seria muito melhor— por ter contribuído, junto à aresta espanhola, a que este arquipélago, de tão breve tempo como nação, possa oferecer prontamente ao mundo um universo religioso próprio, autêntico e delineador de seu rosto nacional.

É do meu agrado que os santeros preservem sua memória. Na dimensão em que estão, esses grandes Olochas não merecem o anonimato. Humildes sementes foram: coloca-los onde cabe é justiça histórica possível.

Estas pesquisas vão ampliando minha auto-estima como cubano e como apaixonado defensor deste culto do qual desde menino tenho sido testemunha. Quando alguma vez der por terminadas estas buscas, espero que o resultado tenha um alto valor para os meus compatriotas; sejam praticantes, ateus, laicos, antropólogos, etnólogos ou simples leitores ávidos de conhecer.

Edited by Joseph M. Murphy & Mei-Mei Sanford.
Bloomington: Indiana University Press, 2001

An excellent publication on the Orisha Oshun and her various representations in Africa and the Diaspora. The book features articles numerous scholars on Yoruba religion. At the expense of sounding biased, there are two articles that I especially enjoyed: Wande Abimbola’s “The Bag of Wisdom: Osun and the Origins of Ifá Divination,” and David O. Ogundigbe’s “Eerindinlogun: The Seeing Eyes of Sacred Shells and Stones.”

Joseph Murphy’s analysis of the Oshún/Caridad del Cobre relationship is a very important contribution toward further understanding the processes that reshaped Lukumí religion in the Diaspora. Likewise, Isabel Castellano’s “River of Many Turns. . .” continues to build upon her already established reputation as an excellent researcher and her analytical abilities. I have one issue though, and that is with my omó orisha Ysamur Flores. Yewandé and I need to discuss and compare Oshun’s and Shango’s throne! :-) Osun Across the Waters is a welcome and valuable addition to Orisha literature. I applaud Joseph Murphy and Mei-Mei Sanford for a wonderful and insightful contribution that will most definitely have an impact on Yoruba and Diasporan-Yoruba Orisha scholarship.

By Iyanifa Ileana S. Alcamo
Translated by Oluwo Cris Alcamo
New York, Athelia Henrietta Press, 2002

When I first received the email recommending this book, I was drawn to buy it on account of primarily one thing: the word “Iyanifa.” The title implied, at least to me, a serious study on the trials that a woman ordained to Ifá may encounter in the Lukumí world, something that is truly needed in this day and age. It is a well-known fact that the Lukumí tradition has always maintained that women should not be ordained to Ifá. In all fairness, we must emphasize that this belief was not a conspiracy by Cuban Babalawós motivated by sheer selfishness to purposely disenfranchise women. This proscription was handed down by the Lukumí progenitors of this religion. I believed Alcamo’s book would explore these issues and attempt to defend the ordination and argue her point convincingly by presenting the reader with solid facts, profound analyses based on odú, or interviews with Yoruba Babalawós and other Iyanifás, something that in many respects has already been done quite graciously by Chief FAMA Àìná Adéwálé-Somadhi.

Instead, Alcamo’s book turned out to be a true disappointment. Alcamo bit off more than she could chew and went to battle without offering ebó. While raising some valid points about the arrogant and self-centered nature of some members of the Lukumí priesthood, Alcamo’s book reads more like one of those new-age guides for Ifá and Orisha groupies. I believe that too many issues that Alcamo raises are allowed to lie fallow because so much of the book is dedicated to her complaints about her negative encounters with what sounds like a very limited sector of the Lukumí community. Alcamo loses out on wonderful opportunities to explore and analyze the state of the religion in terms of its representatives, some of which are often clearly known to be highly unscrupulous opportunists that, though ordained by Lukumí standards, are far from being true and sincere devotees. I must emphasize that this group does not represent the majority of the Lukumí community, something Alcamo does say at various points throughout her book. This group of iniquitous heretics is in fact a slim minority of the Lukumí population that because of their lack of religious scruples and basic human values, become the better known; the infamous representatives that detract from our religion.

