Correio da Bahia, September 1, 2002
Pai-de-santo reúne histórias, vivências e receitas da culinária na religião afro-brasileira
Ana Cristina Pereira
redacao@correiodabahia.com.br

O convite da editora para escrever um livro sobre comida que não fosse de culinária criou um problema para o babalorixá Cido de Òsun Eyin, baiano que mora em São Paulo desde os 20 anos. Como fazê-lo?, perguntava-se o religioso, que pediu ajuda aos orixás. Dormiu um dia e sonhou com o acaçá, interpretando a história como “um recado de Oxóssi”, o patrono do seu terreiro. Para quem não sabe ou não está lembrado, acaçá é aquele bolinho cremoso de milho branco enrolado na palha de bananeira, e que ainda pode ser encontrado à venda nas ruas da cidade.

Dentro do Candomblé, informa pai Cido, o acaçá é, simbolicamente, o alimento mais importante. Deve ser ofertado a todos os orixás, em todas as cerimônias, das mais simples às mais complexas, como as de iniciação e passagem. Pensando na iguaria como síntese da importância da comida para o povo de santo, ele chegou ao formato de Acaçá – Onde tudo começa, que traz o intertítulo Histórias, vivências e receitas das cozinhas de Candomblé (Arx). “O acaçá é o símbolo de paz, a energia branca, remete ao princípio de todas as coisas, à criação”, afirma pai Cido.

A partir desse conceito, o trabalho conseguiu mesmo fugir do formato clássico dos livros de receitas, dando um tratamento antropológico ao assunto. Escrito com a colaboração de Rodnei William Eugênio, sociólogo e filho-de-santo de pai Cido, a publicação procura mostrar a importância do alimento no cotidiano das casas de candomblé. O autor observa que a comida, diferentemente do que acontece em outras religiões, representa um elo fundamental entre os homens e as divindades.

“A comunhão se dá em termos reais e simbólicos, pois o mesmo caruru com arroz e galinha da terra que mata a fome dos homens, antes foi oferecido aos orixás, que a partir de então passam a dividir a mesa e a compartilhar da alegria de seus filhos”, anota pai Cido. Comer da mesma comida ofertada a Oxum, Oxóssi e outros deuses seria, então, uma maneira de despertar o axé do orixá dentro de cada um de nós.

A primeira parte do livro dá uma geral nos elementos que cercam o ritual do preparo, destacando-se a ida aos mercados e a ação coletiva nas cozinhas. Segundo pai Cido, ingredientes, temperos e modos de preparar são fundamentais para alcançar os propósitos finais. O azeite-de-dendê, diz, assim como o mel e o sal, é uma espécie de sangue, imprescindível nos rituais de consagração. “Depois que fiz o santo, tenho me preocupado muito com a forma correta dos pratos. Vejo muita gente fazendo o acaçá de forma incorreta”, diz.

Na seqüência, a publicação traz 18 capítulos, cada um dedicado a um orixá e os principais tipos de alimentos que costumam lhe serem servidos. O interessante é que o autor conseguiu fugir de uma abordagem simplista, falando de comida a partir da mitologia dos orixás e mostrando como os pratos podem variar de acordo com a cultura local. O inhame, por exemplo, está diretamente ligado a Ogum porque, na África, ele é fundamental, simboliza a fartura desejada pelo orixá guerreiro. É a base de muitos pratos naquele continente. No final do livro, um apêndice com algumas receitas e um pequeno glossário.

Fazer história – Acaçá – Onde tudo começou é o segundo livro de pai Cido, que anteriormente publicou o polêmico Candomblé: a panela do segredo. Dizendo que está interessado em fazer história e não em escrever livros, ele diz que não recebe nenhum elogio do povo do candomblé. “O candomblé só bate palmas para intelectuais”, alfineta pai Cido, definindo-se como uma pessoa simples, mas que tem o que contar. “O intelectual tem a tese e eu vivo o Candomblé, eu sei fazer acaçá, acarajé e abará, sei como funciona, esta é minha vida”, diz.

Comandando um terreiro na zona leste paulista, pai Cido de Òsun tem um história parecida com muitos nordestinos que foram tentar a vida no Sul do país. Filho de família pobre, aos 20 anos resolveu ir para São Paulo: “A cidade me abraçou e Oxum me deu tudo que tenho”, diz ele.

Correio da Bahia
Exu, o mais humano dos orixás, tem pouca semelhança com o anjo rebelde da história da criação
Adriana Jacob
redacao@correiodabahia.com.br

Intermediário entre os deuses do candomblé e os pobres mortais, Exu é senhor dos destinos, guardião dos caminhos e das encruzilhadas. Só ele pode facilitar a comunicação com os orixás e a ele são prestadas as homenagens iniciais em todas as festas de terreiro. Mas a fama que carrega é injusta – Exu nada tem a ver com o demônio da cultura ocidental. Dono de mistérios insondáveis, este mensageiro dos deuses concilia força, criatividade, poder e astúcia, mas pode se revelar também prestativo e protetor. Na África e entre os estudiosos do candomblé, Exu será sempre sinônimo de vida, liberdade e axé.

Senhor dos caminhos

Reverência a Exu mostra por que o deus da liberdade africano foi sincretizado como demônio no Brasil

É antes da noite cair sobre as águas da Baía de Todos os Santos que começa um dos mais misteriosos rituais dos terreiros de candomblé: o padê de Exu. A cerimônia é feita com toda a pompa nos terreiros tradicionais. De tardinha, os filhos-de-santo ficam em círculo no barracão e curvam os corpos sobre as esteiras, com a cabeça elevada ao encontro dos punhos. No chão, no meio do barracão, um pote de barro com água, uma pequena garrafa de cachaça, uma cuia com farinha de mandioca, sangue e uma garrafa pequena de azeite-de-dendê.

Os atabaques começam a tocar e, de longe, pode-se ouvir as vozes dos filhos e filhas-de-santo cantando para Exu. É hora de despachar o senhor dos caminhos, o orixá mensageiro. O despacho é uma reverência, já que só Exu pode abrir os caminhos para que homens e orixás possam se comunicar. Por isso, é ele que deve ser homenageado primeiro, em todas as festas, antes de qualquer outra divindade. Para a saudação aos outros orixás começar, é preciso contar com a proteção de Exu.

Foi graças a essa proteção que Pedro Archanjo, um dos mais irresistíveis personagens de Jorge Amado, conseguiu escapar de uma grande armadilha. Uma iabá – espécie de filha do diabo – se transformou em uma negra formosa e traçou um plano para acabar com o jeito namorador de Archanjo: iria deixá-lo impotente. O que a iabá não sabia é que Pedro Archanjo era afilhado de Exu.

Foi o orixá que lhe avisou dos planos da inimiga e preparou um encantamento, com direito a banho de folhas e a ebó. Com a ajuda de Exu, o resultado é que o feitiço da iabá não pegou e ela acabou se apaixonando por Archanjo. Deixou de ser diaba e se transformou na bela negra Dorotéia. Tornou-se filha de Iansã e “terminou dagã a dançar o padê de Exu no início das obrigações”.

Mas não é só isso. Como Pierre Verger conta em seu livro Orixás, Exu pode fazer coisas extraordinárias, como carregar numa peneira o óleo que comprou no mercado, sem que esse óleo derrame. Pode ter matado um pássaro ontem, com uma pedra que jogou hoje. Faz o erro virar acerto e o acerto virar erro.

Adorado por uns, temido por outros, Exu é um dos mais misteriosos nomes do panteão das divindades africanas. Suas cores são o vermelho e o preto. Seu dia, a segunda-feira. Muitas histórias se contam sobre ele, e quase todo mundo tem algo a dizer quando o assunto é o orixá, sincretizado pela igreja católica como o diabo. A cerimônia do padê é um indício de que sua importância vai muito além do que se imagina quando se fala no “homem das encruzilhadas”.

Alguns estudiosos, como o doutor em antropologia pela Universidade Nacional do Zaire, professor aposentado de antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e professor adjunto da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Júlio Braga, definem Exu como o mais dinâmico dos orixás. “É ele que impulsiona a vida e cria as condições dialéticas necessárias para a existência”, diz. Exu seria o responsável por promover a percepção do contrário e mostrar o outro lado de uma questão.

Além disso, está ligado à noção de sexualidade, com a função de promover a continuidade da existência. Por isso, na África, é representado, em alguns locais, por um montículo de terra na forma de um homem abaixado, com um falo de tamanho respeitável. Esse falo seria o símbolo de sua função reprodutiva.

Uma função nada compatível com a que a igreja católica lhe denominou no sincretismo religioso. Segundo Verger, “esse detalhe (o pênis ereto) deu motivo a observações escandalizadas, ou divertidas de numerosos viajantes antigos e fizeram-no passar, erradamente, pelo deus da fornicação”. Se o preconceito com todo o candomblé já é grande, quando o assunto é Exu, as proporções aumentam. Basta pensar que nem todo o mundo sabe qual santo corresponde à versão sincrética de Iansã ou a de Omolu, mas quando se fala de Exu, é raro alguém não associá-lo ao diabo.

De fato, Exu é irritável e pode ser astucioso, grosseiro, vaidoso e indecente, mas se tratado com consideração, ele mostra seu lado bom, serviçal e prestativo. Se, ao contrário, esquecerem de lhe oferecer sacrifícios e oferendas, pode-se esperar até por catástrofes. “Exu revela-se, talvez, desta maneira o mais humano dos orixás, nem completamente mau, nem completamente bom”, diz Verger. Por conhecerem o lado protetor de Exu, há pessoas na África que usam orgulhosamente nomes como Ésubíyìí – concebido por Exu – ou Èsùtósin – Exu merece ser adorado.

É possível que, justamente por sua força, tenha sido o mais atacado dos orixás, associado ao mal absoluto. Se aqui ele é temido e indesejado por muitos, na origem africana era diferente, já que não havia o conceito de maldade absoluta. Exu é a figura que traz a noção de contraste. “Ele promove a transparência do mal que está contida na noção do bem”, diz Braga. Além disso, Exu é a força da comunicação. Ele é o mediador dos orixás entre si, dos orixás com os seres humanos – e vice-versa – e mesmo o mediador entre os próprios seres humanos.

O sistema religioso está baseado na comunicação, através da troca do axé, que possibilita a harmonia da existência. A oferenda é o fator de equilíbrio, e todo desequilíbrio é recomposto por uma oferta. Como Exu é o mediador, é através dele que a oferta é levada ao orixá. Nesse sistema, Exu é a figura chave, já que somente através dele pode acontecer a troca de axé.

Logo, todo ato religioso precisa de sua presença e, por isso mesmo, todo ato religioso no candomblé é iniciado com uma oferenda a ele. Como explica Volney J. Berkenbrock em seu livro A experiência dos orixás, “Exu é a faísca que inicia o processo. É o princípio de tudo, a força da criação, o nascimento, o equilíbrio negativo do universo, o que não quer dizer coisa ruim. Exu é a célula mater de geração da vida, o que gera o infinito, infinitas vezes”.

Por conta de tudo o que se disse e ainda se diz sobre ele, a imagem de Exu por vezes parece bem próxima e clara. Outras horas, parece estar envolta em névoa. Talvez, todo esse mistério e toda a confusão que fazem com seu nome tenham sido a causa de sua figura haver inspirado inúmeros acadêmicos e artistas a se debruçarem sobre sua personalidade.

Amante dos mistérios da Bahia e do candomblé, com Jorge Amado não foi diferente. Segundo o escritor, “Exu come tudo que a boca come, bebe cachaça, é um cavalheiro andante e um menino reinador. Gosta de balbúrdia, senhor dos caminhos, mensageiro dos deuses, correio dos orixás, um capeta. Por tudo isso sincretizaram-no com o diabo: em verdade ele é apenas um orixá do movimento, amigo de um bafafá, de uma confusão, mas, no fundo, uma excelente pessoa. De certa maneira, é o não onde só existe o sim; o contra em meio do a favor; o intrépido e o invencível”.

Correio da Bahia
Eshu, el más humano de los orishás, tiene poca semejanza con el ángel rebelde de la historia de la creación
Adriana Jacob
redacao@correiodabahia.com.br

Intermediario entre los dioses del Candomblé y los pobres mortales, Eshú es el señor de los destinos, guardiero de los caminos y de las encrucijadas. Solo el puede facilitar la comunicación con los orishas y es a él solo que se le presta homenaje al iniciar toda fiesta de los terreiros. Mas la fama que carga es injusta – Eshú nada tiene que ver con el demonio de la cultura occidental. Dueño de misterios inmedibles, este mensajero de los dioses concilia fuerza, creatividad, poder y astucia, además pode también ser caritativo y protector. En África y entre los estudiosos del candomblé, Eshú será siempre sinónimo de vida, libertad y ashé.