Unfortunately, Alcamo’s book does not rate very high as a valuable contribution to the growing body of serious literature on Lukumí, Diasporan and Yoruba religion. Unfortunately, “The Challenge. . .” loses out on its opportunity to confront the serious issues by delving solely on complaints and “mystic” advice. These flaws place Alcamo’s book alongside the many “supermarket tabloid” publications that are filling the shelves of American mystic and occult bookstores spreading more misinformation on an already sufficiently misrepresented religion.

by Obá Oriaté Miguel “Willie” Ramos, Ilarí Obá.

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As a young Olorisha in New York, I became aware of what I considered an urgent need to disseminate information to other Olorishas about our religious practices. By my sixteenth birthday, I had published the first edition of this book, 100 books, meant to circulate solely amongst my friends and the members of my ilé. Looking back on that book today, in many respects I feel embarrassed by it as the spelling errors and typos were so numerous that it still upsets me. In fact, I am often angered whenever I see the pirate copies of that edition that are still offered for sale, primarily in New York.

Dominated by religious fervor and an idealist frame of mind, I was very naive, gullible and inexperienced in the affairs of the “real” world and I paid the price. The printer, who according to our agreement was supposed to have edited the book, never did so. As a result, the book was printed with all the grammatical mistakes, spelling errors, and even the crossed-out words—typos—that the printer was supposed to have edited but never did. When I saw the finished product, and the printer’s despotism-who after all was dealing with a kid- I was upset but naive, and the printer refused to repair the damage. I lost half my money which I gave as an initial deposit but I took the books as they were. The printer lost his work that I refused to pay for-I may have been naive but not stupid! Still, since the edition was for a small group of people, I did not make much of it and distributed as it was, with all the errors. Was that a mistake!

In spite of all these flaws, though, in a matter of months, the intellectual pirates somehow got a hold of one of the books and published and republished it over and over again, with all its errors, and most detrimental of all, without my consent! It was stolen! The lawyers I consulted suggested that it would be a waste of time to pursue any legal course of action because it was such a minor case-“small fry”- that it was not worth the time and effort. Thousands of pirate copies of the book hit the market and were on sale at botanicas all over the city. Surprisingly, in spite of all its errors, the book was very successful. For some reason, probably dictated by the little literature available during that early period of Lukumí religion in the U.S., the book was always well received. To this day, I come across people who tell me that thanks to this book, they learned to chant Osayín— chants are the book’s major emphasis— or that they use the book to consult some of the bead patterns I describe for some of the orishas. The fact that this book was influential to scores of Olorishas in many, many ways is my major reward. Modupé ó!

Since the first edition in 1975, the book has been reprinted two other times in this edited version advertised here—also being pirated by deceitful and petty thieves (of which there are many others today) who prey on intellectual property for their own financial benefit because they lack the intellect to do it any other way. The book is in Spanish, however I am currently considering a revised, English version. While I am aware that this book contains a number of flaws and errors, especially in terms of the Yoruba orthography, I cannot help but feel that it continues to perform the task I originally had in mind when I first published it: disseminate information. The book is a valuable stepping stone for the young Olorisha and for the aborisha as well in that it lays foundations for future edification.

Asé Omó Osayín. . . Ewé Ayé
$21.99 +5.60 Priority Mail S&H










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Desde que fui iniciado en la religión en la ciudad de Nueva York, me preocupé por lo que consideré una urgente necesidad de diseminar información sobre la religión lukumí a la creciente comunidad religiosa en Estados Unidos. Con a penas unos dieciséis años de edad, publiqué la primera edición de este libro, unos 100 tomos, los cuales pensé distribuir entre algunas amistades y los miembros de mi Ilé Osha. Actualmente, al revisar el manuscrito y el ejemplar de aquel primer libro, me siento un tanto abochornado, ya que los errores ortográficos y gramaticales fueron muchos y el libro se imprimió sin poderle hacer las debidas correcciones. Más me enfado cuando veo las copias piratas de aquella edición, que aun siguen vendiendo—especialmente en Nueva York—los ladrones y rateros baratos que se lucran del trabajo y esfuerzo de otros sin el más mínimo remordimiento.