Señor de los caminos

La reverencia a Eshú muestra por que el dios de la libertad africano fue sincretizado con el demonio en Brasil

Es antes de la caída de la noche sobre las aguas de Bahía de Todos los Santos que comienza uno de los más misteriosos rituales de los terreiros de candomblé: el padê de Eshú. La ceremonia es hecha con toda la pompa de nuestros terreiros tradicionales. Al atardecer, los hijos-de-santo se arrodillan en un círculo en el barracón (salón grande en el terreiro) y agachan sus cuerpos sobre las esteras, con la cabeza sostenida sobre los dos puños. En el suelo, en el medio del barracón, se haya una tinaja de barro con agua, un pequeño porrón con aguardiente, una cazuela de barro con harina de yuca, sangre y un porrón pequeño con manteca de corojo.

Los tambores comienzan a tocar y, desde lejos, se puede escuchar las voces de los hijos e hijas-de-santo cantando para Eshú. Es hora de despachar al señor de los caminos, el orishá mensajero. El despacho es una reverencia, ya que solo Eshú puede abrir los caminos para que hombres y orishás se puedan comunicar. Por eso, es él quien debe ser homenajeado primero, en todas las fiestas, antes de cualquier otra divinidad. Para que el saludo a los otros orishás pueda comenzar, es preciso contar con la protección de Eshú.

Fue gracias a esa protección que Pedro Archanjo, uno de los más irresistibles personajes del novelista Jorge Amado, consiguió escapar de una gran trampa. Una iyabá – especie de hija del diablo – se transformó en una hermosa negra y trazó un plan para acabar con el encanto de Archanjo: lo dejaría impotente. Lo que la iyabá no sabía era que Pedro Archanjo era ahijado de Eshú.

Fue el orishá que le aviso de los planos de su enemiga y preparó un encantamiento, con un baño de hojas y un ebó. Con la ayuda de Eshú, el resultado es que la brujería de la iyabá no pegó y ella acabó locamente enamorada de Archanjo. Dejo de ser diabla y se transformo en la bella negra Dorotea. Se hizo hija de Iyansán y “terminó obligada a ser la que baila el padê de Eshu al inicio de las obligaciones”.

Mas no es solo eso. Como cuenta Pierre Verger en su libro Orixás, Eshú puede hacer cosas extraordinarias, como cargar en un colador el aceite que compro en el mercado, sin que el aceite se derrame. Puede matar un pájaro ayer con una piedra que tiró hoy. Hace que la mentira se vuelva verdad o la verdad se vuelva mentira.

Adorado por unos, temido por otros, Eshú es uno de los mas misteriosos nombres del panteón de las divinidades africanas. Sus colores son el rojo o el negro. Su día, es el lunes. Muchas historias se cuentan sobre el, y casi todo el mundo tiene algo que decir cuando el asunto es acerca del orishá, sincretizado por la iglesia católica con el diablo. La ceremonia del padê es un indicio de que su importancia va mucho mas allá de lo que se imagina cuando se habla del “hombre de las encrucijadas”.

Algunos estudiosos, como el doctor en antropología de la Universidad Nacional de Zaire, profesor retirado de antropología de la Universidad Federal de Bahia (UFBA) y profesor adjunto de la Universidad Estatal de Feira de Santana (UEFS), Júlio Braga, define a Eshú como el mas dinámico de los orishás. “Es él que impulsa la vida y crea las condiciones dialécticas necesarias para la existencia”, dice. Eshú sería el responsable por promover la percepción de lo que es contrario y mostrar el otro lado de un asunto.

Además de eso, está ligado a la noción de la sexualidad, con l a función de promover l a continuidad de la existencia. Por eso, en África, es representado, en algunos lugares, por un montículo de tierra con la forma de un hombre pequeño, con un falo de tamaño respetable. Ese falo sería el símbolo de su función reproductiva.

Una función nada compatible con la que l a iglesia católica le denominó en el sincretismo religioso. Según Verger, “ese detalle (el pene erecto) dio motivo a las observaciones escandalizadas o divertidas de numerosos viajantes antiguos quienes lo identificaron, erradamente, como el dios de la fornicación”. Si el preconcepto con todo l o referente al candomblé de por sí es grande, cuando el asunto trata de Eshú, l as proporciones aumentan. Basta pensar que no todo el mundo sabe cual santo corresponde a la versión sincrética de Iyansá o la de Omolu[Babaluaiyé], mas cuando se habla de Eshú, es raro que alguien no lo asocie con el diablo.

De hecho, Eshú es irritable y puede ser astuto, grosero, vanidoso e indecente, mas si es tratado con consideración, él muestra su lado bueno, servicial y caritativo. Si, al contrario, olvidaran de hacerle sacrificios y ofrendas, se pueden esperar hasta catástrofes. “Eshú se revela, talvez, de esta manera siendo el más humano de los orishás, ni completamente malo, ni completamente bueno”, dice Verger. Porque conocen el aspecto protectivo de Eshú, hay personas en África que usan orgullosamente nombres como Éshubíyìí – concebido por Eshú – o Èshùtósin – Eshú merece ser adorado.

Es posible que, justamente por su fuerza, haya sido el más atacado de los orishás, asociado al mal absoluto. Si aquí él es temido e indeseado por muchos, su origen africano era diferente, ya que no había un concepto de maldad absoluta. Eshú es l a figura que trae l a noción de contraste. “Él promueve l a transparencia del mal que está contenida en la noción del bien”, dice Braga. Aparte de eso, Eshú es l a fuerza de la comunicación. Él es el mediador de los orishás entre sí, de los orishás con l os seres humanos – y vise-versa – y es el mismo el mediador entre l os propios seres humanos.

El sistema religioso está basado en la comunicación, a través del intercambio del ashé, que posibilita l a harmonía de la existencia. La ofrenda es el factor de equilibrio, y todo desequilibrio es recompuesto por una oferta. Como Eshú es el mediador, es a través de él que la oferta es llevada al orishá. Es este sistema, Eshú es la figura clave, ya que solamente a través de él es que puede tener lugar el intercambio de ashé.

Luego, todo acto religioso precisa de su presencia y, por eso mismo, todo acto religioso en el candomblé es iniciado con una ofrenda a él. Como explica Volney J. Berkenbrock en su libro La Experiencia de los Orishás, “Eshú es la chispa que inicia el proceso. Es el principio de todo, la fuerza de la creación, el nacimiento, el equilibrio negativo del universo, el que no quiere decir cosas malas. Eshú es la célula mater de la generación de la vida, el que genera el infinito, infinitas veces”.

Por cuenta de todo lo que se ha dicho y aún se dice sobre él, la imagen de Eshú por veces parece bien próxima y clara. Otras veces parece estar envuelta en una niebla. Talvez, todo ese misterio y toda la confusión que hacen con su nombre hayan sido la causa de que su figura haya inspirado a numerosos académicos y artistas a inclinarse hacia su personalidad.

Amante de los misterios de Bahia y del candomblé como lo fue Jorge Amado no lo habrá jamás. Según el escritor, “Eshú come todo que l a boca come, bebe aguardiente, es un caballero andante y un niño rey. Gusta de los bullicios, señor de los caminos, mensajero de los dioses, correo de los orishás, un niño inquieto. Por todo esto lo sincretizaron con el diablo: en verdad él es apenas un orishá de movimiento, amigo de las bromas, de una confusión, más, en el fondo, una excelente persona. De cierta manera, es el no donde solo existe el sí; el contrario en medio del favor; el intrépido y el invencible”.

Correio da Bahia
Eshu, the most human of the orishas, has little resemblance with the fallen angel of the creation story
Adriana Jacob
redacao@correiodabahia.com.br

Intermediary between the mortal Gods of the Candomblé and poor men, Eshú is the gentleman of destiny, guardian of the passageways and of the crossroads. He is the only one that can ensure communication with the orishas and is also the only deity to whom tribute must be paid when initiating any celebration in the terreiro. But the reputation that is attributed to him is unjust – Eshú has nothing to do with the devil of western culture. Owner of innumerable mysteries, this messenger of the gods conciliates force, creativity, power and cleverness, charitable and protective. In Africa and amongst the students of Candomblé, Eshú will be always synonymous with life, freedom and ashé.

Gentleman of the roads

The worship of Eshú indicates why the African god of freedom was syncretized with the devil in Brazil

Before night falls on the waters of the Bay of All Saints (Bahía de Todos os santos) one of the most mysterious rituals carried out in Candomblé terreiros begins: the padê of Eshú. In the traditional terreiros, the ceremony is executed with much pomp. At dusk, the filho-do-santo kneel down in a circle in the large barracão (great hall in terreiro) and bend their bodies on the mats, with their heads resting on both fists. On the ground, in the center of the barracão, a clay jar filled with water, a small jar with firewater (overproof rum), a clay dish with yucca flour, and a small jar with palm oil.

The drums begin to play and, from a distant spot, it is possible to hear the voices of the filhos-do-santo singing for Eshú. It is time to “dispatch” or send the offerings to the gentleman of the roads, the messenger orishá. The offering is an importante reverence, since only Eshú can pave the way so that men and orishás can communicate. For that reason, he is the first orishá that must be acknowledged, in all the celebrations, before any other divinity. So that the greeting to the other orishás can begin, it is necessary to count with the protection of Eshú.

It was thanks to that protection that Pedro Archanjo, one of Jorge Amado’s most irresistible characters, was able to escape from a great trap. One iyabá – a type of wicked entity – was transformed into a beautiful black woman and she drew up a plan to finish with Archanjo’s appeal: she would leave him impotent. What iyabá did not know was that Pedro Archanjo was a odson of Eshú.

Eshú warned him of his enemies’ plans and prepared a special charm for him, that included a a bath with special leaves and ebó. With the aid of Eshú, the result was that the witchcraft of iyabá did not harm him and she ended up madly in love with with Archanjo. She changed from being an evil entity and became the beautiful Dorote Preta. She became a daughter of Iyansán and “she ended up being the one that dances the padê of Eshú at the beginning of the obligations”.

But Eshú is much more than that. As Pierre Verger describes in his book “Orixás,” Eshú can make things extraordinary, like carrying in a strainer the oil that we buy in the market without spilling a drop. He can kill a bird yesterday with a stone he threw today. He causes that the lie becomes truth and that truth becomes a lie.

Adored by some and feared by others, Eshú is one of the most mysterious names of the pantheon of African divinities. His colors are red and black. His day is Monday. Many stories are told, and almost everyone has something to say when the subject is about the orishá syncretized by the Catholic Church with the devil. The ceremony of padê is an indicator that Eshú’s importance goes beyond what most people imagine when they speak of the “man of the crossroads”.

Some scholars, such as Dr. Julio Braga, anthropologist from the National University of Zaire, and retired professor of anthropology of the Federal University of Bahia (UFBA) and attached professor of the State University of Feira de Santana (UEFS), define Eshú as the most dynamic of the orishás. “He is the one who thrusts life forward and creates the necessary dialectic conditions for existence,” he says. Eshú is responsible for promoting the opposite perception and show the other side of a debate.

In addition to that, he is bound to the notion of sexuality, in charge of promoting the continuity of human existence. For this reason, in some ares of Africa he is represented by an earthen mound in the form of a small man, with a phallus of a very respectable size. That phallus represents his reproductive functions.

A not at all compatible function with which the Catholic Church associated him in the process of religious syncretism. According to Verger, “that detail (the turgid penis) gave rise to the scandalized or amused observations of numerous travelers who identified him erroneously as the god of fornication.” If the preconceptions of all things related with Candomblé are numerous, when the subject is Eshú, the proportions increase. This is evident when considering that not everyone knows the saint that corresponds with the syncretic version of Iyansá or of Omolu [Babaluaiyé], but when it comes to Eshú, it is a rare occurrence that anybody would not associate him with the devil.

In fact, Eshú is irritable and is also very astute, crude, vain and indecent, but if he is treated with consideration, he shows his good, helpful and charitable side. If, on the contrary, they forget to do sacrifices and offerings to him, one can come to expect catastrophes. “Eshú rebels in this manner, being the most human of the orishás, neither completely bad, nor completely good,” says Verger. Because they know Eshú’s protective qualities, there are people in Africa who proudly use names such as Éshubíyìí – conceived by Eshú – or Èshùtósin – Eshú deserves to be adored.

It is possible that because of his nature, he has been the most attacked of the orishás, associated with absolute evil. If here he is feared and undesired by many, in his place of origin it was somewhat different, since there was no concept of absolute evil. Eshú is the character that brings to life the notion of resistance. “He promotes the transparency of the evil that is contained in the notion of goodness,” says Braga. besides this, Eshú represents the notion of communication. He is the mediator of the orishás with each other, between orishás and human beings – and vise versa- and is also the mediator between human beings.