Impulsado por el fervor religioso y una mentalidad idealista e ingenua, fui victima de mi propia falta de malicia e inexperiencia tocante a los asuntos del mundo “real”, y por lo cual pagué costosamente. El impresor, quien según nuestro acuerdo editaría el libro y corregiría los errores, nunca lo hizo. Resultó que el libro fue impreso con todos los errores y hasta las tachas y borrones que el editor se suponía que corrigiera más nunca hizo. Cuando obtuve el producto final, y tropecé con la defensa despótica del impresor, quien después de todo estaba tratando con un chiquillo inmaduro, este rehúso a enmendar su error. Perdí la mitad del dinero que me había pedido por el trabajo, pero me entregó los libros tal y como estaban, sin corregirlos. El también perdió pues nunca cobró la suma completa que había pedido por hacer el trabajo—yo sería ingenuo, pero no estúpido. Arriba de que había hecho el trabajo mal, sería yo demasiado tonto si le pagaba el balance. No obstante, como la idea inicial era de repartir esta edición a mis amistades y familia de Osha, no me preocupé tanto y los distribuí tal y como estaban, con un sin número monstruoso de errores. ¡Que metida de patas!

A pesar de sus faltas, en cuestión de meses, los piratas intelectuales lograron conseguir una copia del libro y lo imprimieron y repartieron por toda la ciudad de Nueva York, nuevamente sin corregir ningún error, y más indignante aún, sin mi consentimiento. Nuevamente caí de victima. Consulté algunos abogados, pero todos coincidieron en una cosa—perseguirles sería un proceso difícil y muy costoso para un asunto tan pequeño, pues perdería tiempo y dinero sin garantía alguna.

Se repartieron miles de ejemplares piratas a través de las botánicas de la ciudad. Para mi gran sorpresa, a pesar de todas sus faltas, el libro gozó de un gran éxito. Por razones inexplicables, posiblemente impulsado por la escasez de materiales sobre la religión existentes en la era, el libro siempre fue muy bien recibido. Hasta en la actualidad, constantemente me encuentro con personas que me confiesan que aprendieron los súyeres de Osayín y los orishas gracias a este libro o que consultan el libro cuando desean conocer los colores rituales para el ensarte de los collares de sus orishas. El mero hecho de que este libro haya influenciado la vida de tantos olorishas quizás sea mi mayor recompensa. ¡Modupé ó!

Desde aquella monstruosa edición de 1975, la edición revisada de este libro se ha impreso tres veces más. Lamentablemente, los piratas aun siguen al acecho. Carecen de la intelectualidad para producir trabajos de valor para la comunidad religiosa, pero más aún, carecen de el más básico sentido de la ética, pero les sobra inmoralidad y vileza. Deposito esta injusticia en las manos de Ogún, Shangó y Olodumare.

Aunque estoy muy consciente de que la edición revisada también contiene algunos errores, y que mi propia perspectiva ha evolucionado con el andar de los años y la experiencia adquirida, no puedo dejar de sentir que este libro logró cumplir con los deseos de aquel joven ingenuo de dieciséis años: diseminar información. Considero que el libro es una herramienta muy valiosa para el iyawó y el olorisha joven que están dando sus primeros pasos dentro de la religión lukumí, al igual que lo es para el aborisha o aleyó que está tratando de lograr una mejor comprensión sobre la religión en la cual se está introduciendo.

Asé Omó Osayín. . . Ewé Ayé
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Traduzido perto Ricardo Ferreira do Amaral, advogado, artista plástico e filho de Airá.