The religious system is based on communication, through the interchange of ashé, that makes possible the harmony of existence. Offering are the balance factor, and all imbalance is recomposed by supply. As Eshú is the mediator, it is through him that offerings are taken to the other orishás. In this system, Eshú is the key figure, since only through him can the interchange of ashé can take place.

In addition, all religious acts require his presence and, for that same reason, all religious acts in Candomblé are initiated with an offering to him. As explained by Volney J. Berkenbrock in his book “La Experiencia de los Orishás,” “Eshú is the spark that initiates the process. He is the principle of everything, the force of creation, the birth, the negative balance of the universe, the one that does not mean to say bad things. Eshú is the mother cell that generates life, the one that generates the infinite, infinite times.”

Because of everything that has been said and is still said about him, the image of Eshú at times seems close and clear. Other times it seems to be surrounded by fog. Possibly, all that mystery and all the confusion that has been created around his name are the reason that many academics and artists feel particulally inclined towards his personality.

No one will ever be as much of a lover of the mysteries of Bahia and Candomblé as was Jorge Amado. According to the writer, “Eshú eats everything that the mouth eats, drinks brandy, is a wandering gentleman, and a young king. He enjoys noise, gentleman of the roads, messenger of the gods, mailman of the orishás, an anxious boy. It is because of all of this that they have syncretized him with the devil: in reality he just the orishá of movement, lover of hoaxes, of confusion, yet, at heart, an excellent person. In some ways, he is the “no” where only the “yes” exists; the opponent in the way of the favor; the intrepid and the invincible one.”

From Brazil’s Correio da Bahia
Correio da Bahia
Prefeito conferiu os trabalhos de reforma no mais antigo santuário de candomblé da cidade
Andreia Santana
redacao@correiodabahia.com.br

Antonio Imbassahy aprecia o gradil de ferro confeccionado por Bel Borba

O prefeito Antonio Imbassahy esteve ontem pela manhã no terreiro da Casa Branca, na Avenida Vasco da Gama, conferindo o andamento das obras de reforma do principal santuário do candomblé em Salvador. Acompanhado do presidente da Fundação Gregório de Mattos, Francisco Sena, e do artista plástico Bel Borba, o prefeito conheceu o gradil de ferro decorado com motivos africanos e símbolos da religião afro-brasileira, de autoria do artista, e que foi instalado na Praça de Oxum, na entrada do terreiro. Depois da visita, ele se dirigiu até a casa de Xangô para cumprimentar mãe Tatá (Almira Cecília dos Santos) ialorixá da Casa Branca.

Até agora, já foram feitas obras de contenção da encosta e drenagem da água pluvial no terreiro. Ainda faltam a urbanização e o projeto de paisagismo da Praça de Oxum. Durante as próximas semanas as obras serão suspensas devido ao Osé, cerimônia de preparação para o ritual das Águas de Oxalá, que acontece na próxima quinta-feira à noite. “A prefeitura está respeitando o calendário festivo do terreiro. Existem cerimônias em que não é permitido fazer escavações ou mexer com a terra. Nesses períodos, as obras são paralisadas para não interromper o ciclo de celebração aos orixás. Nenhuma intervenção pode ser feita aqui dentro sem respeitar os momentos religiosos da casa”, explicou o prefeito.

A cerimônia das Águas de Oxalá é uma das mais importantes do calendário da Casa Branca, informa o antropólogo e ogã do terreiro, Ordep Serra. Segundo ele, Oxalá, por ser o pai dos orixás, é celebrado com uma festa especial, em que todos os participantes usam roupas brancas. Depois da semana de preparação e da festa na quinta-feira, serão guardados mais três domingos em honra ao orixá.

Nesse período, além das obras de reforma que ficarão paralisadas, também é proibida a entrada de qualquer pessoa usando roupas escuras no terreiro e as oferendas aos orixás não podem conter azeite-de-dendê ou temperos fortes. “Este é o período da chamada comida branca”, acrescenta Ordep Serra.

Tombado como patrimônio histórico e cultural desde 1984, o terreiro da Casa Branca, cujo nome em iorubá é Ilê Axé Yá Nassô, é um dos mais antigos de Salvador. Ordep Serra calcula que ele tenha mais de 150 anos. A Casa Branca foi fundada na Barroquinha por três princesas africanas vindas das cidades de Oió e Ketu. Por causa disso, o terreiro é regido por Xangô (rei de Oió) e Oxóssi (rei de Ketu), além de receber também influência de Oxum.

Ainda no século XIX o terreiro foi transferido para a antiga roça do Engenho Velho. Do Ilê Axé Yá Nassô, nome de uma das princesas africanas, tiveram origem mais dois dos principais terreiros da cidade, o Gantois (Ilê Axé Yá Massê), na Federação, e o Ilê Axé Opô Afonjá, na antiga roça de São Gonçalo do Retiro.

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Babalorixá Balbino conta de que forma Xangô o ajudou a se comunicar com africanos no Benin
Hilcélia Falcão
redacao@correiodabahia.com.br

Balbino: “Fiquei impressionado com aquelas mulheres de peitos de fora e aqueles homens de corpo pintado”

Só um deus de justiça poderia estar por trás daquele reencontro. Guiadas pelos desígnios de Xangô, as mãos do antropólogo Pierre Verger levaram Balbino, primeiro filho-de-santo do sexo masculino de Maria Bibiana do Espírito Santo, mãe Senhora do Ilê Axé Opô Afonjá, àquele pequeno povoado na África ancestral. O lugar era Saketê, no Benin, do qual até então ele nunca tinha ouvido falar. Mas o que aconteceria depois o faria percorrer um caminho novo rumo à redescoberta da sua identidade cultural. Balbino Daniel de Paula, 61 anos, ou simplesmente Balbino, como é conhecido em Lauro de Freitas, onde está à frente do terreiro Ilê Axé Opô Aganju, protagonizou em fevereiro de 1973, na sua primeira viagem à África, um dos mais marcantes episódios de sua vida de iniciado no candomblé.

Até então, esse babalorixá neto de escravos tinha a impressão de já estar acostumado às intervenções dos orixás. Afinal, crescera em Ponta de Areia, na Ilha de Itaparica, no terreiro de culto aos eguns de seu pai biológico, Pedro Daniel de Paula (Alapinin). “Até os 12 anos não podíamos ver a festa à noite, por isso ficávamos felizes quando tínhamos a oportunidade de dar presentes a Bababê na festa dele, ele dava ecó (acaçá) para a gente e mãe Senhora ia sempre lá, ela fazia obrigação de babalorixá”, conta Balbino. Acostumado aos mistérios da religião afro-baiana, disputava as malas dos veranistas para conseguir o dinheirinho de comprar presentes para o egun.

Foi nesta época, quando tinha apenas 6 anos, que conheceu o antropólogo Pierre Verger. Naquele tempo, o francês de alma afrobaiana ia a Itaparica acompanhado de mãe Senhora, que viria a ser mais tarde a mãe-de-santo do hoje babalorixá. “Ficava impressionado com a figura daquela mulher. A minha relação com a minha mãe era tão carinhosa que ela até me botou um apelido, Negrito, era assim que ela me chamava”, relembra, com os olhos marejados de lágrimas. Não é para menos. Para mãe Senhora, Balbino era o seu xodó.

Trágico episódio

Até ser iniciado por ela no culto afro, entretanto, muitas águas tiveram que rolar. Por motivos que ele até hoje desconhece, até ser encaminhado ao Ilê Axé Opô Afonjá, vivenciou uma experiência curiosa em outro terreiro de candomblé. Duas de suas irmãs já tinham sido feitas de santo no terreiro de São Gonçalo do Retiro. Mas ele, não. Continuava na sua rotina de verdureiro nas feiras livres de Salvador. Até que, por problemas de saúde, foi encaminhado a um terreiro na Federação. Contudo, um trágico episódio abortou o seu processo de iniciação. “O pai-de-santo, pai Vidal, de Oxagrian, morreu sete dias depois d”eu ter sido recolhido lá”, conta. Voltou para casa sem passar pela iniciação.

Foi quando Xangô interviu e modificou para sempre o seu destino. Irradiado pelo santo da sua cabeça, o feirante foi parar no Ilê Axé Afonjá, em São Gonçalo do Retiro. “Nunca entendi porque minha mãe não me levou logo pro Afonjá”, conta, intrigado. Feito de santo, ficou mais próximo de mãe Senhora e sua vida começou a mudar. Passou a conviver com personalidades de destaque, como Jorge Amado e Pierre Verger. “Tudo foi acontecendo de uma hora para outra”. Sempre amigo, o francês costumava lhe trazer do continente africano produtos relacionados ao candomblé. “E eu sempre pedia a ele (Verger): ”Me leva para a África?”. Ele me respondia: ”Um dia Xangô vai te levar””, recorda.

Reencontro ancestral

A mesma força mística que o conduzira ao Afonjá, naquele distante ano de 1959, parece ter regido todos os momentos até Saketê. O reencontro foi inusitado. “Quando cheguei, fiquei impressionado com aquelas mulheres de peitos de fora e aqueles homens de corpo pintado, nunca tinha visto coisa igual”, relembra Balbino que, depois desta época, voltou à África outras três vezes. Só que a estética da tribo não era nada diante do impacto no momento da comunicação com os seus “irmãos”. Perplexo pela identificação que sentira apesar de tanta diferença, Balbino ouviu, entre surpreso e confuso, a ordem de Verger: “Você não queria vir? Agora que você está aqui se comunique com o seu povo”.

Ele não sabia o que fazer. Não conhecia nada do idioma daquele povo de Saketê. O jeito foi, claro, recorrer a Xangô. Rezou, pediu, até que sua mente pareceu se iluminar. “Me veio a cantiga de Xangô e cantei em iorubá. Cantei uma, duas vezes, e nada. Eles só faziam me olhar”. Na terceira, todos eles pegaram o xerê e cantaram junto com Balbino. “Foi demais”, fala, com a voz embargada de quem não esquece aquele momento.

Voltou da África mudado e agora quem visita o terreiro onde o pai-de-santo mantém uma creche para 60 crianças da comunidade pobre de Lauro de Freitas, pode ver ali a síntese da identidade cultural do filho de Alapinin. O nome estranho da rua do Ilê Axé Opô Aganju, que reproduz o leiaute adotado por mãe Senhora no Afonjá, é, para os povos do Benin, muito familiar: Saketê, o lugar do seu reencontro ancestral.

Matter of Extreme Importance
We reprint this bizarre and offensive story from London’s Guardian Unlimited: Observer about the unfortunate murder of a young boy that experts are attempting to link to Yoruba religion. This incident reminds us of the case in Matamoros, Mexico from the late 1980s when the Lukumí religion was blamed for the activities of a psychotic drug dealer and murderer. The current matter is further complicated and becomes even more offensive when the scholar that was consulted for “expert” testimony on African religion appears not to be an expert on the Yoruba but an “Africanist.” To make matters worse, adding offense to offense, a Yoruba, Temi Olusanya, asserts that this murder was the work of “African religion!”

Martin Bright and Paul Harris
Observer

A young boy whose mutilated torso was discovered floating in the River Thames last September was the victim of a gruesome West African ‘religious’ sacrifice intended to bring good luck, and was trafficked into the country expressly for the killing.

Genetic tests on the boy – who was found with his head and limbs removed and wearing only a pair of orange shorts – point to a West African origin, probably Nigeria or a nearby country such as Togo or Benin.

Further analysis of stomach contents and bone chemistry show the child, whom police have named Adam, could not have been brought up in London. Detectives are now working on the horrifying theory that he was bought as a child slave in West Africa and smuggled to Britain solely to be killed.

Experts on African religion consulted by Scotland Yard believe Adam may have been sacrificed to one of the 400 ‘Orisha’ or ancestor gods of the Yoruba people, Nigeria’s second-largest ethnic group. Oshun, a Yoruba river goddess is associated with orange, the colour of the shorts, which were placed on Adam’s body 24 hours after he was killed as a bizarre addition to the ritual. The body was then stored for a further 24 hours before being offered to the Thames.

The cultural clues fit neatly with the forensics as the Yoruba are found in Benin, Togo and Ghana as well as Nigeria. Thousands of Yoruba slaves were also taken to the Caribbean, where elements of their religion formed the basis of voodoo rituals.

A close examination of the cuts where the head and limbs were sliced from the body shows that they were carried out by an expert using extremely sharp knives specially prepared for the purpose. In a horrific operation reminiscent of animal sacrifice, the flesh around the limbs and neck was first cut down to the bones, which were then slashed with a single blow from an implement much like a butcher’s meat cleaver. Adam would have been stretched out horizontally or upside down during the sacrifice and kept in position while the blood was drained from the body.