Desde que fui iniciado na religião na cidade de Nova Iorque, preocupei-me pelo que considerei uma urgente necessidade de disseminar informação sobre a religião lukimi à crescente comunidade religiosa nos Estados Unidos. Com apenas dezesseis anos de idade, publiquei a primeira edição deste livro, uns 100 tomos, que pensei distribuir entre algumas amizades e os membros do meu Ilé Osha. Atualmente, revisando o manuscrito e o exemplar daquele primeiro livro, me sinto um tanto envergonhado, pois os erros ortográficos e gramaticais foram muitos e o livro foi impresso sem que pudessem ser feitas as devidas correções. Mais me zango ainda, quando vejo as cópias piratas daquela edição, que ainda seguem vendendo – especialmente em Nova Iorque – os ladrões e gatunos baratos que lucram com o trabalho e esforço dos outros sem o mínimo remorso.

Impulsionado pelo fervor religioso e uma mentalidade idealista e ingênua, fui vítima da minha própria falta de malícia e pela inexperiência tocante aos assuntos do mundo “real”, pelo que paguei com muito custo. O impressor, que segundo nosso acordo editaria o livro e corrigiria os erros, nunca cumpriu o combinado. O resultado foi que o livro foi impresso com todos os erros e até com os riscos e borrões que o editor, supunha-se que os corrigisse mas nunca o fez.

Quando obtive o produto final e tropecei com a defesa despótica do impressor, que ao final das contas estava tratando com um pirralho imaturo, aquele se recusou a sanar seu erro. Perdi a metade do dinheiro que ele havia pedido pelo trabalho, porém, me entregou os livros tal qual estavam, sem nenhuma correção. Ele também perdeu, pois nunca cobrou a soma completa que tinha pedido para fazer o trabalho – eu era ingênuo, mas não estúpido. Ainda por cima de ter feito mal o trabalho, eu seria demasiado bobo se lhe pagasse o saldo faltante. No entanto, como a idéia inicial era a de repartir aquela edição às minhas amizades e família de Osha, não me preocupei tanto assim e distribui os livros tal qual estavam, com um sem número monstruoso de erros. Que mancada!

Apesar das falhas, em questão de meses, os piratas intelectuais conseguiram uma cópia do livro e o imprimiram e repartiram por toda a cidade de Nova Iorque, novamente sem corrigir nenhum erro e o mais indignativo: sem o meu consentimento. Novamente fui vítima. Consultei alguns advogados, mas todos coincidiram numa coisa: perseguí-los seria um processo difícil e por demais oneroso para um assunto tão pequeno, pois perderia tempo e dinheiro sem garantia alguma.

Foram repartidos milhares de exemplares piratas através das botânicas (lojas especializadas em artigos religiosos) da cidade. Para grande surpresa minha, apesar de todas as falhas, o livro gozou de um grande êxito. Por razões inexplicáveis – provavelmente impulsionado pela escassez de material sobre a religião naquela época- o livro sempre foi muito bem recebido. Até na atualidade, constantemente encontro com pessoas que me confessam terem aprendido os súyeres de Osayín e os orixás, graças a esse livro ou que consultam o livro quando desejam conhecer as cores rituais para confeccionar os colares de seus orixás. O mero fato de este livro ter influenciado a vida de tantos olorixás, quiçá seja a minha maior recompensa. Modupé ó!

Desde aquela monstruosa edição de 1975, a edição revisada deste livro tem sido impressa por mais três vezes. Lamentavelmente, os piratas continuam à espreita. Carecem de intelectualidade pra produzir trabalhos de valor para a comunidade religiosa, porém ainda mais, carecem do mais básico sentido de ética, sobrando-lhes imoralidade e vileza. Deposito esta injustiça nas mãos de Ogum, Xangô e Olodumarê.

Ainda que esteja muito consciente de a edição revisada também conter alguns erros, e de minha perspectiva ter evoluído através dos anos e da experiência adquirida, não posso deixar de sentir que este livro conseguiu cumprir com os desejos daquele jovem ingênuo de dezesseis anos: disseminar informação. Considero que o livro é uma ferramenta muito valiosa para o iyawô e o olorixá jovem que estejam dando seus primeiros passos dentro da religião lukumi, da mesma maneira que para o aborixá ou aleyô que está tratando de obter uma melhor compreensão sobre a religião na que está se introduzindo.

Asé Omó Osayín. . . Ewé Ayé
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