Officers working on the case believe that the level of expertise involved could show the perpetrators imported a magician or priest to carry out the ritual. They also believe the amputated body parts will have been kept as powerful magical trophies.

Richard Hoskins, a lecturer in the Study of Religions at Bath Spa University, who has studied ritual killings across Africa, said: ‘This looks like a deviant variety of a West African religion. Someone would have done it to gain power. But the vast majority of Africans would find this abhorrent.’

In an unprecedented missing-person investigation, the police have even tracked down the origins of the orange shorts, which were made exclusively in China for German Woolworth stores. Police believe Adam may have arrived in England from Germany, a common route for people traffickers.

Police are now awaiting final results of the forensic tests, which should identify a specific country or ethnic group, before moving their investigation to Africa. Scotland Yard officers working on the case then plan to launch appeals to the parents of missing children in Adam’s country of origin.

Commander Andy Baker of the Metropolitan Police, who is heading the investigation said: ‘All we have is the trunk of a little boy and a very small pair of shorts. But when the work on the forensics identifies his home, we will go to that country and make direct contact with the government involved.’

Investigators have now discounted the theory that Adam was the victim of a so-called muti killing, where body parts are taken to be used in medicine. It is a practice widespread in areas of South Africa, and detectives travelled to Johannesburg to speak to experts. But all the evidence is now pointing to West Africa as holding the answers to the riddle of Adam’s slaughter. It now seems clear it was not body parts his killers were after.

Expert forensic analysis of mitochondrial DNA – the first time such a test has been used in a criminal investigation – shows that Adam was almost certainly West African. Other gruesome evidence is the fact that Adam’s genitals were left on his body. In muti murders the genitals are seen as powerful medicine; not so in West Africa where the ‘luck’ of an individual is believed to lie in the blood. Adam’s blood was drained from his body after he was killed, but his genitals were undamaged. A further clue lies in the fact that Adam, who was between four and seven years old, was also circumcised. In southern Africa circumcision happens as a passage to adulthood. In West Africa it occurs shortly after birth.

The case has prompted a continent-wide alert that African ritual killings have been imported to Europe. Last Monday an international conference was held in the Dutch city of The Hague to discuss the phenomenon, and several countries’ police forces are investigating deaths involving mutilations. Even Police believe that rich West Africans imported Adam from West Africa, probably using a specialist witch doctor for the task. The witch doctor would have procured the boy in West Africa, perhaps paying a fee to his family, a fee who may have expected him to be put to work abroad. He would then have been ‘trafficked’ to Europe.

Adam was well-treated before he was killed.. Traces of a common over-the-counter cough medicine were found in his stomach, indicating someone wanted him in good health for the day of his execution.

Could it happen again? Whatever business Adam’s killers wanted to bless has already started. It is unlikely his killers will strike again. ‘If another one happens then it is likely to be a different group of people involved. The ones who killed Adam are already satisfied with what they have done,’ said Dr Hendrik Scholtz, an expert at South Africa’s University of the Witwatersrand.

Temi Olusanya, the Nigerian vice-chair of the African Caribbean Development Association said Adam’s murder had deeply shocked the West African community. ‘This is a crime that cannot be tolerated in African religions. Murder is murder and we should work together to find the people who did this,’ he said.

Original article

Statement re. Observer Article by Martin Bright and Paul Harris 2nd June 2002

Dr Richard Hoskins

It has come to my attention that part of the article which appeared in The Observer on June 2nd has caused offence to some practitioners of Yoruba and Yoruba-derived religions, and specifically those connected with Oshun.

I wish to make clear that I am not responsible for the contents of the article by these journalists, and the piece was not written by me.

The journalists in question appear not to have been present at the Europol conference in The Hague. During my presentation to that conference I presented a number of possibilities in connection with the case. I stressed that:

  1. these were only possibilities
  2. there were other possibilities, including non-ritualistic motives
  3. in every case, were they proved to indeed be right, they would be deviations
  4. the press must NOT go away and report that I think ‘such and such’ is the deity invoked
  5. ritual killing is no more a part of African traditional beliefs than Satanism is a part of Christianity
  6. 99.9% Africans would utterly abhor the killing of Adam
  7. but a terrible murder has been committed with what appear to be ritualistic elements

Following my presentation, the police commented that my obvious passion for Africa really came through. I have no intention in causing offence to any section of a people I love and know well.

In the briefings I subsequently gave I summarised my talk. Martin Bright was one of many who contacted me for such a briefing.

Martin Bright assured me that he would call me before going to print to show me the contents of the article. This he did not do. Had he of done so I would have immediately requested him to remove, or substantially change, the references to Oshun, which were taken out of context and distorted. Most of the rest of the article seemed to me to have been fine.

It may, nevertheless, be of interest to those who have been asking that none of the possibilities raised by me originated with me. All have been first suggested by world-wide specialists in the field, and have been debated between me and them over several months. I do repeat that were any of the suggestions that I mentioned indeed proved to be correct they would be deviations, and in no way a part of the traditional beliefs of the practitioners. Were Oshun used in a sacrifice of this nature it would be a complete distortion of her true nature (especially as lover of children – which I mentioned in The Hague). But just because something is a deviation does not mean it didn’t happen. We must be balanced about this.

Finally, and more importantly than anything, a horrific murder has been committed. This is not the time to be side-tracked from finding the perpetrators of Adam’s killing. If the media attention has caused any offence, then I urge those people to come forward and help give their expertise to help the police in this investigation. I am not interested in academic point-scoring: I am only concerned that we catch Adam’s killers. I am still convinced that the killers of Adam can be found if we all pull together. I urge that we all do this for Adam, and for the good name of Africa.

Dr Richard Hoskins
11 June 2002
All further correspondence in this matter should be referred to Kate Campbell at Scotland Yard press office: 020 7230 1750.

Recent Update from the BBC

From Lydia Cabrera’s “El Monte,” the chapter titled “La Ceiba-Sus leyendas. Culto. Su importancia en la Magia y en la superstición del pueblo cubano. Los malos ojos. Los mayomberos y la ceiba. Jueves, Viernes Santo y Sábado de Gloria. El árbol sagrado por excelencia.”

The article is in Spanish.

View the article.

From Brazil’s Correio da Bahia
Três terreiros de candomblés baianos têm importância reconhecida pela Fundação Palmares
Regina Bochicchio
redacao@correiodabahia.com.br

Mais três terreiros de candomblé baianos foram reconhecidos pela Fundação Cultural Palmares (FCP), ligado ao Ministério da Cultura, como territórios culturais afro-brasileiros. Os terreiros Eran Ope Oluwa (Cachoeira), Zogodo Bogum Male Rundo (Engenho Velho da Federação) e o Maioralage, mais conhecido como terreiro de Olga de Alaketu, receberam o título no último dia 25 de março. Outros terreiros da capital baiana já haviam sido intitulados, como é o caso dos terreiros de Gantois, Ilê Axé Opô Afonjá e Bate-Folha. O reconhecimento público como território cultural tem por objetivo preservar a cultura negra brasileira.

O coordenador geral do Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação Palmares (Brasília), Jônatas Nunes Barreto, explicou que o principal pré-requisito para o reconhecimento de sítios, localidades ou monumentos é o levantamento da história, através de pesquisas sistematizadas e que comprovem que o requerente tenha contribuído ou contribua para a preservação da memória da população afro-brasileira. Além disso, é necessário um pedido oficial do responsável; histórico do bem; documentações necessárias; levantamento topográfico; publicação no diário oficial; e, por fim, notificação ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan). Com todas essas etapas cumpridas, a localidade é reconhecida pela Fundação Palmares como território cultural afro-brasileiro.

Preservação – O reconhecimento é um dos passos para que o estado execute ações visando a restauração e a preservação desses sítios, além da possibilidade de entrar com abertura de processo de tombamento junto ao Instituto de Patrimônico Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para muitos terreiros, o reconhecimento da Fundação Cultural Palmares é o primeiro passo para o recebimento de recursos e apoio para outros investimentos.

“Nosso interesse é na área de projetos sociais e culturais para a comunidade daqui. Agora, precisamos do tombamento que é concedido pelo Iphan”, disse Ekede Nirinha, filha de Olga de Alaketo. Ela reclamou da falta de incentivos e reconhecimento público, visto que “o terreiro é conhecido mais internacionalmente do que aqui dentro”. Há dois anos o terreiro enviou a documentação à FCP. Mas somente agora foi dado o reconhecimento.

Os candomblés foram um dos principais responsáveis pela manutenção da cultura negra na Bahia. Nos terreiros perpetuou-se, além da religiosidade, a música, a culinária e as danças trazidas pelos escravos negros. Durante o período que durou a escravidão no Brasil, os negros eram proibidos de praticarem sua religião. Por isso, os orixás, deuses do candomblé, foram associados aos santos católicos, de maneira a permitir seu culto. Com isso, surgiu o sincretismo religioso, que faz com que as festas católicas e os ritos do candomblé convivam, como ocorre, por exemplo, na festa do Nosso Senhor do Bonfim.

Os procedimentos para requerer reconhecimeno valem para todo o território nacional, já que a Fundação Cultural Palmares, com sede em Brasília, é um órgão vinculado ao Ministério da Cultura. Em Goiás, por exemplo, a Igreja Nossa Senhora de Rosário dos Pretos (Pirenópolis) é reconhecida. Na década de 40, ocorreu a demolição da igreja. Durante escavações para a passagem de cabos de telefonia, foram encontradas ossadas dos túmulos sob o local onde antes ficava o altar. O Iphan embargou a obra e a FCP reconheceu o local como território cultural para estudos arqueológicos.

From Brazil’s Correio da Bahia
Efeito civil
Tatiany Carvalho
redacao@correiodabahia.com.br

Os terreiros de candomblé já estão legalmente autorizados a efetivar o casamento na religião afro com efeito civil. O sonho de mulheres e homens iniciados na religião africana de se casarem segundo os trâmites da Justiça, de papel passado, deverá ser concretizado a partir de julho. O projeto encaminhado pelo presidente da Federação Nacional dos Cultos Afro-Brasileiro (Fenacab), Aristides Mascarenhas, a Brasília não requereu nem mesmo a apreciação do Congresso Nacional, já que a Constituição Brasileira prevê liberdade de expressão religiosa.

Uma vez feito o chamado “enquadramento da Constituição”, a próxima etapa do trâmite legal, que deve ocorrer em junho, é a realização do curso preparatório para os ministros religiosos das roças, no caso, ogãs, olwôs e babalaôs, que são as pessoas qualificadas para realizar as cerimônias. Assim como ocorre nos processos da Igreja Católica, a documentação dos cônjuges será encaminhada primeiramente ao cartório para, em seguida, se efetivar, no terreiro, a união matrimonial. Mascarenhas explica que os casamentos entre seus pares até então eram realizados apenas simbolicamente, sem efeito jurídico. “O pai-de-santo unia as duas mãos e realizava a união”, explica.

Segundo os cálculos do presidente da Fenacab, mais de dez mil pessoas iniciadas no candomblé devam viver como “marido e mulher”, apenas segundo as bênçãos dos deuses africanos. Mascarenhas acredita que a realização do casamento civil nos próprios terreiros vai reforçar ainda mais os laços com a religião africana, uma vez que muitos membros acabam recorrendo ao catolicismo para firmarem a troca de alianças. Em todo o estado, existem 5.900 terreiros oficializados, sendo que 2.700 estão em Salvador. De acordo com Mascarenhas, os números reais de casas dessa religião deve beirar a margem de 20 mil.

A intermediação do projeto da Fenacab até Brasília foi feita pela Defensoria Pública do Município, através do defensor Genaldo Lemos Couto, que não foi encontrado para falar sobre o trâmite pela reportagem do Correio da Bahia. Segundo informou Mascarenhas, as primeiras uniões cíveis nos terreiros de candomblé pelos ministros religiosos deverá ser feita para um coletivo de aproximadamente 15 casais. Atualmente, a Fenacab diz que existem pelo menos oito candidatos. Um deles é o babalaxé (herdeiro do cargo do titular do terreiro) Antoniel Ataíde Bispo, do terreiro Ominatôsse, na Cidade Nova. “Essa é a primeira prova que nós vamos ter e dar à sociedade de que realmente nós somos uma religião”, declarou Bispo, contrapondo com o caráter privativo da maior parte dos rituais do candomblé. O babalaxé ressalta a importância da união cível para os casos envolvendo herança, que, a partir do registro formal, será uma prova em caso da exigência da justiça na comprovação de “uniões estáveis”.

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